Rosângela Galdino… Trajetória e experiências: da biblioteca escolar para o IFSP

Nasci na pequena e pacata cidade de Tambaú, localizada a 115 km de Ribeirão Preto e famosa pelo Padre Donizetti, o “padre milagroso” que até hoje atrai milhares de fiéis ao município.

Sempre amei matemática, mas quando fui escolher um curso para o vestibular, preferi a área de humanas. Optei pelo CID após ler o manual, achar atraente a sua multidisciplinaridade e localização (Ribeirão Preto), além de ser curso recém-criado na época, com muitos atrativos e pouca concorrência.

Iniciei o curso em 2005, com grandes expectativas e como muitos jovens, totalmente perdida ao morar longe da família. Essa foi uma época de novas descobertas e amadurecimento. O curso ainda passava por contratações de professores, mudanças na grade disciplinar, mas havia grande interação entre a maioria dos alunos de todas as turmas e inclusive com a Pedagogia, já que tínhamos aulas no mesmo prédio.

Naquela época não havia tantas bolsas na USP, então a disputa era alta pelas que existiam. Passei o primeiro ano me dedicando apenas às disciplinas. No segundo, juntamente com outros colegas e com orientação da Profa. Lucília, participei como voluntária na organização da biblioteca que atendia ao assentamento Mário Lago do MST, minha primeira experiência na área. Posteriormente, fiz estágio no Museu Histórico da FMRP com orientação da Profa. Sílvia por um ano e monitoria na pró-aluno da FFCLRP por dois anos.

Acredito que minha turma tenha sido a primeira do CID em que a maior parte dos alunos não tinha outra atividade além de estudar, portanto, nos envolvíamos mais em atividades extraclasses e movimentos estudantis. Participei da bateria da Filô, CECID, CAFi, Atlética, fui representante discente na COC CID, fiz aulas no CEFER, além de ir aos Encontros de Estudantes de Biblioteconomia e de fazer vários cursos oferecidos pelo câmpus da USP de Ribeirão Preto.

galdino-blogAs disciplinas técnicas do nosso curso e as disciplinas que eram oferecidas para o CID por professores de outros cursos (ênfase) foram as que exigiram maior dedicação durante a minha graduação. Os conhecimentos que adquiri durante o curso, juntamente com as experiências adquiridas dessa vivência universitária, guiaram-me em minha vida profissional e acadêmica.

Durante a graduação sempre tive grande admiração pela Profa. Giulia e isso me levou a ser sua orientanda. Apaixonada por cinema, optei por pesquisar sobre os cineteatros e cinemas de Ribeirão Preto (equipamentos culturais da modernidade). A oportunidade de pesquisar algo de que realmente gostava tornou a atividade ainda mais prazerosa. O trabalho foi solicitado por alguns pesquisadores nos últimos anos, inclusive por um funcionário do MIS de Ribeirão Preto.

Após a apresentação do TCC e com a formatura é que veio a dúvida: o que fazer agora? Nos primeiros meses fiz algumas entrevistas e consegui uma vaga na UNIP de São José do Rio Pardo. Não foi muito fácil no início, não estava preparada para as dificuldades em lidar com a chefia e a equipe da biblioteca. Infelizmente, não é sempre que somos bem recebidos nesses locais, ainda há preconceitos ou desconhecimento quanto à profissão. Nos primeiros meses foi um grande desafio desenvolver as atividades rotineiras da função de bibliotecário, mas com o apoio da coordenadora de bibliotecas e de alguns colegas bibliotecários de outras unidades, fui adquirindo conhecimentos, me tornei mais confiante no trabalho e isso simplificou/ facilitou minha vida no trabalho.

Em 2010 comecei a participar de processos seletivos para concursos públicos, mas apesar de me classificar, não fui nomeada e em 2012 decidi participar do processo seletivo do SESI-SP. Alguns amigos já trabalhavam e me incentivaram. Passei e optei pela unidade de Santa Bárbara d’Oeste.

A biblioteca estava fechada havia alguns anos e cheguei com a missão de “fazer funcionar”. O SESI possuía alguns procedimentos que deveriam ser desenvolvidos em todas as bibliotecas, o empréstimo de livros era intercalado com atividades de incentivo à leitura ou que complementassem os assuntos trabalhados em sala de aula (solicitadas pelos professores). O principal desafio foi descobrir quais atividades realizar com as crianças e como realizar parcerias com os professores.

Conversei com colegas das outras escolas da rede para saber o que faziam, como envolviam os professores nas atividades e foi muito proveitosa essa troca de experiências, pois me ajudaram com ideias para realizar atividades de incentivo à leitura, entre outras. Os primeiros seis meses foram mais difíceis, pois foi preciso incutir o hábito de ir à biblioteca não só nos alunos, mas na maioria dos professores.

Felizmente deu certo. O trabalho de parceria funcionou, os professores solicitavam o tema que queriam que fosse trabalhado nas atividades da semana e eu desenvolvia (pequenos vídeos, palavras-cruzadas, caça-palavras, pequenos textos, jogos, etc.). A biblioteca não ficava mais vazia e era realmente prazeroso ver o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos.

Adorava trabalhar no SESI, tanto que quando fui nomeada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) fiquei em dúvida se deveria aceitar. No entanto, considerando não apenas o salário, mas os benefícios, como incentivo à qualificação, possibilidade de afastamento para fazer a pós-graduação, jornada flexibilizada (trabalhar 6 horas diariamente), entre outros, havia ainda a estabilidade do serviço público.

Estou no IFSP Câmpus Capivari desde 2014. Assumi a vaga juntamente com outra bibliotecária e mais duas auxiliares de biblioteca. O acervo não havia passado pelo processamento técnico, os empréstimos eram realizados pelo ISBN e a organização nas estantes era por assunto, mas pelos critérios que apenas uma pessoa entendia (quem havia organizado).

As bibliotecas do IFSP ainda passam por várias mudanças, pois transformaram-se em rede no ano de 2014/2015. Atualmente o IFSP utiliza o sistema Pergamum para gerenciar o acervo de sua rede de bibliotecas. Já foram implementados alguns documentos (regulamento, política de desenvolvimento de coleções, catalogação, entre outros) que visam melhorar e unificar os procedimentos que são realizados por todos os bibliotecários que compõe a rede. Esse avanço deu-se, principalmente, pelo trabalho realizado pela coordenadora de bibliotecas que atua na reitoria.

Já trabalhei em biblioteca universitária, escolar e atualmente atuo em uma biblioteca mista, já que atende o ensino médio-técnico, graduação e pós-graduação, além da comunidade em geral. Todas contribuíram para meu crescimento e amadurecimento profissional, sou grata pela minha jornada trilhada até o momento. Estou satisfeita com o trabalho e no próximo ano começarei a trabalhar no IFSP Câmpus Piracicaba (outra vantagem do IFSP é a possibilidade de remoção entre os câmpus do Estado de São Paulo). Pretendo ainda dar continuidade à vida acadêmica com a pós-graduação.

Acredito que o perfil dos alunos que entram no curso mudou, mas independente disso, eu diria: aproveitem! Aproveitem as aulas, a disposição dos professores em ensinar, os estágios, os eventos na área, enfim, aproveitem tudo o que a USP oferece. Se o interesse é por disciplinas da área de administração, façam disciplinas na FEA, corram atrás, façam acontecer…

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Rosângela Galdino… Trajetória e experiências: da biblioteca escolar para o IFSP

Nasci na pequena e pacata cidade de Tambaú, localizada a 115 km de Ribeirão Preto e famosa pelo Padre Donizetti, o “padre milagroso” que até hoje atrai milhares de fiéis ao município.

