Christian Carvalho Ganzert … “Da graduação, mestrado e doutorado à fundação da T4 Corp”

  • Christian Carvalho Ganzert, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – FFCLRP/USP. Mestre em Administração de Organizações – FEARP/USP. Doutor em Administração USP.

Esse post contará em detalhes a trajetória incansável e vitoriosa do Christian Ganzert. Trabalho, estudo e esporte foram, segundo Christian, as variáveis mais importantes para que pudesse manter o rumo de seus objetivos durante a fase inicial de sua vida produtiva. Fase essa que o levaria a fundar a empresa T4 Corp, especialista em digitalização e armazenagem de documentos.

Origens

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Christian Ganzert

Em 13 de fevereiro de 1979, Christian Carvalho Ganzert tornou-se o primeiro filho de um improvável casal da cidade de São Paulo. Sua mãe era caixa do extinto Banespa e seu pai músico profissional. Em meio às dificuldades típicas de famílias constituídas por casais jovens, foi criado ao lado de uma irmã caçula em diferentes bairros da capital paulistana, sempre estudando em escolas públicas do Estado e do Município. Em termos educacionais, acredita que sua maior sorte foi, aos nove anos de idade, ter estudado na Escola Municipal de Primeiro Grau Julio Mesquita, um dos poucos resquícios de educação pública de qualidade da cidade. Sua família se mudou para o Butantã, bairro da referida escola, região que contava com a proximidade da USP para fornecimento de mão de obra qualificada às escolas locais.

Dessa forma, apesar das limitações do orçamento educacional público, e das dificuldades relativas à condição econômica de sua família, conseguiu adquirir boas referências para sua formação inicial. Tanto pela necessidade quanto pela filosofia de sua mãe, começou a trabalhar cedo aos 14 anos de idade. Aproveitando-se da facilidade que tinha em lidar com novas tecnologias – já devorava livros de informática desde os dez – trabalhava como operador de redes em uma indústria de produtos químicos durante a semana e como arte-finalista aos finais de semana. Além do trabalho, o esporte era um de seus maiores interesses na época, tendo se tornado atleta de esgrima e competido em campeonatos nacionais e internacionais entre os 14 e os 17 anos.

Trajetória Profissional e Acadêmica

Christian ingressou na vida acadêmica pelo curso de graduação em Ciências Econômicas da Unicamp em 1997. Antes disso, terminou o curso técnico profissionalizante em Eletrônica da Fundação Paula Souza e, muito embora gostasse do trabalho com tecnologia, desde muito cedo ficou óbvio que seu caminho profissional seria na área de gestão e educação. Aos 19 anos encerraria o breve ciclo de trabalho operacional em TI para entrar por concurso no Banco do Brasil. Mesmo estudando em uma universidade pública, sua família não tinha recursos para lhe manter na cidade de Campinas. Apesar do currículo integral do Instituto de Economia, paralelamente ao curso na Unicamp desempenhou a função de Gerente de Expediente E.E. no Banco desde seu segundo semestre, tendo sido também encarregado na Superintendência São Paulo III. Lembra-se que sua principal impressão nessa época era de que o mundo corporativo destoava de quase tudo o que via em teoria na Universidade.

Após a escolha do tema da Monografia de Conclusão de Curso, “Corrida Espacial: Desdobramentos Econômicos do Embate Tecnológico entre potências”, foi surpreendido por uma promoção no trabalho, passando a Gerente de Relacionamento NR1 na principal unidade do Banco em Campinas, o que afastou-lhe dos estudos no último semestre de faculdade. Mais tarde, em 2001, abandonaria o Banco do Brasil para iniciar seu primeiro negócio, o Estúdio de Gravação BR-101 em Campinas, o que interromperia o seu relacionamento com a Unicamp.

Em 2003, por conta de um assalto às instalações do Estúdio, Christian teve que fechar seu primeiro negócio. A habilidade com línguas estrangeiras criou-lhe a oportunidade de uma experiência no comércio exterior. Após seis meses trabalhando como consultor para negócios internacionais para uma Holding de Gibraltar com filial no Brasil, chamada Ocean International Group, voltou a prestar concursos públicos, passando como técnico administrativo na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, Prodesp, mudando-se pela primeira vez para Ribeirão Preto. Em Ribeirão Preto, reapaixonou-se pela área de gestão e economia, especialmente de economia da informação. Finalmente, decidiu o que faria de sua vida: seria professor e pesquisador.

 Voltou à graduação no curso de Ciências da Informação da Universidade de São Paulo, USP, desenvolvendo pesquisas desde o primeiro ano na área de Economia Política da Informação e participando do circuito de encontros da Ulepicc. As pesquisas dessa época lhe aproximaram do Grupo de Sistemas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, o qual lhe incorporou em 2008 para iniciar o Mestrado em Administração de Organizações, na FEARP-USP. Casou-se nesse mesmo ano.

