Christian Carvalho Ganzert … “Da graduação, mestrado e doutorado à fundação da T4 Corp”

  • Christian Carvalho Ganzert, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – FFCLRP/USP. Mestre em Administração de Organizações – FEARP/USP. Doutor em Administração USP.

Esse post contará em detalhes a trajetória incansável e vitoriosa do Christian Ganzert. Trabalho, estudo e esporte foram, segundo Christian, as variáveis mais importantes para que pudesse manter o rumo de seus objetivos durante a fase inicial de sua vida produtiva. Fase essa que o levaria a fundar a empresa T4 Corp, especialista em digitalização e armazenagem de documentos.

Origens

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Christian Ganzert

Em 13 de fevereiro de 1979, Christian Carvalho Ganzert tornou-se o primeiro filho de um improvável casal da cidade de São Paulo. Sua mãe era caixa do extinto Banespa e seu pai músico profissional. Em meio às dificuldades típicas de famílias constituídas por casais jovens, foi criado ao lado de uma irmã caçula em diferentes bairros da capital paulistana, sempre estudando em escolas públicas do Estado e do Município. Em termos educacionais, acredita que sua maior sorte foi, aos nove anos de idade, ter estudado na Escola Municipal de Primeiro Grau Julio Mesquita, um dos poucos resquícios de educação pública de qualidade da cidade. Sua família se mudou para o Butantã, bairro da referida escola, região que contava com a proximidade da USP para fornecimento de mão de obra qualificada às escolas locais.

Dessa forma, apesar das limitações do orçamento educacional público, e das dificuldades relativas à condição econômica de sua família, conseguiu adquirir boas referências para sua formação inicial. Tanto pela necessidade quanto pela filosofia de sua mãe, começou a trabalhar cedo aos 14 anos de idade. Aproveitando-se da facilidade que tinha em lidar com novas tecnologias – já devorava livros de informática desde os dez – trabalhava como operador de redes em uma indústria de produtos químicos durante a semana e como arte-finalista aos finais de semana. Além do trabalho, o esporte era um de seus maiores interesses na época, tendo se tornado atleta de esgrima e competido em campeonatos nacionais e internacionais entre os 14 e os 17 anos.

Trajetória Profissional e Acadêmica

Christian ingressou na vida acadêmica pelo curso de graduação em Ciências Econômicas da Unicamp em 1997. Antes disso, terminou o curso técnico profissionalizante em Eletrônica da Fundação Paula Souza e, muito embora gostasse do trabalho com tecnologia, desde muito cedo ficou óbvio que seu caminho profissional seria na área de gestão e educação. Aos 19 anos encerraria o breve ciclo de trabalho operacional em TI para entrar por concurso no Banco do Brasil. Mesmo estudando em uma universidade pública, sua família não tinha recursos para lhe manter na cidade de Campinas. Apesar do currículo integral do Instituto de Economia, paralelamente ao curso na Unicamp desempenhou a função de Gerente de Expediente E.E. no Banco desde seu segundo semestre, tendo sido também encarregado na Superintendência São Paulo III. Lembra-se que sua principal impressão nessa época era de que o mundo corporativo destoava de quase tudo o que via em teoria na Universidade.

Após a escolha do tema da Monografia de Conclusão de Curso, “Corrida Espacial: Desdobramentos Econômicos do Embate Tecnológico entre potências”, foi surpreendido por uma promoção no trabalho, passando a Gerente de Relacionamento NR1 na principal unidade do Banco em Campinas, o que afastou-lhe dos estudos no último semestre de faculdade. Mais tarde, em 2001, abandonaria o Banco do Brasil para iniciar seu primeiro negócio, o Estúdio de Gravação BR-101 em Campinas, o que interromperia o seu relacionamento com a Unicamp.

Em 2003, por conta de um assalto às instalações do Estúdio, Christian teve que fechar seu primeiro negócio. A habilidade com línguas estrangeiras criou-lhe a oportunidade de uma experiência no comércio exterior. Após seis meses trabalhando como consultor para negócios internacionais para uma Holding de Gibraltar com filial no Brasil, chamada Ocean International Group, voltou a prestar concursos públicos, passando como técnico administrativo na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, Prodesp, mudando-se pela primeira vez para Ribeirão Preto. Em Ribeirão Preto, reapaixonou-se pela área de gestão e economia, especialmente de economia da informação. Finalmente, decidiu o que faria de sua vida: seria professor e pesquisador.

 Voltou à graduação no curso de Ciências da Informação da Universidade de São Paulo, USP, desenvolvendo pesquisas desde o primeiro ano na área de Economia Política da Informação e participando do circuito de encontros da Ulepicc. As pesquisas dessa época lhe aproximaram do Grupo de Sistemas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, o qual lhe incorporou em 2008 para iniciar o Mestrado em Administração de Organizações, na FEARP-USP. Casou-se nesse mesmo ano.

Por conta da dedicação ao Mestrado, teve que abrir mão da Prodesp, na qual à época já ocupava uma cadeira no Conselho Representativo de Empresa. Sem bolsa, começou a trabalhar como Professor em 2009, no Centro Universitário Moura Lacerda, nos cursos sequenciais e de Contabilidade, nas disciplinas Introdução à Economia e Mercado de Capitais. No mesmo ano, foi convidado pela USP para substituir em caráter emergencial ao Prof. Dr. Edberto Ferneda durante todo o segundo semestre na disciplina de Administração de Serviços de Informação do Curso de Ciências da Informação, do qual era egresso. Reelaborou todo o conteúdo do curso e ministrou as aulas durante todo o semestre, de forma voluntária, a pedido do coordenador da época, Cláudio Marcondes de Castro Filho, por quem tem especial gratidão.