Sempre amei matemática, mas quando fui escolher um curso para o vestibular, preferi a área de humanas. Optei pelo CID (Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação, na época o nome era Ciências da Informação e da Documentação) após ler o manual, achar atraente a sua multidisciplinaridade e localização (Ribeirão Preto), além de ser curso recém-criado na época, com muitos atrativos e pouca concorrência.

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Iniciei o curso em 2005, com grandes expectativas e como muitos jovens, totalmente perdida ao morar longe da família. Essa foi uma época de novas descobertas e amadurecimento. O curso ainda passava por contratações de professores, mudanças na grade disciplinar, mas havia grande interação entre a maioria dos alunos de todas as turmas e inclusive com a Pedagogia, já que tínhamos aulas no mesmo prédio.

Naquela época não havia tantas bolsas na USP, então a disputa era alta pelas que existiam. Passei o primeiro ano me dedicando apenas às disciplinas. No segundo, juntamente com outros colegas e com orientação da Profa. Lucília, participei como voluntária na organização da biblioteca que atendia ao assentamento Mário Lago do MST, minha primeira experiência na área. Posteriormente, fiz estágio no Museu Histórico da FMRP com orientação da Profa. Sílvia por um ano e monitoria na pró-aluno da FFCLRP por dois anos.

Acredito que minha turma tenha sido a primeira do CID em que a maior parte dos alunos não tinha outra atividade além de estudar, portanto, nos envolvíamos mais em atividades extraclasses e movimentos estudantis. Participei da bateria da Filô, CECID, CAFi, Atlética, fui representante discente na COC CID, fiz aulas no CEFER, além de ir aos Encontros de Estudantes de Biblioteconomia e de fazer vários cursos oferecidos pelo câmpus da USP de Ribeirão Preto.

As disciplinas técnicas do nosso curso e as disciplinas que eram oferecidas para o CID por professores de outros cursos (ênfase) foram as que exigiram maior dedicação durante a minha graduação. Os conhecimentos que adquiri durante o curso, juntamente com as experiências adquiridas dessa vivência universitária, guiaram-me em minha vida profissional e acadêmica.

Durante a graduação sempre tive grande admiração pela Profa. Giulia e isso me levou a ser sua orientanda. Apaixonada por cinema, optei por pesquisar sobre os cineteatros e cinemas de Ribeirão Preto (equipamentos culturais da modernidade). A oportunidade de pesquisar algo de que realmente gostava tornou a atividade ainda mais prazerosa. O trabalho foi solicitado por alguns pesquisadores nos últimos anos, inclusive por um funcionário do MIS de Ribeirão Preto.

Após a apresentação do TCC e com a formatura é que veio a dúvida: o que fazer agora? Nos primeiros meses fiz algumas entrevistas e consegui uma vaga na UNIP de São José do Rio Pardo. Não foi muito fácil no início, não estava preparada para as dificuldades em lidar com a chefia e a equipe da biblioteca. Infelizmente, não é sempre que somos bem recebidos nesses locais, ainda há preconceitos ou desconhecimento quanto à profissão. Nos primeiros meses foi um grande desafio desenvolver as atividades rotineiras da função de bibliotecário, mas com o apoio da coordenadora de bibliotecas e de alguns colegas bibliotecários de outras unidades, fui adquirindo conhecimentos, me tornei mais confiante no trabalho e isso simplificou/ facilitou minha vida no trabalho.

Em 2010 comecei a participar de processos seletivos para concursos públicos, mas apesar de me classificar, não fui nomeada e em 2012 decidi participar do processo seletivo do SESI-SP. Alguns amigos já trabalhavam e me incentivaram. Passei e optei pela unidade de Santa Bárbara d’Oeste.

A biblioteca estava fechada havia alguns anos e cheguei com a missão de “fazer funcionar”. O SESI possuía alguns procedimentos que deveriam ser desenvolvidos em todas as bibliotecas, o empréstimo de livros era intercalado com atividades de incentivo à leitura ou que complementassem os assuntos trabalhados em sala de aula (solicitadas pelos professores). O principal desafio foi descobrir quais atividades realizar com as crianças e como realizar parcerias com os professores.

Conversei com colegas das outras escolas da rede para saber o que faziam, como envolviam os professores nas atividades e foi muito proveitosa essa troca de experiências, pois me ajudaram com ideias para realizar atividades de incentivo à leitura, entre outras. Os primeiros seis meses foram mais difíceis, pois foi preciso incutir o hábito de ir à biblioteca não só nos alunos, mas na maioria dos professores.

Felizmente deu certo. O trabalho de parceria funcionou, os professores solicitavam o tema que queriam que fosse trabalhado nas atividades da semana e eu desenvolvia (pequenos vídeos, palavras-cruzadas, caça-palavras, pequenos textos, jogos, etc.). A biblioteca não ficava mais vazia e era realmente prazeroso ver o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos.

Adorava trabalhar no SESI, tanto que quando fui nomeada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) fiquei em dúvida se deveria aceitar. No entanto, considerando não apenas o salário, mas os benefícios, como incentivo à qualificação, possibilidade de afastamento para fazer a pós-graduação, jornada flexibilizada (trabalhar 6 horas diariamente), entre outros, havia ainda a estabilidade do serviço público.

Estou no IFSP Câmpus Capivari desde 2014. Assumi a vaga juntamente com outra bibliotecária e mais duas auxiliares de biblioteca. O acervo não havia passado pelo processamento técnico, os empréstimos eram realizados pelo ISBN e a organização nas estantes era por assunto, mas pelos critérios que apenas uma pessoa entendia (quem havia organizado).

As bibliotecas do IFSP ainda passam por várias mudanças, pois transformaram-se em rede no ano de 2014/2015. Atualmente o IFSP utiliza o sistema Pergamum para gerenciar o acervo de sua rede de bibliotecas. Já foram implementados alguns documentos (regulamento, política de desenvolvimento de coleções, catalogação, entre outros) que visam melhorar e unificar os procedimentos que são realizados por todos os bibliotecários que compõe a rede. Esse avanço deu-se, principalmente, pelo trabalho realizado pela coordenadora de bibliotecas que atua na reitoria.

Já trabalhei em biblioteca universitária, escolar e atualmente atuo em uma biblioteca mista, já que atende o ensino médio-técnico, graduação e pós-graduação, além da comunidade em geral. Todas contribuíram para meu crescimento e amadurecimento profissional, sou grata pela minha jornada trilhada até o momento. Estou satisfeita com o trabalho e no próximo ano começarei a trabalhar no IFSP Câmpus Piracicaba (outra vantagem do IFSP é a possibilidade de remoção entre os câmpus do Estado de São Paulo). Pretendo ainda dar continuidade à vida acadêmica com a pós-graduação.

Acredito que o perfil dos alunos que entram no curso mudou, mas independente disso, eu diria: aproveitem! Aproveitem as aulas, a disposição dos professores em ensinar, os estágios, os eventos na área, enfim, aproveitem tudo o que a USP oferece. Se o interesse é por disciplinas da área de administração, façam disciplinas na FEA, corram atrás, façam acontecer…

Iandra Fernandes…sua paixão por conservação do acervo, os desafios que teve para obter informação para o seu TCC e sua carreira como bibliotecária.

Iandra Fernandes, Bacharel em Ciência da Informação e Documentação – USP/Ribeirão Preto. Bacharel em Comercio Exterior – Universidade Paulista.