Por conta da dedicação ao Mestrado, teve que abrir mão da Prodesp, na qual à época já ocupava uma cadeira no Conselho Representativo de Empresa. Sem bolsa, começou a trabalhar como Professor em 2009, no Centro Universitário Moura Lacerda, nos cursos sequenciais e de Contabilidade, nas disciplinas Introdução à Economia e Mercado de Capitais. No mesmo ano, foi convidado pela USP para substituir em caráter emergencial ao Prof. Dr. Edberto Ferneda durante todo o segundo semestre na disciplina de Administração de Serviços de Informação do Curso de Ciências da Informação, do qual era egresso. Reelaborou todo o conteúdo do curso e ministrou as aulas durante todo o semestre, de forma voluntária, a pedido do coordenador da época, Cláudio Marcondes de Castro Filho, por quem tem especial gratidão.

No mesmo ano de 2009, Christian foi contratado pela Uniesp, para dar aulas no Curso de Engenharia de Produção, assumindo as disciplinas de Planejamento e Controle da Produção I e II, Higiene e Segurança do Trabalho e Simulação Aplicada à Engenharia de Produção. Ao final do ano, foi convidado para ser o Gestor de Negócios da Bioted, empresa de biotecnologia instalada no Parque Tecnológico da Supera em Ribeirão Preto, o que gerou sua segunda experiência como gestor de uma startup.

Em 2010, saindo da Moura Lacerda, assumiu duas disciplinas no curso de Administração da Semar Unicastelo em Sertãozinho, Administração Pública e Epistemologia, mantendo ainda as disciplinas na Uniesp. Defendeu o Mestrado no início do ano, ao mesmo tempo em que passou no processo seletivo para o doutorado. No mesmo ano acumulou mais uma função, a de Gestor Financeiro da maior banca jurídica de contencioso de massa de Ribeirão Preto, o escritório Valente Advogados. Quatro empregos, e um filho a caminho. Thomas chegou ao mundo quando Christian trabalhava em média 17 horas por dia.

Seu contrato com a Bioted se encerrou ao final de 2010, quando Christian passou a prestar consultoria para outras empresas, além de manter o cargo na banca de advogados e cumprir os créditos do Doutorado. Saiu da Uniesp no meio de 2010 para dar aulas na Facig de São Joaquim da Barra, no curso de Administração, sob as disciplinas Teoria Geral da Administração I e II, Administração da Produção e Administração Patrimonial e de Materiais. Acabou por divorciar-se no mesmo período.

No primeiro semestre de 2011, Christian saiu da Facig para dar aulas na Fafibe de Bebedouro, no curso de Administração, nas disciplinas Administração de Tecnologia da Informação, Administração de Serviços e Teoria Geral da Administração. No mesmo ano, desenvolveu o material dos cursos de Pós-Graduação em Gestão de TI do UniSEB. Além de 20 horas de aulas por semana, continuava na gestão do Valente, quando foi convidado pelo Professor Werner Baer para terminar seu doutorado, com dedicação integral à pesquisa, através de um período de estágio na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Em agosto de 2011, Christian chegou aos Estados Unidos como pesquisador da UIUC, alocado em duas equipes: Instituto Jorge Paulo Lemann para Estudos Brasileiros – liderado pelo Prof. Werner Baer, além do REAL – Regional Economics Application Laboratory, sob comando de Geoffrey Hewings. Seus dois orientadores eram referências internacionais. Baer foi orientador de líderes latinos como Alexandre Tombini (Presidente do Banco Central do Brasil) e Rafael Correa (Presidente do Equador), além de ser o maior especialista americano em Economia Latino-Americana e consultor de diversos governos americanos nos últimos 50 anos. Geoffrey Hewings é consultor da gestão Obama, uma das maiores autoridades mundiais em Economia Regional e torcedor fanático do clube galês de futebol Cardiff City FC.

Sua tese de Doutorado, intitulada “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”, seria a evolução de seu trabalho como pesquisador, o qual abordaremos adiante. O modelo de análise de redes econômicas desenvolvido no período de seis meses nos Estados Unidos já foi apresentado em alguns eventos internacionais e nacionais, e foi o resultado de estudos empreendidos em Illinois e na Califórnia, no Vale do Silício, onde teve como base para a pesquisa de campo as Universidades de Berkeley e Stanford.

Apesar das propostas para continuidade das pesquisas na UIUC e uma oportunidade de emprego ofertada pelo presidente da Thyssenkrupp de Danvile, Illinois, construir uma vida longe do filho Thomas não estavam nos planos de Christian. De volta ao Brasil com a tese pronta, em janeiro de 2012, foi convidado para ser consultor sênior de Gestão por Processos da Elo Group, em São Paulo, pela qual desenvolveu projetos frente à BM&F-Bovespa e à Seguros Unimed. O trabalho como consultor sênior atrasou um pouco a defesa da tese, concluída anteriormente, tendo finalmente o fechamento do Doutorado em outubro de 2012, mesmo mês em que foi convidado para ir à Espanha apresentar dois trabalhos para o Laboratório Europeu de Economia Regional.