No mesmo ano de 2009, Christian foi contratado pela Uniesp, para dar aulas no Curso de Engenharia de Produção, assumindo as disciplinas de Planejamento e Controle da Produção I e II, Higiene e Segurança do Trabalho e Simulação Aplicada à Engenharia de Produção. Ao final do ano, foi convidado para ser o Gestor de Negócios da Bioted, empresa de biotecnologia instalada no Parque Tecnológico da Supera em Ribeirão Preto, o que gerou sua segunda experiência como gestor de uma startup.

Em 2010, saindo da Moura Lacerda, assumiu duas disciplinas no curso de Administração da Semar Unicastelo em Sertãozinho, Administração Pública e Epistemologia, mantendo ainda as disciplinas na Uniesp. Defendeu o Mestrado no início do ano, ao mesmo tempo em que passou no processo seletivo para o doutorado. No mesmo ano acumulou mais uma função, a de Gestor Financeiro da maior banca jurídica de contencioso de massa de Ribeirão Preto, o escritório Valente Advogados. Quatro empregos, e um filho a caminho. Thomas chegou ao mundo quando Christian trabalhava em média 17 horas por dia.

Seu contrato com a Bioted se encerrou ao final de 2010, quando Christian passou a prestar consultoria para outras empresas, além de manter o cargo na banca de advogados e cumprir os créditos do Doutorado. Saiu da Uniesp no meio de 2010 para dar aulas na Facig de São Joaquim da Barra, no curso de Administração, sob as disciplinas Teoria Geral da Administração I e II, Administração da Produção e Administração Patrimonial e de Materiais. Acabou por divorciar-se no mesmo período.

No primeiro semestre de 2011, Christian saiu da Facig para dar aulas na Fafibe de Bebedouro, no curso de Administração, nas disciplinas Administração de Tecnologia da Informação, Administração de Serviços e Teoria Geral da Administração. No mesmo ano, desenvolveu o material dos cursos de Pós-Graduação em Gestão de TI do UniSEB. Além de 20 horas de aulas por semana, continuava na gestão do Valente, quando foi convidado pelo Professor Werner Baer para terminar seu doutorado, com dedicação integral à pesquisa, através de um período de estágio na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Em agosto de 2011, Christian chegou aos Estados Unidos como pesquisador da UIUC, alocado em duas equipes: Instituto Jorge Paulo Lemann para Estudos Brasileiros – liderado pelo Prof. Werner Baer, além do REAL – Regional Economics Application Laboratory, sob comando de Geoffrey Hewings. Seus dois orientadores eram referências internacionais. Baer foi orientador de líderes latinos como Alexandre Tombini (Presidente do Banco Central do Brasil) e Rafael Correa (Presidente do Equador), além de ser o maior especialista americano em Economia Latino-Americana e consultor de diversos governos americanos nos últimos 50 anos. Geoffrey Hewings é consultor da gestão Obama, uma das maiores autoridades mundiais em Economia Regional e torcedor fanático do clube galês de futebol Cardiff City FC.

Sua tese de Doutorado, intitulada “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”, seria a evolução de seu trabalho como pesquisador, o qual abordaremos adiante. O modelo de análise de redes econômicas desenvolvido no período de seis meses nos Estados Unidos já foi apresentado em alguns eventos internacionais e nacionais, e foi o resultado de estudos empreendidos em Illinois e na Califórnia, no Vale do Silício, onde teve como base para a pesquisa de campo as Universidades de Berkeley e Stanford.

Apesar das propostas para continuidade das pesquisas na UIUC e uma oportunidade de emprego ofertada pelo presidente da Thyssenkrupp de Danvile, Illinois, construir uma vida longe do filho Thomas não estavam nos planos de Christian. De volta ao Brasil com a tese pronta, em janeiro de 2012, foi convidado para ser consultor sênior de Gestão por Processos da Elo Group, em São Paulo, pela qual desenvolveu projetos frente à BM&F-Bovespa e à Seguros Unimed. O trabalho como consultor sênior atrasou um pouco a defesa da tese, concluída anteriormente, tendo finalmente o fechamento do Doutorado em outubro de 2012, mesmo mês em que foi convidado para ir à Espanha apresentar dois trabalhos para o Laboratório Europeu de Economia Regional.

Em dezembro de 2012, Christian foi convidado a voltar para Ribeirão Preto e fundar, sob capital de um grupo de investidores locais do segmento de educação, a T4 Corp, holding que oferece serviços de gestão integrada a outras empresas, desde a consultoria em Gestão por Processos até desenvolvimento de sistemas automatizados de gestão, passando pelo atual carro-chefe da organização, a gestão do conhecimento e administração de arquivos físicos e digitais. Ao mesmo tempo, fundou a Corpyx, empresa de coaching e treinamento corporativo. Entre abril de 2013 até a data atual, a T4 Corp já teve clientes como Itaú, Grupo SEB, São Francisco Saúde, Unimed, entre outros. Além de fundador, Christian exerçe desde o início a função de Chefe de Operações (COO) da empresa, controlando as demais empresas do portfólio de serviços.

Além da prática de gestão, desde janeiro de 2013 é professor do UniSEB nos cursos de Engenharia de Produção, Administração e Gestão de Tecnologia da Informação, das disciplinas de Evolução do Pensamento Administrativo, Design Organizacional e Gestão por Processos, Empreendedorismo, Inovação e Novos Negócios. Além da graduação no UniSEB, Christian é professor de pós-graduação do Pós-Adm da FGV na cadeira de Estratégia, do Mestrado Profissionalizante de Administração da UniFAFIBE, na cadeira de Gestão Organizacional e desenvolve pesquisas em três grupos, o CORS/USP – pelo qual foi co-autor de um livro em 2014, o Grupo de Sistemas da FEARP-USP e o REAL da Universidade de Illinois.

Pesquisa Científica

Durante a graduação em Ciências Econômicas pela Unicamp, interrompida no último semestre, Christian iniciou uma pesquisa sob comando do Prof. Jorge Ruben Bitton Tapia, já falecido, com foco em história econômica. Sua principal inquietude era sobre como o desenvolvimento tecnológico tende a ser impulsionado pela política e, em contrapartida, desempenhar o papel de modificador voraz da estrutura econômica vigente. O tema do trabalho enfocava a Corrida Espacial na época da Guerra Fria, e tentava retratar os avanços econômicos na esfera privada a partir de tecnologias desenvolvidas sob conselho militar e estatal.