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Meu nome é Iandra Fernandes, sou graduada em Comercio Exterior pela Universidade Paulista e em Biblioteconomia, Ciências da Informação e da Documentação pela Universidade de São Paulo campus de Ribeirão Preto, e vou dividir com vocês um pouquinho da minha trajetória durante a graduação no CID.

Desde muito pequena sempre me interessei por livros, mas os que mais me chamavam a atenção eram os livros antigos, sempre achei fabuloso o trabalho de restauradores, os trabalhos minuciosos me encantavam, para mim, a preservação da informação, a preservação da história do livro, o cuidado com o papel era fantástico. Por essa razão decidi fazer a faculdade de biblioteconomia, que seria a oportunidade de unir a paixão que tinha por livros e a vontade de conserva-los. Porém, para a minha surpresa, ao ingressar, descobri que o curso não oferecia nenhuma matéria, nem obrigatória e nem optativa, que abordasse o tema “preservação e conservação”, e isso foi muito frustrante, pois entrei na graduação já sabendo o que queria escrever em meu TCC, que a princípio seria sobre as bibliotecas monásticas e seus livros raros, especificamente sobre a biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo, que abriga uma das maiores coleções de livros raros. Foi aí que a Profa. Dra. Márcia Regina da Silva, minha orientadora, sugeriu que adaptássemos meu trabalho, por não haver um professor especialista em conservação para orientar, então, optei em abordar o tema: “preservação e conservação de acervos: formação e atuação do bibliotecário”.

Então, paralelo com a faculdade, fui buscar cursos especializados no assunto, palestras, simpósios, congressos, fazer visitas in loco em lugares que haviam laboratórios de conservação, conversei com pessoas da área e tudo que pudesse me agregar conhecimento, por acreditar que não deveria esperar somente da faculdade, já que queria conhecimento sobre o assunto, deveria buscar além das aulas, então, durante as férias viajava para São Paulo, já que em Ribeirão Preto não havia nada do tipo. Reuni todas as informações possíveis e iniciei junto ao meu TCC a iniciação cientifica no assunto. Durante uma pesquisa que fiz na FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), única faculdade na época, que oferecia a matéria de conservação e preservação como obrigatória, fui convidada a dar uma entrevista ao blog da intuição, dizendo sobre a importância de gerenciar o acervo com cuidado e a importância do bibliotecário para identificar algum tipo de problema.

Outro fato que me ajudou muito, foi que no mesmo período comecei a trabalhar na biblioteca da faculdade Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, como assistente de biblioteca, e algumas coisas que aprendia durante os cursos que participava, tentava aplicar no dia a dia, mas também encontrei barreiras para isso, visto que a bibliotecária da época ainda usava métodos bem rústicos e inadequados e não aceitava mudanças.

Assim segui a graduação, finalizei a iniciação cientifica e em 2013 apresentei o TCC, fui aprovada e para a minha surpresa, me senti honrada ao ouvir de um professor que meu trabalho não era um simples trabalho e sim um material que serviria de referência para os próximos alunos do curso, já que até então, ninguém havia escrito algo semelhante, ouvir isso de um professor foi muito gratificante e me serviu de estimulo para continuar.

Após a conclusão do curso, fui promovida em meu trabalho como bibliotecária gerente de todas as bibliotecas da Barão de Mauá e aí então, pude aplicar todas as técnicas e conhecimentos adquiridos durante a graduação. Treinei alguns colaboradores para a realização de pequenos reparos e formas de higienização do acervo e procuro sempre estar atualizada em novas técnicas que surgem.

Em outubro de 2014 me candidatei a apresentar um banner no II simpósio ABER|SENAI|MASP de inovação, desenvolvimento e tecnologia na preservação de acervos, fiquei imensamente feliz por me convidarem a participar como palestrante, onde pude falar sobre o meu trabalho para diversas pessoas da área, recebi muitos elogios dizendo que todos bibliotecários deveriam ter a mesma preocupação com a conservação do acervo.

Hoje, continuo atuando como bibliotecária na Universidade Barão de Mauá e sempre recebo convites para aplicar minicursos aos alunos do CID sobre preservação e conservação, participei também em 2015 da Semana de Estudos em Ciências da Informação e Documentação como palestrante. Nesse mesmo ano fui convidada, pelos alunos do curso de administração da Barão de Mauá, a ministrar uma palestra na XIV Semana de Administração, onde abordei o tema: “Desenvolvendo a liderança nas organizações”, relatei sobre minhas experiências profissionais e como lidero minha equipe na biblioteca.

Para o futuro pretendo fazer mestrado nessa mesma linha de pesquisa, e também uma especialização em restauro para me aprofundar cada vez mais nesse assunto.

Christian Carvalho Ganzert … “Da graduação, mestrado e doutorado à fundação da T4 Corp”

  • Christian Carvalho Ganzert, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – FFCLRP/USP. Mestre em Administração de Organizações – FEARP/USP. Doutor em Administração USP.

Esse post contará em detalhes a trajetória incansável e vitoriosa do Christian Ganzert. Trabalho, estudo e esporte foram, segundo Christian, as variáveis mais importantes para que pudesse manter o rumo de seus objetivos durante a fase inicial de sua vida produtiva. Fase essa que o levaria a fundar a empresa T4 Corp, especialista em digitalização e armazenagem de documentos.

Origens

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Christian Ganzert

Em 13 de fevereiro de 1979, Christian Carvalho Ganzert tornou-se o primeiro filho de um improvável casal da cidade de São Paulo. Sua mãe era caixa do extinto Banespa e seu pai músico profissional. Em meio às dificuldades típicas de famílias constituídas por casais jovens, foi criado ao lado de uma irmã caçula em diferentes bairros da capital paulistana, sempre estudando em escolas públicas do Estado e do Município. Em termos educacionais, acredita que sua maior sorte foi, aos nove anos de idade, ter estudado na Escola Municipal de Primeiro Grau Julio Mesquita, um dos poucos resquícios de educação pública de qualidade da cidade. Sua família se mudou para o Butantã, bairro da referida escola, região que contava com a proximidade da USP para fornecimento de mão de obra qualificada às escolas locais.

Dessa forma, apesar das limitações do orçamento educacional público, e das dificuldades relativas à condição econômica de sua família, conseguiu adquirir boas referências para sua formação inicial. Tanto pela necessidade quanto pela filosofia de sua mãe, começou a trabalhar cedo aos 14 anos de idade. Aproveitando-se da facilidade que tinha em lidar com novas tecnologias – já devorava livros de informática desde os dez – trabalhava como operador de redes em uma indústria de produtos químicos durante a semana e como arte-finalista aos finais de semana. Além do trabalho, o esporte era um de seus maiores interesses na época, tendo se tornado atleta de esgrima e competido em campeonatos nacionais e internacionais entre os 14 e os 17 anos.

Trajetória Profissional e Acadêmica

Christian ingressou na vida acadêmica pelo curso de graduação em Ciências Econômicas da Unicamp em 1997. Antes disso, terminou o curso técnico profissionalizante em Eletrônica da Fundação Paula Souza e, muito embora gostasse do trabalho com tecnologia, desde muito cedo ficou óbvio que seu caminho profissional seria na área de gestão e educação. Aos 19 anos encerraria o breve ciclo de trabalho operacional em TI para entrar por concurso no Banco do Brasil. Mesmo estudando em uma universidade pública, sua família não tinha recursos para lhe manter na cidade de Campinas. Apesar do currículo integral do Instituto de Economia, paralelamente ao curso na Unicamp desempenhou a função de Gerente de Expediente E.E. no Banco desde seu segundo semestre, tendo sido também encarregado na Superintendência São Paulo III. Lembra-se que sua principal impressão nessa época era de que o mundo corporativo destoava de quase tudo o que via em teoria na Universidade.