Em dezembro de 2012, Christian foi convidado a voltar para Ribeirão Preto e fundar, sob capital de um grupo de investidores locais do segmento de educação, a T4 Corp, holding que oferece serviços de gestão integrada a outras empresas, desde a consultoria em Gestão por Processos até desenvolvimento de sistemas automatizados de gestão, passando pelo atual carro-chefe da organização, a gestão do conhecimento e administração de arquivos físicos e digitais. Ao mesmo tempo, fundou a Corpyx, empresa de coaching e treinamento corporativo. Entre abril de 2013 até a data atual, a T4 Corp já teve clientes como Itaú, Grupo SEB, São Francisco Saúde, Unimed, entre outros. Além de fundador, Christian exerçe desde o início a função de Chefe de Operações (COO) da empresa, controlando as demais empresas do portfólio de serviços.

Além da prática de gestão, desde janeiro de 2013 é professor do UniSEB nos cursos de Engenharia de Produção, Administração e Gestão de Tecnologia da Informação, das disciplinas de Evolução do Pensamento Administrativo, Design Organizacional e Gestão por Processos, Empreendedorismo, Inovação e Novos Negócios. Além da graduação no UniSEB, Christian é professor de pós-graduação do Pós-Adm da FGV na cadeira de Estratégia, do Mestrado Profissionalizante de Administração da UniFAFIBE, na cadeira de Gestão Organizacional e desenvolve pesquisas em três grupos, o CORS/USP – pelo qual foi co-autor de um livro em 2014, o Grupo de Sistemas da FEARP-USP e o REAL da Universidade de Illinois.

Pesquisa Científica

Durante a graduação em Ciências Econômicas pela Unicamp, interrompida no último semestre, Christian iniciou uma pesquisa sob comando do Prof. Jorge Ruben Bitton Tapia, já falecido, com foco em história econômica. Sua principal inquietude era sobre como o desenvolvimento tecnológico tende a ser impulsionado pela política e, em contrapartida, desempenhar o papel de modificador voraz da estrutura econômica vigente. O tema do trabalho enfocava a Corrida Espacial na época da Guerra Fria, e tentava retratar os avanços econômicos na esfera privada a partir de tecnologias desenvolvidas sob conselho militar e estatal.

Ao cursar a segunda graduação, a partir de 2004, Christian recuperou o conhecimento adquirido na Unicamp, desenvolvendo então, sob o teto da USP, uma pesquisa que enfocava a relação de ligação entre sistema econômico e o aparato tecnológico, especialmente relatando as mudanças sociais a partir do surgimento da tecnologia da informação, e vice-versa. O trabalho foi apresentado já em 2006 no II Encontro da Ulepicc, e foi o tema de seu TCC, com o título “Capitalismo Informacional : Reflexões Sobre a (Re)Produção do Conhecimento e a Sistêmica Econômico-Social Contemporânea”.

Ainda na graduação, por conta da pesquisa em desenvolvimento, foi convidado para prestar o processo seletivo de mestrado em Administração de Organizações da FEARP na USP onde, uma vez aprovado, passou a estudar diferentes formas de arranjos produtivos de tecnologia da informação, o que originou a dissertação “Desenvolvimento Sistêmico de Pólos Regionais de Tecnologia da Informação: Análise Comparativa entre Modelos de Clusters Nacionais e Internacionais sob a Perspectiva da Teoria dos Sistemas”, defendida no início de 2010.

A pesquisa de Mestrado enfocou a análise de quatro clusters de tecnologia da informação, avaliando os elementos que propiciavam o êxito de suas operações e as barreiras para seu desenvolvimento. Os focos do estudo foram os clusters do Vale de Santa Clara (Vale do Silício), Bangalore, Campinas e São Carlos. A principal diferença observada entre os clusters foi em relação à cultura regional dos casos internacionais, nitidamente ancoradas no modelo americano de empreendedorismo, com menor aversão ao risco.

A análise de redes em clusters de tecnologia iniciada superficialmente no Mestrado levou a indagações sobre a possibilidade de estabelecer um modelo de análise de relações econômicas que classificasse a situação de um determinado arranjo produtivo a partir da “Social Network Analysis”. Uma vez aprovado no processo seletivo do doutorado, Christian passou a desenvolver a tese “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”. Após a compleição dos créditos de disciplinas, foi convidado pelo economista americano Werner Baer a terminar a pesquisa na Universidade de Illinois, através de um “período sanduíche” ou estágio de doutoramento como visiting scholar.

Em Illinois, trabalhou frente ao Instituto Jorge Paulo Lemann de Estudos Brasileiros, tendo o Dr. Baer como co-orientador; e no Regional Economics Application Laboratory, sob tutela do co-orientador Geoffrey Hewings. Foi no REAL que Christian pode realizar a maior parte da pesquisa teórica que o levou a campo para aplicar o modelo desenvolvido ao longo do doutorado, baseado em SNA e Teoria dos Jogos. O objeto de estudo foi o Vale do Silício, onde aplicou questionários em seis das principais empresas americanas de Tecnologia da Informação, temporariamente alocado nas Universidades de Berkeley e Stanford. Os cinco meses de intensa pesquisa nos Estados Unidos propiciaram o retorno ao Brasil com a tese pronta, mas essa somente seria defendida em outubro de 2012, por conta das atribuições profissionais assumidas desde a volta. Em fevereiro de 2012 Christian se distanciou da docência e pesquisa por alguns meses para desenvolver projetos frente à BM&F-Bovespa e Seguros Unimed como consultor sênior da Elo Group.