Ao cursar a segunda graduação, a partir de 2004, Christian recuperou o conhecimento adquirido na Unicamp, desenvolvendo então, sob o teto da USP, uma pesquisa que enfocava a relação de ligação entre sistema econômico e o aparato tecnológico, especialmente relatando as mudanças sociais a partir do surgimento da tecnologia da informação, e vice-versa. O trabalho foi apresentado já em 2006 no II Encontro da Ulepicc, e foi o tema de seu TCC, com o título “Capitalismo Informacional : Reflexões Sobre a (Re)Produção do Conhecimento e a Sistêmica Econômico-Social Contemporânea”.

Ainda na graduação, por conta da pesquisa em desenvolvimento, foi convidado para prestar o processo seletivo de mestrado em Administração de Organizações da FEARP na USP onde, uma vez aprovado, passou a estudar diferentes formas de arranjos produtivos de tecnologia da informação, o que originou a dissertação “Desenvolvimento Sistêmico de Pólos Regionais de Tecnologia da Informação: Análise Comparativa entre Modelos de Clusters Nacionais e Internacionais sob a Perspectiva da Teoria dos Sistemas”, defendida no início de 2010.

A pesquisa de Mestrado enfocou a análise de quatro clusters de tecnologia da informação, avaliando os elementos que propiciavam o êxito de suas operações e as barreiras para seu desenvolvimento. Os focos do estudo foram os clusters do Vale de Santa Clara (Vale do Silício), Bangalore, Campinas e São Carlos. A principal diferença observada entre os clusters foi em relação à cultura regional dos casos internacionais, nitidamente ancoradas no modelo americano de empreendedorismo, com menor aversão ao risco.

A análise de redes em clusters de tecnologia iniciada superficialmente no Mestrado levou a indagações sobre a possibilidade de estabelecer um modelo de análise de relações econômicas que classificasse a situação de um determinado arranjo produtivo a partir da “Social Network Analysis”. Uma vez aprovado no processo seletivo do doutorado, Christian passou a desenvolver a tese “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”. Após a compleição dos créditos de disciplinas, foi convidado pelo economista americano Werner Baer a terminar a pesquisa na Universidade de Illinois, através de um “período sanduíche” ou estágio de doutoramento como visiting scholar.

Em Illinois, trabalhou frente ao Instituto Jorge Paulo Lemann de Estudos Brasileiros, tendo o Dr. Baer como co-orientador; e no Regional Economics Application Laboratory, sob tutela do co-orientador Geoffrey Hewings. Foi no REAL que Christian pode realizar a maior parte da pesquisa teórica que o levou a campo para aplicar o modelo desenvolvido ao longo do doutorado, baseado em SNA e Teoria dos Jogos. O objeto de estudo foi o Vale do Silício, onde aplicou questionários em seis das principais empresas americanas de Tecnologia da Informação, temporariamente alocado nas Universidades de Berkeley e Stanford. Os cinco meses de intensa pesquisa nos Estados Unidos propiciaram o retorno ao Brasil com a tese pronta, mas essa somente seria defendida em outubro de 2012, por conta das atribuições profissionais assumidas desde a volta. Em fevereiro de 2012 Christian se distanciou da docência e pesquisa por alguns meses para desenvolver projetos frente à BM&F-Bovespa e Seguros Unimed como consultor sênior da Elo Group.

Defendido o doutorado, foi convidado para apresentar o novo modelo de redes multidimensionais baseado em SNA e Teoria dos Jogos em eventos importantes na Europa e Estados Unidos, mas por conta de compromissos de trabalho somente pode fazê-lo no Congresso do Laboratório Europeu de Economia Regional em 2012, na Espanha. Apesar de confirmado como palestrante no evento do Laboratório Europeu de 2013 no Reino Unido, não pode viajar por outros compromissos profissionais.

Hoje, Christian atua como pesquisador efetivo do Center of Organizational Studies da FEA-USP, do Grupo de Sistemas da FEARP-USP e do Regional Economics Application Laboratory da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, pelo qual participa periodicamente de conversações e congressos sobre economia de redes e desenvolvimento regional.

A T4 Corp

Christian retornou a Ribeirão em dezembro de 2012 para fundar a T4 Corp, empresa da família Zaher, que tem como presidente a Diretora Executiva do grupo SEB, Thamila Zaher. A missão de Thamila para Christian foi bastante simples: criar uma empresa jovem e inovadora de guarda documental, que estivesse alinhada com o momento atual da economia brasileira. Empreendedora desde o berço, Thamila acreditava que seria possível crescer no setor de documentação com uso de boas práticas de BPM e governança focada em qualidade e gestão de custos.

A T4 surgiu em um período de transformação econômica para o Brasil. Após longos anos de bonança, a economia retornava a um patamar de estagnação que forçava as organizações ao corte de custos. Mesmo com o cenário macroeconômico instável, a empresa decolou e conseguiu se tornar a mais completa empresa de documentação de Ribeirão Preto e região, com duas unidades documentais que estão entre as mais modernas do país.

A T4 conta em seu quadro com alguns egressos do Curso de Ciência da Informação e Documentação da USP Ribeirão, tais como Raphael Valente (formado em 2008) e Franciele Pereira (formada em 2014), e outros egressos já passaram por lá, como o Marlon Francis (formado em 2014). Christian acredita que até 2020 a T4 seja uma das 8 maiores empresas de documentação do país, pretensão declarada no movimento de expansão iniciado para a capital paulista e outros estados brasileiros como Rio de Janeiro e Goiás. A T4 tenta romper um tradeoff até então considerado intransponível: alinhar qualidade e baixo custo em um mesmo conjunto de soluções para gestão documental. Esse tem sido o desafio de Christian, e o objetivo da T4.