Após a escolha do tema da Monografia de Conclusão de Curso, “Corrida Espacial: Desdobramentos Econômicos do Embate Tecnológico entre potências”, foi surpreendido por uma promoção no trabalho, passando a Gerente de Relacionamento NR1 na principal unidade do Banco em Campinas, o que afastou-lhe dos estudos no último semestre de faculdade. Mais tarde, em 2001, abandonaria o Banco do Brasil para iniciar seu primeiro negócio, o Estúdio de Gravação BR-101 em Campinas, o que interromperia o seu relacionamento com a Unicamp.

Em 2003, por conta de um assalto às instalações do Estúdio, Christian teve que fechar seu primeiro negócio. A habilidade com línguas estrangeiras criou-lhe a oportunidade de uma experiência no comércio exterior. Após seis meses trabalhando como consultor para negócios internacionais para uma Holding de Gibraltar com filial no Brasil, chamada Ocean International Group, voltou a prestar concursos públicos, passando como técnico administrativo na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, Prodesp, mudando-se pela primeira vez para Ribeirão Preto. Em Ribeirão Preto, reapaixonou-se pela área de gestão e economia, especialmente de economia da informação. Finalmente, decidiu o que faria de sua vida: seria professor e pesquisador.

 Voltou à graduação no curso de Ciências da Informação da Universidade de São Paulo, USP, desenvolvendo pesquisas desde o primeiro ano na área de Economia Política da Informação e participando do circuito de encontros da Ulepicc. As pesquisas dessa época lhe aproximaram do Grupo de Sistemas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, o qual lhe incorporou em 2008 para iniciar o Mestrado em Administração de Organizações, na FEARP-USP. Casou-se nesse mesmo ano.

Por conta da dedicação ao Mestrado, teve que abrir mão da Prodesp, na qual à época já ocupava uma cadeira no Conselho Representativo de Empresa. Sem bolsa, começou a trabalhar como Professor em 2009, no Centro Universitário Moura Lacerda, nos cursos sequenciais e de Contabilidade, nas disciplinas Introdução à Economia e Mercado de Capitais. No mesmo ano, foi convidado pela USP para substituir em caráter emergencial ao Prof. Dr. Edberto Ferneda durante todo o segundo semestre na disciplina de Administração de Serviços de Informação do Curso de Ciências da Informação, do qual era egresso. Reelaborou todo o conteúdo do curso e ministrou as aulas durante todo o semestre, de forma voluntária, a pedido do coordenador da época, Cláudio Marcondes de Castro Filho, por quem tem especial gratidão.

No mesmo ano de 2009, Christian foi contratado pela Uniesp, para dar aulas no Curso de Engenharia de Produção, assumindo as disciplinas de Planejamento e Controle da Produção I e II, Higiene e Segurança do Trabalho e Simulação Aplicada à Engenharia de Produção. Ao final do ano, foi convidado para ser o Gestor de Negócios da Bioted, empresa de biotecnologia instalada no Parque Tecnológico da Supera em Ribeirão Preto, o que gerou sua segunda experiência como gestor de uma startup.

Em 2010, saindo da Moura Lacerda, assumiu duas disciplinas no curso de Administração da Semar Unicastelo em Sertãozinho, Administração Pública e Epistemologia, mantendo ainda as disciplinas na Uniesp. Defendeu o Mestrado no início do ano, ao mesmo tempo em que passou no processo seletivo para o doutorado. No mesmo ano acumulou mais uma função, a de Gestor Financeiro da maior banca jurídica de contencioso de massa de Ribeirão Preto, o escritório Valente Advogados. Quatro empregos, e um filho a caminho. Thomas chegou ao mundo quando Christian trabalhava em média 17 horas por dia.

Seu contrato com a Bioted se encerrou ao final de 2010, quando Christian passou a prestar consultoria para outras empresas, além de manter o cargo na banca de advogados e cumprir os créditos do Doutorado. Saiu da Uniesp no meio de 2010 para dar aulas na Facig de São Joaquim da Barra, no curso de Administração, sob as disciplinas Teoria Geral da Administração I e II, Administração da Produção e Administração Patrimonial e de Materiais. Acabou por divorciar-se no mesmo período.

No primeiro semestre de 2011, Christian saiu da Facig para dar aulas na Fafibe de Bebedouro, no curso de Administração, nas disciplinas Administração de Tecnologia da Informação, Administração de Serviços e Teoria Geral da Administração. No mesmo ano, desenvolveu o material dos cursos de Pós-Graduação em Gestão de TI do UniSEB. Além de 20 horas de aulas por semana, continuava na gestão do Valente, quando foi convidado pelo Professor Werner Baer para terminar seu doutorado, com dedicação integral à pesquisa, através de um período de estágio na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Em agosto de 2011, Christian chegou aos Estados Unidos como pesquisador da UIUC, alocado em duas equipes: Instituto Jorge Paulo Lemann para Estudos Brasileiros – liderado pelo Prof. Werner Baer, além do REAL – Regional Economics Application Laboratory, sob comando de Geoffrey Hewings. Seus dois orientadores eram referências internacionais. Baer foi orientador de líderes latinos como Alexandre Tombini (Presidente do Banco Central do Brasil) e Rafael Correa (Presidente do Equador), além de ser o maior especialista americano em Economia Latino-Americana e consultor de diversos governos americanos nos últimos 50 anos. Geoffrey Hewings é consultor da gestão Obama, uma das maiores autoridades mundiais em Economia Regional e torcedor fanático do clube galês de futebol Cardiff City FC.

Sua tese de Doutorado, intitulada “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”, seria a evolução de seu trabalho como pesquisador, o qual abordaremos adiante. O modelo de análise de redes econômicas desenvolvido no período de seis meses nos Estados Unidos já foi apresentado em alguns eventos internacionais e nacionais, e foi o resultado de estudos empreendidos em Illinois e na Califórnia, no Vale do Silício, onde teve como base para a pesquisa de campo as Universidades de Berkeley e Stanford.

Apesar das propostas para continuidade das pesquisas na UIUC e uma oportunidade de emprego ofertada pelo presidente da Thyssenkrupp de Danvile, Illinois, construir uma vida longe do filho Thomas não estavam nos planos de Christian. De volta ao Brasil com a tese pronta, em janeiro de 2012, foi convidado para ser consultor sênior de Gestão por Processos da Elo Group, em São Paulo, pela qual desenvolveu projetos frente à BM&F-Bovespa e à Seguros Unimed. O trabalho como consultor sênior atrasou um pouco a defesa da tese, concluída anteriormente, tendo finalmente o fechamento do Doutorado em outubro de 2012, mesmo mês em que foi convidado para ir à Espanha apresentar dois trabalhos para o Laboratório Europeu de Economia Regional.

Em dezembro de 2012, Christian foi convidado a voltar para Ribeirão Preto e fundar, sob capital de um grupo de investidores locais do segmento de educação, a T4 Corp, holding que oferece serviços de gestão integrada a outras empresas, desde a consultoria em Gestão por Processos até desenvolvimento de sistemas automatizados de gestão, passando pelo atual carro-chefe da organização, a gestão do conhecimento e administração de arquivos físicos e digitais. Ao mesmo tempo, fundou a Corpyx, empresa de coaching e treinamento corporativo. Entre abril de 2013 até a data atual, a T4 Corp já teve clientes como Itaú, Grupo SEB, São Francisco Saúde, Unimed, entre outros. Além de fundador, Christian exerçe desde o início a função de Chefe de Operações (COO) da empresa, controlando as demais empresas do portfólio de serviços.