Defendido o doutorado, foi convidado para apresentar o novo modelo de redes multidimensionais baseado em SNA e Teoria dos Jogos em eventos importantes na Europa e Estados Unidos, mas por conta de compromissos de trabalho somente pode fazê-lo no Congresso do Laboratório Europeu de Economia Regional em 2012, na Espanha. Apesar de confirmado como palestrante no evento do Laboratório Europeu de 2013 no Reino Unido, não pode viajar por outros compromissos profissionais.

Hoje, Christian atua como pesquisador efetivo do Center of Organizational Studies da FEA-USP, do Grupo de Sistemas da FEARP-USP e do Regional Economics Application Laboratory da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, pelo qual participa periodicamente de conversações e congressos sobre economia de redes e desenvolvimento regional.

A T4 Corp

Christian retornou a Ribeirão em dezembro de 2012 para fundar a T4 Corp, empresa da família Zaher, que tem como presidente a Diretora Executiva do grupo SEB, Thamila Zaher. A missão de Thamila para Christian foi bastante simples: criar uma empresa jovem e inovadora de guarda documental, que estivesse alinhada com o momento atual da economia brasileira. Empreendedora desde o berço, Thamila acreditava que seria possível crescer no setor de documentação com uso de boas práticas de BPM e governança focada em qualidade e gestão de custos.

A T4 surgiu em um período de transformação econômica para o Brasil. Após longos anos de bonança, a economia retornava a um patamar de estagnação que forçava as organizações ao corte de custos. Mesmo com o cenário macroeconômico instável, a empresa decolou e conseguiu se tornar a mais completa empresa de documentação de Ribeirão Preto e região, com duas unidades documentais que estão entre as mais modernas do país.

A T4 conta em seu quadro com alguns egressos do Curso de Ciência da Informação e Documentação da USP Ribeirão, tais como Raphael Valente (formado em 2008) e Franciele Pereira (formada em 2014), e outros egressos já passaram por lá, como o Marlon Francis (formado em 2014). Christian acredita que até 2020 a T4 seja uma das 8 maiores empresas de documentação do país, pretensão declarada no movimento de expansão iniciado para a capital paulista e outros estados brasileiros como Rio de Janeiro e Goiás. A T4 tenta romper um tradeoff até então considerado intransponível: alinhar qualidade e baixo custo em um mesmo conjunto de soluções para gestão documental. Esse tem sido o desafio de Christian, e o objetivo da T4.

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Entrevista feita por Ana Santana, em 20/06/2015.

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Ana Camillo … “Mudando o conceito de gestão de documentos no 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto”

  • Ana Claudia Messias Camillo, bacharel em Administração – Centro Universitário Barão de Mauá (2002); Bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia – Universidade de São Paulo (2010); Graduanda em Direito – Centro Universitário Barão de Mauá e Especializanda em Gestão Estratégica de Pessoas – Centro Universitário SENAC.

Em 11 anos de trabalho para uma grande rede de venda de pneus e serviços automotivos, onde começou como estagiária, Ana teve a oportunidade de cursar a graduação em Administração que foi financiada pela própria instituição através de um programa de incentivo. Com a intenção de buscar novas perspectivas, prestou vestibular da Fuvest e em 2006 começou a cursar Ciência da Informação e da Documentação e Biblioteconomia na USP/RP.

“Estar novamente em um ambiente universitário e cercada de tantos talentos realmente foi algo muito motivante.”

A seguir o relato do início da carreira da Ana na área da Ciências da Informação e Documentação:

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Ana Camillo

“Minha trajetória profissional em Ciência da Informação começou no final de 2009, quando atendi um telefonema de um cliente que buscava solução para a compra de pneus para seu carro. Era um carro importado e a loja em que eu trabalhava não disponha de estoque para atendê-lo. Os pneus para aquele modelo de veículo do fabricante que eu representava eram de fabricação alemã e não havia previsão de data para chegarem no Brasil.

Como eu não tinha mercadoria para atender aquele cliente e questionada por ele, fiz o que eu mais gosto de fazer: resolver problemas. Ofereci a ele a solução que resolveria a questão: informações técnicas de marcas, medidas, onde encontraria na concorrência, telefones, endereços e contatos. Não sabia com quem estava falando e fiz o que eu faria normalmente por qualquer cliente que me trouxesse uma questão em que a resposta estivesse ao meu alcance. O cliente gostou muito do atendimento e quis saber quem eu era e o que fazia e tive a oportunidade falar do Curso de Ciência da Informação e Documentação. Ele disse que tinha um projeto e deste atendimento surgiu o convite para um novo trabalho. O cliente em questão era o Dr. Oscar Paes de Almeida Filho, Oficial Delegado do 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto.