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Integracão T4 Corp

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/06/2015.

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Carlos “Maozinha” Gomes… Construindo uma carreira nos Estados Unidos da América

  • Carlos Ney Nunes Gomes, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestrando na University of Southern Mississippi.

Nesse post, Carlos ou “Maozinha” como é mais conhecido, vai contar sua experiência fora do Brasil. Em abril de 2011 ele mudou-se para Mississippi onde a partir de um trabalho voluntário, passando por um projeto remunerado, conseguiu uma vaga permanente de trabalho e foi aprovado no mestrado.

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Carlos

“Hey Y’all!

Welcome to the South.

Me mudei para o Mississippi em Abril de 2011. Minha esposa, Dr. Ana Carolina Taveiros Palei, foi convidada para fazer seu Pós-Doc na University of Mississippi Medical Center em Jackson, Capital do estado. Mesmo tendo alguns brasileiros na região, muitos por conta da UMC, é um choque de cultura tremendo.

E eu que achava que sabia falar inglês! O sotaque aqui no Sul é extremamente carregado e cheio de vícios de linguagem. Pedir um hambuger nunca foi tão difícil.

Mas apesar de tudo, o lugar merecia o esforço. Fomos muito bem recebidos tantos por brasileiros quanto por americanos. Aos poucos fomos nos acostumando com a dura rotina. E que rotina, longe da família, dos amigos, de tudo que você está acostumado a comer, comprar e beber. Mas perto de tudo aquilo que você pedia para os amigos trazerem quando eles vinham para Orlando (lugar maneiro alias, estivemos lá em 2011).

Uma das primeiras providências que tomamos foi arrumar uma televisão. Parece que não, mas TV ajuda muito no aprendizado. E sobre aquela história de ficar longe de brasileiros quando você quer se inserir na cultura local e aprender a falar fluente, bem, em partes é verdade. Mas lembre-se, se for ficar mais de 3 meses, quem vai te ajudar são os conterrâneos. E de uma forma ou de outra, eles também te ajudam a matar as saudades da terrinha.”

Visto e Emprego

“Eu e minha esposa viemos pra cá com um visto J1 para ela e J2 para mim. Esse visto permite que você estude e trabalhe. No meu caso (J2), eu preciso de uma autorização para poder trabalhar. Esse autorização é conhecida como EAD (Employment Authorization Document) e demora pelo menos 100 dias para conseguir. E sempre, sempre empata sua vida.

Após um mês eu consegui um emprego (sem registro) numa gráfica graças a um brasileiro amigo meu. Trabalhei lá entre Maio de 2011 e Junho de 2013. Nesse meio tempo me inscrevi no programa de voluntariado do Mississippi Department of Archives and History. E é aqui que está toda a diferença. Fazer trabalho voluntário num dos mais importantes Departamentos de Arquivos foi praticamente a única maneira de mostrar meus conhecimentos e conseguir o emprego.

Trabalhei como voluntário por mais ou menos um ano. Era uma jornada de três vezes por semana,três horas por dia. Minhas atribuições eram: preparar inventários, ajudar o curador a processar coleções visuais e fotografar eventos relacionados ao departamento. Não demorou e eles me ofereceram um projeto remunerado. Por três meses trabalhei no projeto de digitalização da Coleção de Moreau Chambers financiado por um Grant (bolsa) específico para preservação da história dos Nativos-Americanos. Chambers foi um arqueólogo que fez inúmeras escavações no Mississippi a procura de relíquias indígenas.

Após 3866 imagens digitalizadas em pouco menos de três meses, fui convidado a assumir uma vaga permanente de digitalizador na “Image and Sound Division” como “Optical Imaging Operator”. E esse oferta veio na hora certa pois meu filho Arthur estava pra nascer.

Meu trabalho, agora oficialmente estatutário, se divide basicamente em: verificar o que será escaneado; as condições do documento ou fotografia; qual equipamento será usado (scanner de mesa epson 10000 XL ou o Zeutschel 300). O primeiro é usado para documentos e fotografias de tamanho regular. O segundo é usado para mapas, fotografias e documentos de tamanhos acima da média e livros.

Nosso próximo passo agora no Image and Sound é a aquisição de duas máquinas fotográficas e de um book drive da Atiz. Teremos de esperar o fechamento do ano fiscal em Junho para saber se poderemos adquirir.

Dentre inúmeros artigos que já digitalizei, entre fotos, documentos e pôsteres, os que mais me chamaram a atenção foram:

  • um documento oficial assinado por George Washington;
  • algumas fotos de Martin Luther King, Edgar Evers e outros líderes dos Movimentos de Direitos Civis Americano nas décadas de 40, 50 e 60.
  • Documentos referentes a luta pelos direitos civis no Mississippi
  • E as fotos feitas pelo FBI dos corpos dos estudantes James Chaney, Andrew Goodman, e Michael Schwerner, mortos durante o Freedom Summer de 1964. Esses assassinatos formam o enredo do filme “Mississippi em Chamas” de 1988. Vale a pena assistir.”

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    Equipe Image and Sound

Mestrado e Vida

“Quando ainda estava como voluntário no Departamento, eu apliquei para o Mestrado na University of Southern Mississippi. Fui aceito em Janeiro de 2013. Antes de fazer as disciplinas regulares do curso, decide obter o Certificado de Especialista em Arquivos e Coleções Especiais. Estou cursando o último Semestre e logo obterei o título. Provavelmente no Outono de 2015 eu inicie as matérias do Mestrado. Esse meio tempo é necessário para que eu possa obter algum scholarship. Não é nada fácil pagar o mestrado no valor integral.