Além da prática de gestão, desde janeiro de 2013 é professor do UniSEB nos cursos de Engenharia de Produção, Administração e Gestão de Tecnologia da Informação, das disciplinas de Evolução do Pensamento Administrativo, Design Organizacional e Gestão por Processos, Empreendedorismo, Inovação e Novos Negócios. Além da graduação no UniSEB, Christian é professor de pós-graduação do Pós-Adm da FGV na cadeira de Estratégia, do Mestrado Profissionalizante de Administração da UniFAFIBE, na cadeira de Gestão Organizacional e desenvolve pesquisas em três grupos, o CORS/USP – pelo qual foi co-autor de um livro em 2014, o Grupo de Sistemas da FEARP-USP e o REAL da Universidade de Illinois.

Pesquisa Científica

Durante a graduação em Ciências Econômicas pela Unicamp, interrompida no último semestre, Christian iniciou uma pesquisa sob comando do Prof. Jorge Ruben Bitton Tapia, já falecido, com foco em história econômica. Sua principal inquietude era sobre como o desenvolvimento tecnológico tende a ser impulsionado pela política e, em contrapartida, desempenhar o papel de modificador voraz da estrutura econômica vigente. O tema do trabalho enfocava a Corrida Espacial na época da Guerra Fria, e tentava retratar os avanços econômicos na esfera privada a partir de tecnologias desenvolvidas sob conselho militar e estatal.

Ao cursar a segunda graduação, a partir de 2004, Christian recuperou o conhecimento adquirido na Unicamp, desenvolvendo então, sob o teto da USP, uma pesquisa que enfocava a relação de ligação entre sistema econômico e o aparato tecnológico, especialmente relatando as mudanças sociais a partir do surgimento da tecnologia da informação, e vice-versa. O trabalho foi apresentado já em 2006 no II Encontro da Ulepicc, e foi o tema de seu TCC, com o título “Capitalismo Informacional : Reflexões Sobre a (Re)Produção do Conhecimento e a Sistêmica Econômico-Social Contemporânea”.

Ainda na graduação, por conta da pesquisa em desenvolvimento, foi convidado para prestar o processo seletivo de mestrado em Administração de Organizações da FEARP na USP onde, uma vez aprovado, passou a estudar diferentes formas de arranjos produtivos de tecnologia da informação, o que originou a dissertação “Desenvolvimento Sistêmico de Pólos Regionais de Tecnologia da Informação: Análise Comparativa entre Modelos de Clusters Nacionais e Internacionais sob a Perspectiva da Teoria dos Sistemas”, defendida no início de 2010.

A pesquisa de Mestrado enfocou a análise de quatro clusters de tecnologia da informação, avaliando os elementos que propiciavam o êxito de suas operações e as barreiras para seu desenvolvimento. Os focos do estudo foram os clusters do Vale de Santa Clara (Vale do Silício), Bangalore, Campinas e São Carlos. A principal diferença observada entre os clusters foi em relação à cultura regional dos casos internacionais, nitidamente ancoradas no modelo americano de empreendedorismo, com menor aversão ao risco.

A análise de redes em clusters de tecnologia iniciada superficialmente no Mestrado levou a indagações sobre a possibilidade de estabelecer um modelo de análise de relações econômicas que classificasse a situação de um determinado arranjo produtivo a partir da “Social Network Analysis”. Uma vez aprovado no processo seletivo do doutorado, Christian passou a desenvolver a tese “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”. Após a compleição dos créditos de disciplinas, foi convidado pelo economista americano Werner Baer a terminar a pesquisa na Universidade de Illinois, através de um “período sanduíche” ou estágio de doutoramento como visiting scholar.

Em Illinois, trabalhou frente ao Instituto Jorge Paulo Lemann de Estudos Brasileiros, tendo o Dr. Baer como co-orientador; e no Regional Economics Application Laboratory, sob tutela do co-orientador Geoffrey Hewings. Foi no REAL que Christian pode realizar a maior parte da pesquisa teórica que o levou a campo para aplicar o modelo desenvolvido ao longo do doutorado, baseado em SNA e Teoria dos Jogos. O objeto de estudo foi o Vale do Silício, onde aplicou questionários em seis das principais empresas americanas de Tecnologia da Informação, temporariamente alocado nas Universidades de Berkeley e Stanford. Os cinco meses de intensa pesquisa nos Estados Unidos propiciaram o retorno ao Brasil com a tese pronta, mas essa somente seria defendida em outubro de 2012, por conta das atribuições profissionais assumidas desde a volta. Em fevereiro de 2012 Christian se distanciou da docência e pesquisa por alguns meses para desenvolver projetos frente à BM&F-Bovespa e Seguros Unimed como consultor sênior da Elo Group.

Defendido o doutorado, foi convidado para apresentar o novo modelo de redes multidimensionais baseado em SNA e Teoria dos Jogos em eventos importantes na Europa e Estados Unidos, mas por conta de compromissos de trabalho somente pode fazê-lo no Congresso do Laboratório Europeu de Economia Regional em 2012, na Espanha. Apesar de confirmado como palestrante no evento do Laboratório Europeu de 2013 no Reino Unido, não pode viajar por outros compromissos profissionais.

Hoje, Christian atua como pesquisador efetivo do Center of Organizational Studies da FEA-USP, do Grupo de Sistemas da FEARP-USP e do Regional Economics Application Laboratory da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, pelo qual participa periodicamente de conversações e congressos sobre economia de redes e desenvolvimento regional.

A T4 Corp

Christian retornou a Ribeirão em dezembro de 2012 para fundar a T4 Corp, empresa da família Zaher, que tem como presidente a Diretora Executiva do grupo SEB, Thamila Zaher. A missão de Thamila para Christian foi bastante simples: criar uma empresa jovem e inovadora de guarda documental, que estivesse alinhada com o momento atual da economia brasileira. Empreendedora desde o berço, Thamila acreditava que seria possível crescer no setor de documentação com uso de boas práticas de BPM e governança focada em qualidade e gestão de custos.

A T4 surgiu em um período de transformação econômica para o Brasil. Após longos anos de bonança, a economia retornava a um patamar de estagnação que forçava as organizações ao corte de custos. Mesmo com o cenário macroeconômico instável, a empresa decolou e conseguiu se tornar a mais completa empresa de documentação de Ribeirão Preto e região, com duas unidades documentais que estão entre as mais modernas do país.

A T4 conta em seu quadro com alguns egressos do Curso de Ciência da Informação e Documentação da USP Ribeirão, tais como Raphael Valente (formado em 2008) e Franciele Pereira (formada em 2014), e outros egressos já passaram por lá, como o Marlon Francis (formado em 2014). Christian acredita que até 2020 a T4 seja uma das 8 maiores empresas de documentação do país, pretensão declarada no movimento de expansão iniciado para a capital paulista e outros estados brasileiros como Rio de Janeiro e Goiás. A T4 tenta romper um tradeoff até então considerado intransponível: alinhar qualidade e baixo custo em um mesmo conjunto de soluções para gestão documental. Esse tem sido o desafio de Christian, e o objetivo da T4.

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Integracão T4 Corp

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/06/2015.

Carlos “Maozinha” Gomes… Construindo uma carreira nos Estados Unidos da América

  • Carlos Ney Nunes Gomes, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestrando na University of Southern Mississippi.