Pedi demissão do antigo trabalho e comecei a trabalhar no 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto em janeiro de 2010. O trabalho dos Cartórios de Registro Civil é um trabalho belíssimo: é um grande centro de documentação, onde são registrados atos da vida civil: nascimento, casamento, óbito, interdição, emancipação e outros atos notariais como procurações e reconhecimento de firmas. O critério de entrada dos registros e arquivos é a legislação vigente no país. O Cartório não guarda apenas documentos e registros: arquivamos vidas, famílias, direitos, segurança documental, veracidade, fé pública, mas do que isso, o Cartório de Registro Civil é garantia de uma sociedade livre, justa, solidaria e democrática de direitos.

Nestes quase cinco anos trabalhando no 1º Cartório de Registro Civil tive a oportunidade de participar de muitos projetos de sucesso nas áreas gestão, automação de processos, marketing, relacionamento com clientes externos e internos além de projetos sociais.”

Sobre os projetos realizados e a Fundamental Gestão de Documentos:

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Da esquerda pra direita: Rodrigo Lima – funcionário e aluno do CID USP; Gilson Arruda – funcionário e aluno Direito UNIP; Ana Camillo – funcionária e personagem principal da nossa matéria e Pedro Falsarella – funcionário e aluno Economia Moura Lacerda.

“Os projetos que mais destacam na área de Ciência da Informação foram: atualização de bases de dados, criação de índices informatizados, emissão de Certificados Digitais Rede ICP -Brasil e digitalização e disponibilização do acervo em software de Gestão Eletrônica de Documentos. O acervo do 1º Cartório iniciou em 1889. Todo este trabalho reflete em um melhor atendimento para usuário e redução de custos para a serventia.

O Registro Civil Brasileiro vive projetos inéditos: hoje as bases de dados com índices estão interligadas nos Estados de São Paulo, Acre, Espirito Santo, Goiás e Santa Catarina e para estes Estados é possível solicitar certidões sem sair de casa.

Da experiência no 1º Cartório de Registro Civil surgiu a Fundamental Gestão de Documentos: uma empresa de Gestão Documental, que está iniciando, mas conta com uma equipe de 4 funcionários e além do 1º Cartório atende outros Cartórios de Ribeirão Preto e região. Nosso sonho é crescer e tornarmos referência de qualidade, segurança e confiança no setor.”

Ana finaliza seu relato com um recado especial aos alunos de Ciência da Informação e Documentação:

“Para os alunos de Ciência da Informação e Documentação que leem este texto digo: não desanimem. O caminho é árduo, mas é gratificante. Sabe aquela aula de automação de bibliotecas que parece chata? Os conceitos de automação que são ensinados nesta matéria podem ser aplicados não só em bibliotecas mas em vários outros ramos de atividade. Aulas sobre o prédio do arquivo e técnicas de preservação? Aulas de Linguística e História? Você vai usar, tenha certeza.

Seja atuando em Bibliotecas, Centros De Documentação, Museus, Hospitais ou na Gestão de Organizações enxergo mercado para alunos oriundos do Curso de Ciência da Informação pois há uma grande carência deste profissional. Cabe a nós, alunos, professores e alunos egressos divulgar este maravilhoso curso e explorar mais as possibilidades. Tenho certeza que temos muito a contribuir.”

Entrevista feita por Ana Santana, em 03/12/2014

Hugo Abud .. “Gibiteca Henfil do Centro Cultural São Paulo”

  • Hugo Leonardo Abud, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto

A trajetória do Hugo até se tornar coordenador da Gibiteca Henfil do Centro Cultural de São Paulo começou em 2004 quando ingressou na Universidade de São Paulo, no curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia, onde desenvolveu estágios e projetos de pesquisa nas três grandes áreas que compreendem a Ciência da Informação: a Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Em janeiro de 2009, um ano após sua formação, entrou na Prefeitura do Município de São Paulo e em maio do mesmo ano assumiu a coordenação da Gibiteca Henfil do Centro Cultural São Paulo:

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“Em 2013 fui convidado pela diretoria do Centro Cultural São Paulo a coordenar a Divisão de Coleções Especiais do Centro Cultural São Paulo, esta divisão compreende além da Gibiteca Henfil, a Biblioteca Louis Braile, a Sala de Leitura Infanto-Juvenil e a unidade de Recursos Audiovisuais. Esta divisão conta com 26 servidores públicos, alguns inclusive cegos que atendem na biblioteca braile tais como: bibliotecários, copistas em braile, professores, instrutores culturais, funcionários de carreira e admitidos. Além de exercer a coordenação desta grande divisão concomitante a esse trabalho também acumulo a função na coordenação da Gibiteca Henfil.”

A Gibiteca Henfil uma homenagem ao desenhista, jornalista e escritor Henrique de Souza Filho, mais conhecido como Henfil, foi inaugurada no dia 3 de maio de 1991 na Biblioteca Infanto-Juvenil Viriato Corrêa. Com o grande aumento do acervo através de doações, a Gibiteca Henfil tornou-se a maior instituição do gênero no país, e em 1999 foi transferida para o Centro Cultural São Paulo virando uma das seções da Biblioteca Sérgio Milliet.