Bem no mais, a vida no Mississippi corre como o rio, suave e sem pressa. Não há muito o que se fazer por aqui. De vez em quando tem um show aqui ou em alguma cidade perto. A cidade está à três horas de Memphis e três horas de New Orleans. E a seis horas de Atlanta, onde há um consulado brasileiro. Eu vi Robert Plant tocar em Clarksdale de graça. Fui aos shows de: Kansas, Bryan Adams (por causa da Carol), Coheed and Cambria, Slayer, Motorhead, Slipknot, Anthrax, White Chapel e Garth Brooks. Em Maio eu vou ao show do Rush em New Orleans e em Agosto irei a Boston para ver o ACDC.

Como vocês podem ver, tenho uma certa paixão por musica. E essa paixão pela musica me levou a um novo hobbie, a coleção de discos de vinil. Há uma loja a 25 milhas da minha casa que se chama The Little Big Store, com mais de 100 mil discos, CDs e memorabillia usados. Quando vou pra lá, gasto pelo menos uma tarde escavando discos velhos. É com certeza meu lugar favorito no Mississippi.

Bom, por agora é isso. Espero receber a visita de algum cidiano em breve.

Abraços a todos.
Carlos Gomes”

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Carlos “Maozinha” e o filho Arthur.

A coordenação do Curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da USP de Ribeirão Preto, aproveita para parabenizar o aluno Carlos Gomes “Maozinha”, pela sua jornada nas terras do Tio Sam e pela sua atitude empreendedora e pró-ativa, que tem gerado frutos em sua vida profissional e pessoal. Desejamos todo sucesso em sua carreira na América do Norte!!

O blog agradece ao aluno “Laudo Kiyohiro Natsui” pelo contato e por colaborar para que esse post pudesse ser produzido.

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/04/2015.

Gabriele, Isabela, Jessika, Mariane e Vânia … o caminho de jovens pesquisadoras em Ciência da Informação.

O post desse mês é mais que especial, após apresentação dos trabalhos de conclusão de curso da IX Turma de Ciências da Informação e da Documentação, USP Ribeirão Preto uma sequência de boas notícias vieram em seguida, a aprovação de 5 alunas da turma no mestrado em faculdades públicas do Estado de São Paulo.

A quatro anos atrás, essas meninas que tinham entre 17 e 18 anos adentravam a Universidade de São Paulo para iniciar sua trajetória na Graduação, provavelmente nenhuma delas tinha ideia que a pesquisa seria o caminho a seguir. Pois bem, passados os quatro anos, recebem seus diplomas de graduação já aprovadas em processos seletivos para cursarem mestrados de excelência a partir de 2015.

Em seguida você poderá acompanhar a trajetória dessas dedicadas e promissoras jovens pesquisadoras na busca pela vaga, da preparação, confirmação da vaga e expectativas pra essa nova fase acadêmica! E o melhor, contada por elas mesmas ..


  •   Gabriele Maris Pereira Fenerick, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia” do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

“Como a maioria 999021_495510287183932_1465272580_ndos universitários, ao perceber que caminhava para o término do curso de graduação me senti um pouco indecisa em relação a qual caminho seguir. Penso na possibilidade de fazer mestrado desde o 2º ano de faculdade quando iniciei minha I.C. e percebi que eu me identificava com o campo acadêmico. Nesse meio tempo, tive conhecimento do processo seletivo do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, e me inscrevi na linha de pesquisa “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia”. Assim, procurei orientação para me inteirar sobre as fases do processo seletivo. Basicamente, a seleção para pós-graduação consiste em quatro fases: 1- Aprovação de projetos; 2 – Avaliação de Inglês; 3 – Avaliação da bibliografia específica; 4 – Entrevista. Em dois meses de preparação, acredito que um dos fatores predominantes foi me sentir segura com a bibliografia. Para isso, acho importante destacar alguns pontos:

  • Peça uma segunda opinião sobre o seu projeto e padronize-o conforme o edital;
  • Separe seus documentos com antecedência e os confira antes de enviar a inscrição;
  • É importante ter em mãos toda a bibliografia pedida, seja impressa ou digital;
  • Determine quanto tempo diário você pretende se dedicar aos estudos de acordo com a sua rotina e seja disciplinado;
  • Escreva, leia e escreva de novo;
  • Nunca fique com dúvidas. Procure vídeos, resenhas, críticas e pontos de vista;
  • Procure conversar com quem já passou por esse tipo de processo seletivo;
  • Tente ficar calmo durante a entrevista e mostre conhecimento sobre o seu projeto, além de enfatizar a importância do mestrado na sua carreira.Em março 2015 vou iniciar o mestrado acadêmico na PPGCTS da UFSCar. Incentivo a tentativa aos futuros formandos. Se você pretende se especializar em algum seguimento ou seguir carreira acadêmica, o mestrado é uma ótima opção de amadurecimento. Informe-se e arrisque-se.”

  • Isabela Pereira do Rego, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em Ciências da Informação do Programa de Pós-graduação em Ciências da Informação – UNESP/Marília.1796698_807138975966595_976468362_n

“Olá pessoal, sou Isabela e passei no mestrado em Ciências da Informação na UNESP, Campus de Marília, minha linha de pesquisa escolhida foi “Informação e Tecnologia”, por já estar inserida neste meio para realização do meu TCC, portanto, sendo uma continuação nos estudos desta área. Na verdade fazer mestrado sempre esteve em meus planos, entendo que hoje o profissional precisa buscar cada vez mais conhecimento e aperfeiçoamento para atender o que o mercado de trabalho exige. Comecei a pesquisar sobre o mestrado no meu último ano de faculdade, optei pela UNESP, Campus de Marília, por estar como referência na área, onde oferece 03 linhas de pesquisa, as quais abrangem as principais áreas de conhecimento em Ciências da Informação. Como já havia desenvolvido meu TCC relacionado à área de tecnologia, não foi difícil escolher entre as linhas de pesquisa. A partir desta definição, procurei pesquisar melhor sobre a linha de tecnologia e os professores que faziam parte desta. Desenvolvi meu projeto (o que não foi fácil), pois tive muita dificuldade em definir um tema para abordagem, e com ele montar o projeto. Foram muitas pesquisas, leituras e levantamentos de dados, antes do projeto ser desenvolvido. Com o projeto pronto me preparei nos estudos para a prova de mestrado, o qual contou com 03 fases: Prova de Proficiência em Língua Estrangeira (eliminatória); Avaliação dos projetos, dissertações e Currículos Lattes; Prova escrita e Arguição sobre o Projeto de Pesquisa/Entrevista individual. A cada fase uma expectativa! O resultado de todo o processo me trouxe muita alegria por dar continuidade naquilo que eu já planejava, sei que o mestrado me exigirá muito mais responsabilidades e isso é muito bom para meu crescimento e amadurecimento, me proporcionando uma visão maior sobre o potencial do profissional em Ciências da Informação. Uma frase que levo sempre comigo: “Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.” Chico Xavier. Um grande beijo, Isabela Pereira do Rego