Nesse post, Carlos ou “Maozinha” como é mais conhecido, vai contar sua experiência fora do Brasil. Em abril de 2011 ele mudou-se para Mississippi onde a partir de um trabalho voluntário, passando por um projeto remunerado, conseguiu uma vaga permanente de trabalho e foi aprovado no mestrado.

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Carlos

“Hey Y’all!

Welcome to the South.

Me mudei para o Mississippi em Abril de 2011. Minha esposa, Dr. Ana Carolina Taveiros Palei, foi convidada para fazer seu Pós-Doc na University of Mississippi Medical Center em Jackson, Capital do estado. Mesmo tendo alguns brasileiros na região, muitos por conta da UMC, é um choque de cultura tremendo.

E eu que achava que sabia falar inglês! O sotaque aqui no Sul é extremamente carregado e cheio de vícios de linguagem. Pedir um hambuger nunca foi tão difícil.

Mas apesar de tudo, o lugar merecia o esforço. Fomos muito bem recebidos tantos por brasileiros quanto por americanos. Aos poucos fomos nos acostumando com a dura rotina. E que rotina, longe da família, dos amigos, de tudo que você está acostumado a comer, comprar e beber. Mas perto de tudo aquilo que você pedia para os amigos trazerem quando eles vinham para Orlando (lugar maneiro alias, estivemos lá em 2011).

Uma das primeiras providências que tomamos foi arrumar uma televisão. Parece que não, mas TV ajuda muito no aprendizado. E sobre aquela história de ficar longe de brasileiros quando você quer se inserir na cultura local e aprender a falar fluente, bem, em partes é verdade. Mas lembre-se, se for ficar mais de 3 meses, quem vai te ajudar são os conterrâneos. E de uma forma ou de outra, eles também te ajudam a matar as saudades da terrinha.”

Visto e Emprego

“Eu e minha esposa viemos pra cá com um visto J1 para ela e J2 para mim. Esse visto permite que você estude e trabalhe. No meu caso (J2), eu preciso de uma autorização para poder trabalhar. Esse autorização é conhecida como EAD (Employment Authorization Document) e demora pelo menos 100 dias para conseguir. E sempre, sempre empata sua vida.

Após um mês eu consegui um emprego (sem registro) numa gráfica graças a um brasileiro amigo meu. Trabalhei lá entre Maio de 2011 e Junho de 2013. Nesse meio tempo me inscrevi no programa de voluntariado do Mississippi Department of Archives and History. E é aqui que está toda a diferença. Fazer trabalho voluntário num dos mais importantes Departamentos de Arquivos foi praticamente a única maneira de mostrar meus conhecimentos e conseguir o emprego.

Trabalhei como voluntário por mais ou menos um ano. Era uma jornada de três vezes por semana,três horas por dia. Minhas atribuições eram: preparar inventários, ajudar o curador a processar coleções visuais e fotografar eventos relacionados ao departamento. Não demorou e eles me ofereceram um projeto remunerado. Por três meses trabalhei no projeto de digitalização da Coleção de Moreau Chambers financiado por um Grant (bolsa) específico para preservação da história dos Nativos-Americanos. Chambers foi um arqueólogo que fez inúmeras escavações no Mississippi a procura de relíquias indígenas.

Após 3866 imagens digitalizadas em pouco menos de três meses, fui convidado a assumir uma vaga permanente de digitalizador na “Image and Sound Division” como “Optical Imaging Operator”. E esse oferta veio na hora certa pois meu filho Arthur estava pra nascer.

Meu trabalho, agora oficialmente estatutário, se divide basicamente em: verificar o que será escaneado; as condições do documento ou fotografia; qual equipamento será usado (scanner de mesa epson 10000 XL ou o Zeutschel 300). O primeiro é usado para documentos e fotografias de tamanho regular. O segundo é usado para mapas, fotografias e documentos de tamanhos acima da média e livros.

Nosso próximo passo agora no Image and Sound é a aquisição de duas máquinas fotográficas e de um book drive da Atiz. Teremos de esperar o fechamento do ano fiscal em Junho para saber se poderemos adquirir.

Dentre inúmeros artigos que já digitalizei, entre fotos, documentos e pôsteres, os que mais me chamaram a atenção foram:

  • um documento oficial assinado por George Washington;
  • algumas fotos de Martin Luther King, Edgar Evers e outros líderes dos Movimentos de Direitos Civis Americano nas décadas de 40, 50 e 60.
  • Documentos referentes a luta pelos direitos civis no Mississippi
  • E as fotos feitas pelo FBI dos corpos dos estudantes James Chaney, Andrew Goodman, e Michael Schwerner, mortos durante o Freedom Summer de 1964. Esses assassinatos formam o enredo do filme “Mississippi em Chamas” de 1988. Vale a pena assistir.”

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    Equipe Image and Sound

Mestrado e Vida

“Quando ainda estava como voluntário no Departamento, eu apliquei para o Mestrado na University of Southern Mississippi. Fui aceito em Janeiro de 2013. Antes de fazer as disciplinas regulares do curso, decide obter o Certificado de Especialista em Arquivos e Coleções Especiais. Estou cursando o último Semestre e logo obterei o título. Provavelmente no Outono de 2015 eu inicie as matérias do Mestrado. Esse meio tempo é necessário para que eu possa obter algum scholarship. Não é nada fácil pagar o mestrado no valor integral.

Bem no mais, a vida no Mississippi corre como o rio, suave e sem pressa. Não há muito o que se fazer por aqui. De vez em quando tem um show aqui ou em alguma cidade perto. A cidade está à três horas de Memphis e três horas de New Orleans. E a seis horas de Atlanta, onde há um consulado brasileiro. Eu vi Robert Plant tocar em Clarksdale de graça. Fui aos shows de: Kansas, Bryan Adams (por causa da Carol), Coheed and Cambria, Slayer, Motorhead, Slipknot, Anthrax, White Chapel e Garth Brooks. Em Maio eu vou ao show do Rush em New Orleans e em Agosto irei a Boston para ver o ACDC.

Como vocês podem ver, tenho uma certa paixão por musica. E essa paixão pela musica me levou a um novo hobbie, a coleção de discos de vinil. Há uma loja a 25 milhas da minha casa que se chama The Little Big Store, com mais de 100 mil discos, CDs e memorabillia usados. Quando vou pra lá, gasto pelo menos uma tarde escavando discos velhos. É com certeza meu lugar favorito no Mississippi.

Bom, por agora é isso. Espero receber a visita de algum cidiano em breve.

Abraços a todos.
Carlos Gomes”

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Carlos “Maozinha” e o filho Arthur.

A coordenação do Curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da USP de Ribeirão Preto, aproveita para parabenizar o aluno Carlos Gomes “Maozinha”, pela sua jornada nas terras do Tio Sam e pela sua atitude empreendedora e pró-ativa, que tem gerado frutos em sua vida profissional e pessoal. Desejamos todo sucesso em sua carreira na América do Norte!!

O blog agradece ao aluno “Laudo Kiyohiro Natsui” pelo contato e por colaborar para que esse post pudesse ser produzido.

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/04/2015.

Gabriele, Isabela, Jessika, Mariane e Vânia … o caminho de jovens pesquisadoras em Ciência da Informação.

O post desse mês é mais que especial, após apresentação dos trabalhos de conclusão de curso da IX Turma de Ciências da Informação e da Documentação, USP Ribeirão Preto uma sequência de boas notícias vieram em seguida, a aprovação de 5 alunas da turma no mestrado em faculdades públicas do Estado de São Paulo.