O acervo da Henfil é composto por álbuns, revistas e livros de HQ, de RPG, fanzines e recortes de periódicos, totalizando 10.446 títulos e 119.124 exemplares e publicações dos anos 50 e 60 das editoras Brasil América (EBAL), Adolfo Aizen, Rio Gráfica (RGE), Roberto Marinho, La Selva, Vecchi, Trieste/SP entre outros.

Hugo destacou duas exposições que ocorreram na Gibiteca Henfil: “O espírito vivo de Will Eisner” e “Heróis Urbanos”.

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“O espírito vivo de Will Eisner”

“O espírito vivo de Will Eisner”: ficou em cartaz de 15 à 18 de novembro  de 2011, e contou com 107 desenhos originais da coleção do norte-americano Will Eisner, e o destaque da exposição foi uma estátua me bronze de 38 centímetros do personagem principal do quadrinista, detetive mascarado Spirit. links: http://www.select.art.br/article/da_hora/o-espirito-vivo-de-will-eisner-em-sp  http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/comunicacao/noticias/?p=113017  https://www.facebook.com/media/set/?set=a.284455951661126.30439852.281587595281295&type=3

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“Heróis Urbanos”

“Heróis Urbanos”: ficou em cartaz de 11 à 28 de outubro de 2012, composta por 18 painéis fotográficos em que um um boneco de 30 com de super-herói dos quadrinhos, filmes e games se misturam a pontos turísticos de São Paulo, da fotógrafa Katia Arantes. links:
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,mostra-fotografica-exibe-super-herois-em-pontos-turisticos-da-cidade-de-sp,929375 http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/comunicacao/noticias/?p=107926

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“4º UgraZine Fest”

Além dessas e outras exposições, a Gibiteca Henfil promoveu  a 3º UgraZine Fest 2013 um evento anual que reúne fanzines (uma revista editada por fã) e publicações independentes. Com dois dias de atividades, palestras, oficinas, debates, exibição de documentários, entre outros. Essa edição foi indicada como melhor evento de 2013 ao prêmio HQ Mix, o “Oscar” dos HQ’s no Brasil, ficando na terceira colocação. A 4º UgraZine Fest já tem data marcada, será nos dias 20 e 21 de setembro, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).  links:
http://intervalobanger.com/fanzines/3o-ugra-zine-fest-no-centro-cultural-sao-paulo/ https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151559335869558.1073741829.351813724557&type=3

A seguir, trechos da entrevista com o Hugo, em que ele relata como se adaptou ao tema HQ e suas contribuições para a melhoria das bibliotecas públicas de São Paulo em relação a linguagem e técnicas de catalogação para HQ:

“Outro grande desafio que tive na qualidade de coordenador da Gibiteca Henfil foi o de inserir a linguagem das Histórias em Quadrinhos no Sistema Municipal de Bibliotecas Públicas da Cidade de São Paulo, a pedido dos colegas bibliotecários e principalmente da diretoria de processamento de dados (Rede de Bibliotecas + 150 bibliotecas) da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Fui e ainda sou responsável por treinar bibliotecários, auxiliares de bibliotecas e operacionais numa linguagem pouco conhecida por eles que são as HQs e hoje todas as bibliotecas da cidade de São Paulo possuem histórias em quadrinhos em seus acervos. Uma grande vitória para uma linguagem que até então era pouco valorizada na cultura pelos profissionais de bibliotecas, foi de fato e está sendo gradativamente um grande desafio em minha carreira profissional”.

“Após um tempo e inevitavelmente eu teria que me inserir de vez na relação “Práticas Biblioteconômicas e Histórias em Quadrinhos”, atualmente sou membro do Núcleo de Catalogação do Sistema Municipal de Bibliotecas e exerço principalmente esta ponte entre HQs e as técnicas de Catalogação utilizadas na rede de bibliotecas; a partir destas práticas e de minha experiência em equipe pude escrever um artigo para o I Encontro Nacional de Catalogadores e III Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação no Rio de Janeiro (Biblioteca Nacional 2012); neste artigo apresentei a metodologia de classificação e catalogação utilizada no Sistema Municipal de Bibliotecas da Cidade de São Paulo”.

“Venho ao longo do tempo propondo medidas administrativas que buscam inovar o papel dos servidores públicos frente a novos desafios da tecnologia e que são essenciais na organização da Gibiteca”.

Entrevista na Íntegra e artigos relacionados: https://www.dropbox.com/sh/d9shxb2ycrwt2bo/AAB-KDsX6zFj2BYu4yQJeb8Va?dl=0

Facebook Gibiteca Henfil: https://www.facebook.com/gibiteca.henfil?fref=ts

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/08/2014

Haroldo Beraldo .. “Geladeiroteca: consuma aqui e alimente seu espírito” e “Todo dia é dia de ler”

Projetos: “Geladeiroteca: consuma aqui e alimente seu espírito” e “Todo dia é dia e ler”

  • Haroldo Luís Beraldo, bacharel em Ciências Sociais/UFSCar e Ciências da Informação e da Documentação USP/Ribeirão Preto

Nesse post, o Haroldo vai contar pra gente como começou o seu envolvimento com livros e literatura, sobre os dois projetos que elaborou e executou na Biblioteca General Álvaro Tavares Carmo e como isso repercutiu na cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo.