  • Jessika Fernanda Toledo, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em Gestão e avaliação de tecnologias em saúdePrograma de Mestrado Profissional em Gestão de Organizações de Saúde – da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP.

Euu“A minha trajetória em uma universidade iniciou-se em 2011, quando ingressei no curso de Ciências da Informação, da Documentação e Biblioteconomia, oferecida pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. Onde obtive a conclusão com êxito do curso no final de 2014. Foi nesse mesmo período, final do ano passado (2014), que resolvi participar do processo de seleção para o Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Organizações de Saúde, oferecido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também na Universidade de São Paulo. Eu estava disposta a tentar uma vaga, especificamente com foco nesta área de estudo, depois de ter pesquisado sobre o programa e ter conversado bastante com um veterano que também está fazendo mestrado lá. Interessei-me muito, e a partir dai me dediquei para a preparação de tudo que estavam solicitando naquele edital. Meu tempo era muito curto, pois estava tão focada na elaboração do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que acabei deixando para ir atrás de tudo logo quando lançaram o edital do programa. Dessa forma, mesmo com o tempo muito pequeno, eu não desisti, a principio fui atrás imediatamente de um professor para ver se ele estava disposto a me orientar durante o período do mestrado, e logo em seguida me dediquei exclusivamente para a elaboração do Projeto de Pesquisa que devia obrigatoriamente estar dentro das linhas de pesquisa que o programa exigia (Gestão de redes organizacionais de atenção à saúde ou Gestão e avaliação de tecnologias em saúde), posteriormente realizei a prova escrita e depois participei de uma arguição (entrevista). No final de todo esse processo, e por incrível que pareça, no mesmo dia que apresentei o meu Trabalho de Conclusão de Curso recebi a notícia que fui aprovada no programa de mestrado. Fiquei muito feliz com o resultado, ainda mais porque após o término da minha graduação já ingressei diretamente num programa de pós-graduação em uma das maiores universidades da América Latina, no qual me sinto orgulhosa e com grande expectativa de aprofundar os meus conhecimentos nesta universidade.”


  • Mariane de Souza, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Apropriação Social da Informação” do Programa de pós graduação em Ciência da Informação – PPGCI – da Escola de Comunicação e Artes da USP.

“A minha primeira IMG_20150102_235612experiência e contato com o universo da pesquisa e da escrita científica se deu durante a graduação. Além dos trabalhos e seminários que foram desenvolvidos ao longo do curso, foi durante a realização da iniciação científica, que eu comecei a construir minha identidade e a tomar gosto pela pesquisa. A CI como uma ciência abrangente e que pode ser percebida em tantos lugares, me possibilita uma construção híbrida de identidade científica, e esse foi um dos principais fatores que me motivaram a seguir estudando. O processo seletivo do qual fiz parte foi o da Escola de Comunicação e Artes da USP. Esse processo, como acredito ser a maioria dos processos seletivos de mestrado, foi muito extenso e, principalmente, denso. O ano que me preparei para a prova de mestrado, fazendo as leituras que seriam exigidas, foi o último ano da graduação no qual eu estava fazendo, simultaneamente, leituras que me ajudaram a tecer meu trabalho de conclusão de curso. Portanto, foi um ano marcado por muita leitura, escrita e, no final, muita emoção e alegria! Sem dúvida, minha formação durante a graduação foi fundamental para absorver as leituras que eu estava fazendo. Muito do que foi exigido no processo seletivo do PPGCI, foi apresentado, ao longo dos quatro anos, pelos docentes do curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da FFCLRP. As minhas expectativas em relação ao futuro e ao mestrado são positivas, o caminho não será fácil, mas tenho certeza que será gratificante!”


  • Vânia Lucia Coelho, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia” do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

natal1“Ao longo da graduação, mais especificamente de 2012 a 2014, fui bolsista de iniciação científica financiada pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Com um projeto chamado “Blogs: arquivos que se abrem com clique”, dei início aos meus estudos científicos em torno de redes sociais. Fui orientada pela professora Lucília Maria Abrahão Souza, integrei um grupo de estudos em análise do discurso coordenado por ela e, durante os dois anos de vigência da bolsa de pesquisa, participei de inúmeros eventos e tive em torno de três publicações: duas em livros publicados pelo grupo de estudos em AD e uma em periódico científico. Meu interesse por redes sociais, disseminação e organização da informação na web permaneceram. Porém, após a vigência da bolsa de iniciação científica, passei a apurar o olhar para uma área de pesquisa que até então não conhecia e que teria muito a contribuir para os estudos em informação: a área de sociologia do conhecimento. Com auxílio da professora Márcia Regina da Silva, criei o projeto “Instituto ciência hoje: mediação, circulação e apropriação de informações científicas por meio de redes sociais”, com o qual tentaria o mestrado na UFSCAR. Da inscrição até a prova discursiva, me preparei estudando os textos que constavam no edital (textos de Latour e Bordieu) e fazendo o TEAP – exame de proficiência em inglês. Após isso, participei da arguição do projeto e da entrevista – momento um pouco mais tenso pra mim, mas que no final me trouxeram o êxito de ser aprovada no PPGCTS – Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, mais especificamente na linha de pesquisa “Dimensões sociais da ciência e da tecnologia”. Me sinto muito feliz e realizada por poder dar continuidade aos meus estudos científicos e contribuir para a área de pesquisa de que tanto me interesso e que tanto ainda tem para crescer: a área de estudos em Informação.”