A quatro anos atrás, essas meninas que tinham entre 17 e 18 anos adentravam a Universidade de São Paulo para iniciar sua trajetória na Graduação, provavelmente nenhuma delas tinha ideia que a pesquisa seria o caminho a seguir. Pois bem, passados os quatro anos, recebem seus diplomas de graduação já aprovadas em processos seletivos para cursarem mestrados de excelência a partir de 2015.

Em seguida você poderá acompanhar a trajetória dessas dedicadas e promissoras jovens pesquisadoras na busca pela vaga, da preparação, confirmação da vaga e expectativas pra essa nova fase acadêmica! E o melhor, contada por elas mesmas ..


  •   Gabriele Maris Pereira Fenerick, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia” do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

“Como a maioria 999021_495510287183932_1465272580_ndos universitários, ao perceber que caminhava para o término do curso de graduação me senti um pouco indecisa em relação a qual caminho seguir. Penso na possibilidade de fazer mestrado desde o 2º ano de faculdade quando iniciei minha I.C. e percebi que eu me identificava com o campo acadêmico. Nesse meio tempo, tive conhecimento do processo seletivo do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, e me inscrevi na linha de pesquisa “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia”. Assim, procurei orientação para me inteirar sobre as fases do processo seletivo. Basicamente, a seleção para pós-graduação consiste em quatro fases: 1- Aprovação de projetos; 2 – Avaliação de Inglês; 3 – Avaliação da bibliografia específica; 4 – Entrevista. Em dois meses de preparação, acredito que um dos fatores predominantes foi me sentir segura com a bibliografia. Para isso, acho importante destacar alguns pontos:

  • Peça uma segunda opinião sobre o seu projeto e padronize-o conforme o edital;
  • Separe seus documentos com antecedência e os confira antes de enviar a inscrição;
  • É importante ter em mãos toda a bibliografia pedida, seja impressa ou digital;
  • Determine quanto tempo diário você pretende se dedicar aos estudos de acordo com a sua rotina e seja disciplinado;
  • Escreva, leia e escreva de novo;
  • Nunca fique com dúvidas. Procure vídeos, resenhas, críticas e pontos de vista;
  • Procure conversar com quem já passou por esse tipo de processo seletivo;
  • Tente ficar calmo durante a entrevista e mostre conhecimento sobre o seu projeto, além de enfatizar a importância do mestrado na sua carreira.Em março 2015 vou iniciar o mestrado acadêmico na PPGCTS da UFSCar. Incentivo a tentativa aos futuros formandos. Se você pretende se especializar em algum seguimento ou seguir carreira acadêmica, o mestrado é uma ótima opção de amadurecimento. Informe-se e arrisque-se.”

  • Isabela Pereira do Rego, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em Ciências da Informação do Programa de Pós-graduação em Ciências da Informação – UNESP/Marília.1796698_807138975966595_976468362_n

“Olá pessoal, sou Isabela e passei no mestrado em Ciências da Informação na UNESP, Campus de Marília, minha linha de pesquisa escolhida foi “Informação e Tecnologia”, por já estar inserida neste meio para realização do meu TCC, portanto, sendo uma continuação nos estudos desta área. Na verdade fazer mestrado sempre esteve em meus planos, entendo que hoje o profissional precisa buscar cada vez mais conhecimento e aperfeiçoamento para atender o que o mercado de trabalho exige. Comecei a pesquisar sobre o mestrado no meu último ano de faculdade, optei pela UNESP, Campus de Marília, por estar como referência na área, onde oferece 03 linhas de pesquisa, as quais abrangem as principais áreas de conhecimento em Ciências da Informação. Como já havia desenvolvido meu TCC relacionado à área de tecnologia, não foi difícil escolher entre as linhas de pesquisa. A partir desta definição, procurei pesquisar melhor sobre a linha de tecnologia e os professores que faziam parte desta. Desenvolvi meu projeto (o que não foi fácil), pois tive muita dificuldade em definir um tema para abordagem, e com ele montar o projeto. Foram muitas pesquisas, leituras e levantamentos de dados, antes do projeto ser desenvolvido. Com o projeto pronto me preparei nos estudos para a prova de mestrado, o qual contou com 03 fases: Prova de Proficiência em Língua Estrangeira (eliminatória); Avaliação dos projetos, dissertações e Currículos Lattes; Prova escrita e Arguição sobre o Projeto de Pesquisa/Entrevista individual. A cada fase uma expectativa! O resultado de todo o processo me trouxe muita alegria por dar continuidade naquilo que eu já planejava, sei que o mestrado me exigirá muito mais responsabilidades e isso é muito bom para meu crescimento e amadurecimento, me proporcionando uma visão maior sobre o potencial do profissional em Ciências da Informação. Uma frase que levo sempre comigo: “Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.” Chico Xavier. Um grande beijo, Isabela Pereira do Rego


  • Jessika Fernanda Toledo, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em Gestão e avaliação de tecnologias em saúdePrograma de Mestrado Profissional em Gestão de Organizações de Saúde – da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP.

Euu“A minha trajetória em uma universidade iniciou-se em 2011, quando ingressei no curso de Ciências da Informação, da Documentação e Biblioteconomia, oferecida pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. Onde obtive a conclusão com êxito do curso no final de 2014. Foi nesse mesmo período, final do ano passado (2014), que resolvi participar do processo de seleção para o Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Organizações de Saúde, oferecido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também na Universidade de São Paulo. Eu estava disposta a tentar uma vaga, especificamente com foco nesta área de estudo, depois de ter pesquisado sobre o programa e ter conversado bastante com um veterano que também está fazendo mestrado lá. Interessei-me muito, e a partir dai me dediquei para a preparação de tudo que estavam solicitando naquele edital. Meu tempo era muito curto, pois estava tão focada na elaboração do meu Trabalho de Conclusão de Curso, que acabei deixando para ir atrás de tudo logo quando lançaram o edital do programa. Dessa forma, mesmo com o tempo muito pequeno, eu não desisti, a principio fui atrás imediatamente de um professor para ver se ele estava disposto a me orientar durante o período do mestrado, e logo em seguida me dediquei exclusivamente para a elaboração do Projeto de Pesquisa que devia obrigatoriamente estar dentro das linhas de pesquisa que o programa exigia (Gestão de redes organizacionais de atenção à saúde ou Gestão e avaliação de tecnologias em saúde), posteriormente realizei a prova escrita e depois participei de uma arguição (entrevista). No final de todo esse processo, e por incrível que pareça, no mesmo dia que apresentei o meu Trabalho de Conclusão de Curso recebi a notícia que fui aprovada no programa de mestrado. Fiquei muito feliz com o resultado, ainda mais porque após o término da minha graduação já ingressei diretamente num programa de pós-graduação em uma das maiores universidades da América Latina, no qual me sinto orgulhosa e com grande expectativa de aprofundar os meus conhecimentos nesta universidade.”


  • Mariane de Souza, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Apropriação Social da Informação” do Programa de pós graduação em Ciência da Informação – PPGCI – da Escola de Comunicação e Artes da USP.