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“A minha trajetória com projetos que envolvem o livro e a leitura se iniciou em 2007, quando coloquei em prática na 5ª Feira do Livro de Sertãozinho o “Traça da Praça”, um sebo de livros onde as pessoas adquiriam livros e gibis por preços simbólicos ou trocavam materiais, doando um livro para o projeto e levando outro pra casa.

Em 2008 formei-me em Ciências Sociais pela UFSCar e em 2010 entrei no curso de Ciências da Informação e da Documentação na USP/Ribeirão Preto. A princípio tudo indicava que as demandas de trabalho não ultrapassavam o atendimento de balcão, além da retirada e reposição do acervo nas estantes. Entretanto, muita coisa estava por acontecer.

No início de 2013, saiu um edital do MinC (Ministério da Cultura) que possibilitava uma série de municípios a terem seus Pontos de Leitura. Isso consistia em uma premiação de R$20.000,00 (Vinte mil reais) para cada Ponto a serem aplicados de acordo com as diretrizes estabelecidas nos projetos dos proponentes.Em Sertãozinho tivemos duas possibilidades de contemplação com Pontos de Leitura e uma das propostas escolhidas foi o “Todo dia é dia de ler”, projeto a ser colocado em prática na biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo.”

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“Basicamente, a ideia do projeto consiste numa carcaça de geladeira customizada com recortes de enciclopédias e gibis onde ficam disponíveis vários livros para retirada livre e gratuita por parte da população. O projeto girou durante os quatro dias da Feira do Livro e nesse ínterim foram repassados à comunidade mais de 400 livros, todos captados na biblioteca por meio de doações.

Para a nossa surpresa, o projeto foi um sucesso, gerando repercussão na mídia local e regional, com matérias de jornais e televisivas. Para que a ideia não ficasse limitada à Feira do Livro, estabelecemos uma parceria com uma associação de bairros de Sertãozinho que tem sede em um clube esportivo do município. Dessa forma, acabamos dando continuidade no projeto atendendo aproximadamente 800 pessoas que usam o clube e participam das atividades desenvolvidas no mesmo. Foi a maneira que encontramos de fazer com que nosso trabalho repercutisse na população e se mantivesse ativo.”

“Todo dia é dia de ler”

“A ser colocado em prática na biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo, basicamente estipulamos que parte do nosso investimento seria para potencializar o acervo atendendo a demandas de curso superiores e técnicos existentes em instituições de ensino público e privado no município de Sertãozinho, além de livros de literatura universal, 1622289_296150920538314_1716721980_oinfantojuvenil, histórias em quadrinhos e audiolivros. Também tivemos a preocupação em investir na estrutura física da biblioteca criando um novo espaço de 14m² com guarda-volumes e estantes para livros infantis. E, por fim, parte do prêmio foi direcionado para adquirirmos equipamentos multimídia com o intuito de oferecer diferentes tecnologias para nossos usuários e visitantes. Dentre as ofertas estão um tablet e dois e-readers.

Durante o período de vigência do Ponto de Leitura “Todo dia é dia de ler”, participamos pela segunda vez de uma edição da Feira do Livro de Sertãozinho com o estande da biblioteca Gen. Alvaro Tavares Carmo”.

O Haroldo me enviou também, links das matérias online que saíram sobre a Bibliteca General Álvaro Tavares Carmo e os projetos desenvolvidos nela, por ele.
Facebook: https://www.facebook.com/BibliotecaCanaoeste
Links: http://www.canaoeste.com.br/conteudo/cruz-das-posses-sedia-entrega-de-pontos-de-leitura-sertanezinos-164139; http://www.abasertaozinho.com.br/aba/index.php/noticias/239-geladeiroteca-e-lancado-oficialmente; http://www.blogdogaleno.com.br/2013/11/27/em-sertaozinho-sp-tem-livro-ate-na-geladeira.

Entrevista feita por Ana Santana, em 24/04/2014

EDITADO EM 23/12/2014

O projeto do aluno Haroldo Beraldo foi premiado com o “Prêmio Vivaleitura 2014!”, tendo recebido das mãos da Ministra da Cultura, interina, Ana Cristina Wanzeler, em cerimônia realizada no dia 16/12 no Salão Nobre na Câmara dos Deputados. O projeto da Geladeiroteca esteve entre os 998 projetos inscritos que representaram todas as regiões do Brasil e o egresso Haroldo e sua geladeiroteca ficaram entre os cinco melhores projetos na categoria de Bibliotecas públicas, privadas e comunitárias

Paula, Jeane e Camila .. “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac”

Projeto “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac”

Alunos participantes do projeto:

  • Paula Castro, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia
  • Jeane Silva, bacharel e Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia
  • Camila Signorini, licenciada em Pedagogia
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Paula

Tudo começou quando Paula, Camila e Jeane fizeram uma oficina de elaboração de projetos culturais no Memorial da Classe Operária – UGT, em Ribeirão Preto. Através desse projeto a Paula teve acesso uma grande listade bibliotecas públicas de Ribeirão Preto que estavam desativadas, e comentando coma colega de curso Jeane Silva e a Camila Signorini do curso de pedagogia, resolveram juntas elaborar um projeto que tivesse como objetivo central reativar uma dessas bibliotecas públicas.