O professor José Eduardo Santarem Segundo, coordenador do curso de Graduação em Ciência da Informação e da Documentação da USP de Ribeirão Preto, referenda o sucesso das alunas dizendo que o esforço empreendido durante a graduação foi decisivo para que conquistassem o gosto pela pesquisa e a vaga direta no mestrado. “Um curso de graduação tem o objetivo de preparar para a vida, de dar uma carreira, não é objetivo exclusivo de um curso formar o aluno para a carreira acadêmica, mas sim apresentar vários caminhos a serem seguidos. Me sinto feliz e tenho certeza que esta alegria é compartilhada pelos outros docentes, certos que cumpriram seu papel ao ver o sucesso dessas alunas e de outros alunos que adentram ao mundo da pesquisa iniciando seus mestrados tão logo terminam a graduação.”

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Da esquerda pra direita: Je, Isa, Vânia, Mari e Gabi.

Entrevista feira por Ana Santana, em 20/02/2015.

Haroldo Beraldo .. “Geladeiroteca: consuma aqui e alimente seu espírito” e “Todo dia é dia de ler”

Projetos: “Geladeiroteca: consuma aqui e alimente seu espírito” e “Todo dia é dia e ler”

  • Haroldo Luís Beraldo, bacharel em Ciências Sociais/UFSCar e Ciências da Informação e da Documentação USP/Ribeirão Preto

Nesse post, o Haroldo vai contar pra gente como começou o seu envolvimento com livros e literatura, sobre os dois projetos que elaborou e executou na Biblioteca General Álvaro Tavares Carmo e como isso repercutiu na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo.

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Haroldo

“A minha trajetória com projetos que envolvem o livro e a leitura se iniciou em 2007, quando coloquei em prática na 5ª Feira do Livro de Sertãozinho o “Traça da Praça”, um sebo de livros onde as pessoas adquiriam livros e gibis por preços simbólicos ou trocavam materiais, doando um livro para o projeto e levando outro pra casa.

Em 2008 formei-me em Ciências Sociais pela UFSCar e em 2010 entrei no curso de Ciências da Informação e da Documentação na USP/Ribeirão Preto. A princípio tudo indicava que as demandas de trabalho não ultrapassavam o atendimento de balcão, além da retirada e reposição do acervo nas estantes. Entretanto, muita coisa estava por acontecer.

No início de 2013, saiu um edital do MinC (Ministério da Cultura) que possibilitava uma série de municípios a terem seus Pontos de Leitura. Isso consistia em uma premiação de R$20.000,00 (Vinte mil reais) para cada Ponto a serem aplicados de acordo com as diretrizes estabelecidas nos projetos dos proponentes.Em Sertãozinho tivemos duas possibilidades de contemplação com Pontos de Leitura e uma das propostas escolhidas foi o “Todo dia é dia de ler”, projeto a ser colocado em prática na biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo.”

“Geladeiroteca: consuma aqui e alimente seu espírito”1383232_251960008290739_111801188_n

“Basicamente, a ideia do projeto consiste numa carcaça de geladeira customizada com recortes de enciclopédias e gibis onde ficam disponíveis vários livros para retirada livre e gratuita por parte da população. O projeto girou durante os quatro dias da Feira do Livro e nesse ínterim foram repassados à comunidade mais de 400 livros, todos captados na biblioteca por meio de doações.

Para a nossa surpresa, o projeto foi um sucesso, gerando repercussão na mídia local e regional, com matérias de jornais e televisivas. Para que a ideia não ficasse limitada à Feira do Livro, estabelecemos uma parceria com uma associação de bairros de Sertãozinho que tem sede em um clube esportivo do município. Dessa forma, acabamos dando continuidade no projeto atendendo aproximadamente 800 pessoas que usam o clube e participam das atividades desenvolvidas no mesmo. Foi a maneira que encontramos de fazer com que nosso trabalho repercutisse na população e se mantivesse ativo.”

“Todo dia é dia de ler”

“A ser colocado em prática na biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo, basicamente estipulamos que parte do nosso investimento seria para potencializar o acervo atendendo a demandas de curso superiores e técnicos existentes em instituições de ensino público e privado no município de Sertãozinho, além de livros de literatura universal, 1622289_296150920538314_1716721980_oinfantojuvenil, histórias em quadrinhos e audiolivros. Também tivemos a preocupação em investir na estrutura física da biblioteca criando um novo espaço de 14m² com guarda-volumes e estantes para livros infantis. E, por fim, parte do prêmio foi direcionado para adquirirmos equipamentos multimídia com o intuito de oferecer diferentes tecnologias para nossos usuários e visitantes. Dentre as ofertas estão um tablet e dois e-readers.

Durante o período de vigência do Ponto de Leitura “Todo dia é dia de ler”, participamos pela segunda vez de uma edição da Feira do Livro de Sertãozinho com o estande da biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo”.

O Haroldo me enviou também, links das matérias online que saíram sobre a Bibliteca General Álvaro Tavares Carmo e os projetos desenvolvidos nela, por ele.
Facebook: https://www.facebook.com/BibliotecaCanaoeste
Links: http://www.canaoeste.com.br/conteudo/cruz-das-posses-sedia-entrega-de-pontos-de-leitura-sertanezinos-164139; http://www.abasertaozinho.com.br/aba/index.php/noticias/239-geladeiroteca-e-lancado-oficialmente; http://www.blogdogaleno.com.br/2013/11/27/em-sertaozinho-sp-tem-livro-ate-na-geladeira.