Foi assim que surgiu o projeto “Reativação e Inserção da comunidade na Biblioteca Olavo Bilac” desenvolvido no período de fevereiro de 2013 a novembro de 2013, projeto este contemplado no Edital n.º 011/2012 do Programa de Incentivo Cultural 2013 da Prefeitura e Secretaria Municipal de Cultura de Ribeirão Preto.

A Biblioteca Municipal Olavo Bilac foi inaugurada em 2003, na Administração Regional da Vila Tibério, como parte integrante do Programa Ribeirão das Letras, 1233603_1407588632801531_1921006809_nque tinha como objetivo incentivar a leitura na cidade de Ribeirão Preto/SP. A Paula me contou que mesmo a biblioteca desativada até intervenção do projeto contemplado pelo PIC 2013, ela possuía um acervo com livros bem conservados, boa localização, pois fica próxima da área central da cidade e uma estrutura física passível de reativação a partir de políticas públicas e projetos adequados. Atualmente, a biblioteca possui um acervo de aproximadamente 1.700 ex emplares, que em sua maior parte é composto por doações de moradores do bairro e sujeitos que utilizam os serviços (assistência jurídica, IPTU, CPFL,37105_1407588726134855_1722482965_n Departamento de Água e Esgoto, dentre outros) da Administração Regional.

Segundo Paula, “A intenção era construir um espaço de referência de propagação do saber e do ensinar, ofertando aos seus frequentadores um meio de acessar as fontes de informações e também proporcionar um local para divulgação e propagação de manifestações culturais da comunidade local. A proposta tinha como objetivo fazer com que os sujeitos se sentissem pertencentes ao espaço, reconhecendo a necessidade de manter o funcionamento do local, assim como atividades que ocupem o mesmo, aproximando a comunidade deste espaço da Biblioteca.”

Junto com a organização física da biblioteca houve uma preocupação com a organização de oficinas e atividades culturais, como entre outras: aula do livro (literatura para vestibular), oficinas de e arte atividades diárias com as crianças e mostra cultural. Assim foi desejado por elas, 1411_1436486413245086_17367765_naproximar a comunidade do espaço cultural, tornando ele um meio de lazer, conhecimento e aprendizagem. Paula me mostrou números que demonstra que os frequentadores da bibliotecas aumentaram entre os meses de Setembro e Novembro de 2013, e que o público predominante foi o infantil, com crianças entre de 3 a 12 anos e todas matriculadas em escolas públicas.

Hoje após a finalização do projeto, a Biblioteca continua ativa aos cuidados de uma pedagoga voluntária e funcionários públicos da Administração Regional da Vila Tibério que não são formados na área de Biblioteconomia. Elas acreditam que esta preocupação em manter a biblioteca ativa deveu-se a todo o processo de reativação que proporcionou a ocupação do espaço por parte do público.

Em “off” a Paula me contou que existe hoje mais de 80 bibliotecas desativas em Ribeirão Preto.  

Site da biblioteca http://bibliotecaolavobilac.wix.com/biblio e Facebook https://www.facebook.com/olavo.bilac.5815?fref=ts.

O Professor José Eduardo Santarem Segundo, coordenador do Curso de Ciências da Informação e da Documentação, da USP de Ribeirão Preto, onde Paula e Jeane foram alunas, entende que este projeto caracteriza muito bem o papel social que a Universidade de São Paulo tem em formar profissionais integrados com a comunidade e principalmente com causas sociais importantes como o saber e a leitura. Diz ainda que a atitude das alunas mostra o lado empreendedor que o curso tem discutido muito nos últimos anos.

Entrevista feita por Ana Santana, em 26/01/2014

Começamos mais um projeto, mais uma história.. muitos capítulos virão!!

Caros leitores, este novo blog nasce de uma iniciativa acadêmica, na perspectiva de apresentar projetos e ideias de alunos que passam pelo Curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (USP-RP).

O objetivo é levar até a comunidade geral (acadêmica, especializada na área ou sem conhecimento algum do assunto) os trabalhos que são desenvolvidos pelos alunos do curso. Serão apresentados trabalhos realmente empreendedores que os alunos desenvolvem através de projetos de pesquisa ou de extensão, enquanto alunos ou mesmo depois já como egressos do curso.

O mais importante é sempre divulgar uma gama imensa de trabalhos relevantes que são produzidos e raramente são comunicados à sociedade.

Espero sinceramente que possamos apresentar grande ideias a comunidade e que também possamos estimular a criatividade e o desenvolvimento empreendedor de nossos alunos.

Até mais,

Prof. Dr. José Eduardo Santarem Segundo