Entrevista feita por Ana Santana, em 24/04/2014

EDITADO EM 23/12/2014

O projeto do aluno Haroldo Beraldo foi premiado com o “Prêmio Vivaleitura 2014!”, tendo recebido das mãos da Ministra da Cultura, interina, Ana Cristina Wanzeler, em cerimônia realizada no dia 16/12 no Salão Nobre na Câmara dos Deputados. O projeto da Geladeiroteca esteve entre os 998 projetos inscritos que representaram todas as regiões do Brasil e o egresso Haroldo e sua geladeiroteca ficaram entre os cinco melhores projetos na categoria de Bibliotecas públicas, privadas e comunitárias

Paula, Jeane e Camila .. “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac”

Projeto “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac”

Alunos participantes do projeto:

  • Paula Castro, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia
  • Jeane Silva, bacharel e Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia
  • Camila Signorini, licenciada em Pedagogia
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Paula

Tudo começou quando Paula, Camila e Jeane fizeram uma oficina de elaboração de projetos culturais no Memorial da Classe Operária – UGT, em Ribeirão Preto. Através desse projeto a Paula teve acesso uma grande listade bibliotecas públicas de Ribeirão Preto que estavam desativadas, e comentando coma colega de curso Jeane Silva e a Camila Signorini do curso de pedagogia, resolveram juntas elaborar um projeto que tivesse como objetivo central reativar uma dessas bibliotecas públicas.

Foi assim que surgiu o projeto “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac” desenvolvido no período de fevereiro de 2013 a novembro de 2013, projeto este contemplado no Edital n.º 011/2012 do Programa de Incentivo Cultural 2013 da Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura de Ribeirão Preto.

A Biblioteca Municipal Olavo Bilac foi inaugurada em 2003, na Administração Regional da Vila Tibério, como parte integrante do Programa Ribeirão das Letras, 1233603_1407588632801531_1921006809_nque tinha como objetivo incentivar a leitura na cidade de Ribeirão Preto/SP. A Paula me contou que mesmo a biblioteca desativada até intervenção do projeto contemplado pelo PIC 2013, ela possuía um acervo com livros bem conservados, boa localização, pois fica próxima da área central da cidade e uma estrutura física passível de reativação a partir de políticas públicas e projetos adequados. Atualmente, a biblioteca possui um acervo de aproximadamente 1.700 ex emplares, que em sua maior parte é composto por doações de moradores do bairro e sujeitos que utilizam os serviços (assistência jurídica, IPTU, CPFL,37105_1407588726134855_1722482965_n Departamento de Água e Esgoto, dentre outros) da Administração Regional.

Segundo Paula, “A intenção era construir um espaço de referência de propagação do saber e do ensinar, ofertando aos seus frequentadores um meio de acessar as fontes de informações e também proporcionar um local para divulgação e propagação de manifestações culturais da comunidade local. A proposta tinha como objetivo fazer com que os sujeitos se sentissem pertencentes ao espaço, reconhecendo a necessidade de manter o funcionamento do local, assim como atividades que ocupem o mesmo, aproximando a comunidade deste espaço da Biblioteca.”

Junto com a organização física da biblioteca houve uma preocupação com a organização de oficinas e atividades culturais, como entre outras: aula do livro (literatura para vestibular), oficinas de e arte atividades diárias com as crianças e mostra cultural. Assim foi desejado por elas, 1411_1436486413245086_17367765_naproximar a comunidade do espaço cultural, tornando ele um meio de lazer, conhecimento e aprendizagem. Paula me mostrou números que demonstra que os frequentadores da bibliotecas aumentaram entre os meses de Setembro e Novembro de 2013, e que o público predominante foi o infantil, com crianças entre de 3 a 12 anos e todas matriculadas em escolas públicas.

Hoje após a finalização do projeto, a Biblioteca continua ativa aos cuidados de uma pedagoga voluntária e funcionários públicos da Administração Regional da Vila Tibério que não são formados na área de Biblioteconomia. Elas acreditam que esta preocupação em manter a biblioteca ativa deveu-se a todo o processo de reativação que proporcionou a ocupação do espaço por parte do público.

Em “off” a Paula me contou que existe hoje mais de 80 bibliotecas desativas em Ribeirão Preto.  

Site da biblioteca http://bibliotecaolavobilac.wix.com/biblio e Facebook https://www.facebook.com/olavo.bilac.5815?fref=ts.

O Professor José Eduardo Santarem Segundo, coordenador do Curso de Ciências da Informação e da Documentação, da USP de Ribeirão Preto, onde Paula e Jeane foram alunas, entende que este projeto caracteriza muito bem o papel social que a Universidade de São Paulo tem em formar profissionais integrados com a comunidade e principalmente com causas sociais importantes como o saber e a leitura. Diz ainda que a atitude das alunas mostra o lado empreendedor que o curso tem discutido muito nos últimos anos.

Entrevista feita por Ana Santana, em 26/01/2014

Começamos mais um projeto, mais uma história.. muitos capítulos virão!!

Caros leitores, este novo blog nasce de uma iniciativa acadêmica, na perspectiva de apresentar projetos e ideias de alunos que passam pelo Curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP).

O objetivo é levar até a comunidade geral (acadêmica, especializada na área ou sem conhecimento algum do assunto) os trabalhos que são desenvolvidos pelos alunos do curso. Serão apresentados trabalhos realmente empreendedores que os alunos desenvolvem através de projetos de pesquisa ou de extensão, enquanto alunos ou mesmo depois já como egressos do curso.

O mais importante é sempre divulgar uma gama imensa de trabalhos relevantes que são produzidos e raramente são comunicados à sociedade.

Espero sinceramente que possamos apresentar grande ideias a comunidade e que também possamos estimular a criatividade e o desenvolvimento empreendedor de nossos alunos.

Até mais,

Prof. Dr. José Eduardo Santarem Segundo