“A minha primeira IMG_20150102_235612experiência e contato com o universo da pesquisa e da escrita científica se deu durante a graduação. Além dos trabalhos e seminários que foram desenvolvidos ao longo do curso, foi durante a realização da iniciação científica, que eu comecei a construir minha identidade e a tomar gosto pela pesquisa. A CI como uma ciência abrangente e que pode ser percebida em tantos lugares, me possibilita uma construção híbrida de identidade científica, e esse foi um dos principais fatores que me motivaram a seguir estudando. O processo seletivo do qual fiz parte foi o da Escola de Comunicação e Artes da USP. Esse processo, como acredito ser a maioria dos processos seletivos de mestrado, foi muito extenso e, principalmente, denso. O ano que me preparei para a prova de mestrado, fazendo as leituras que seriam exigidas, foi o último ano da graduação no qual eu estava fazendo, simultaneamente, leituras que me ajudaram a tecer meu trabalho de conclusão de curso. Portanto, foi um ano marcado por muita leitura, escrita e, no final, muita emoção e alegria! Sem dúvida, minha formação durante a graduação foi fundamental para absorver as leituras que eu estava fazendo. Muito do que foi exigido no processo seletivo do PPGCI, foi apresentado, ao longo dos quatro anos, pelos docentes do curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da FFCLRP. As minhas expectativas em relação ao futuro e ao mestrado são positivas, o caminho não será fácil, mas tenho certeza que será gratificante!”


  • Vânia Lucia Coelho, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestranda em “Dimensões Sociais da Ciência e Tecnologia” do Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade – PPGCTS – da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

natal1“Ao longo da graduação, mais especificamente de 2012 a 2014, fui bolsista de iniciação científica financiada pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Com um projeto chamado “Blogs: arquivos que se abrem com clique”, dei início aos meus estudos científicos em torno de redes sociais. Fui orientada pela professora Lucília Maria Abrahão Souza, integrei um grupo de estudos em análise do discurso coordenado por ela e, durante os dois anos de vigência da bolsa de pesquisa, participei de inúmeros eventos e tive em torno de três publicações: duas em livros publicados pelo grupo de estudos em AD e uma em periódico científico. Meu interesse por redes sociais, disseminação e organização da informação na web permaneceram. Porém, após a vigência da bolsa de iniciação científica, passei a apurar o olhar para uma área de pesquisa que até então não conhecia e que teria muito a contribuir para os estudos em informação: a área de sociologia do conhecimento. Com auxílio da professora Márcia Regina da Silva, criei o projeto “Instituto ciência hoje: mediação, circulação e apropriação de informações científicas por meio de redes sociais”, com o qual tentaria o mestrado na UFSCAR. Da inscrição até a prova discursiva, me preparei estudando os textos que constavam no edital (textos de Latour e Bordieu) e fazendo o TEAP – exame de proficiência em inglês. Após isso, participei da arguição do projeto e da entrevista – momento um pouco mais tenso pra mim, mas que no final me trouxeram o êxito de ser aprovada no PPGCTS – Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade, mais especificamente na linha de pesquisa “Dimensões sociais da ciência e da tecnologia”. Me sinto muito feliz e realizada por poder dar continuidade aos meus estudos científicos e contribuir para a área de pesquisa de que tanto me interesso e que tanto ainda tem para crescer: a área de estudos em Informação.”

O professor José Eduardo Santarem Segundo, coordenador do curso de Graduação em Ciência da Informação e da Documentação da USP de Ribeirão Preto, referenda o sucesso das alunas dizendo que o esforço empreendido durante a graduação foi decisivo para que conquistassem o gosto pela pesquisa e a vaga direta no mestrado. “Um curso de graduação tem o objetivo de preparar para a vida, de dar uma carreira, não é objetivo exclusivo de um curso formar o aluno para a carreira acadêmica, mas sim apresentar vários caminhos a serem seguidos. Me sinto feliz e tenho certeza que esta alegria é compartilhada pelos outros docentes, certos que cumpriram seu papel ao ver o sucesso dessas alunas e de outros alunos que adentram ao mundo da pesquisa iniciando seus mestrados tão logo terminam a graduação.”

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Da esquerda pra direita: Je, Isa, Vânia, Mari e Gabi.

Entrevista feira por Ana Santana, em 20/02/2015.

Ana Camillo … “Mudando o conceito de gestão de documentos no 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto”

  • Ana Claudia Messias Camillo, bacharel em Administração – Centro Universitário Barão de Mauá (2002); Bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia – Universidade de São Paulo (2010); Graduanda em Direito – Centro Universitário Barão de Mauá e Especializanda em Gestão Estratégica de Pessoas – Centro Universitário SENAC.

Em 11 anos de trabalho para uma grande rede de venda de pneus e serviços automotivos, onde começou como estagiária, Ana teve a oportunidade de cursar a graduação em Administração que foi financiada pela própria instituição através de um programa de incentivo. Com a intenção de buscar novas perspectivas, prestou vestibular da Fuvest e em 2006 começou a cursar Ciência da Informação e da Documentação e Biblioteconomia na USP/RP.

“Estar novamente em um ambiente universitário e cercada de tantos talentos realmente foi algo muito motivante.”

A seguir o relato do início da carreira da Ana na área da Ciências da Informação e Documentação:

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Ana Camillo

“Minha trajetória profissional em Ciência da Informação começou no final de 2009, quando atendi um telefonema de um cliente que buscava solução para a compra de pneus para seu carro. Era um carro importado e a loja em que eu trabalhava não disponha de estoque para atendê-lo. Os pneus para aquele modelo de veículo do fabricante que eu representava eram de fabricação alemã e não havia previsão de data para chegarem no Brasil.

Como eu não tinha mercadoria para atender aquele cliente e questionada por ele, fiz o que eu mais gosto de fazer: resolver problemas. Ofereci a ele a solução que resolveria a questão: informações técnicas de marcas, medidas, onde encontraria na concorrência, telefones, endereços e contatos. Não sabia com quem estava falando e fiz o que eu faria normalmente por qualquer cliente que me trouxesse uma questão em que a resposta estivesse ao meu alcance. O cliente gostou muito do atendimento e quis saber quem eu era e o que fazia e tive a oportunidade falar do Curso de Ciência da Informação e Documentação. Ele disse que tinha um projeto e deste atendimento surgiu o convite para um novo trabalho. O cliente em questão era o Dr. Oscar Paes de Almeida Filho, Oficial Delegado do 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto.

Pedi demissão do antigo trabalho e comecei a trabalhar no 1º Cartório de Registro Civil de Ribeirão Preto em janeiro de 2010. O trabalho dos Cartórios de Registro Civil é um trabalho belíssimo: é um grande centro de documentação, onde são registrados atos da vida civil: nascimento, casamento, óbito, interdição, emancipação e outros atos notariais como procurações e reconhecimento de firmas. O critério de entrada dos registros e arquivos é a legislação vigente no país. O Cartório não guarda apenas documentos e registros: arquivamos vidas, famílias, direitos, segurança documental, veracidade, fé pública, mas do que isso, o Cartório de Registro Civil é garantia de uma sociedade livre, justa, solidaria e democrática de direitos.

Nestes quase cinco anos trabalhando no 1º Cartório de Registro Civil tive a oportunidade de participar de muitos projetos de sucesso nas áreas gestão, automação de processos, marketing, relacionamento com clientes externos e internos além de projetos sociais.”

Sobre os projetos realizados e a Fundamental Gestão de Documentos:

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Da esquerda pra direita: Rodrigo Lima – funcionário e aluno do CID USP; Gilson Arruda – funcionário e aluno Direito UNIP; Ana Camillo – funcionária e personagem principal da nossa matéria e Pedro Falsarella – funcionário e aluno Economia Moura Lacerda.

“Os projetos que mais destacam na área de Ciência da Informação foram: atualização de bases de dados, criação de índices informatizados, emissão de Certificados Digitais Rede ICP -Brasil e digitalização e disponibilização do acervo em software de Gestão Eletrônica de Documentos. O acervo do 1º Cartório iniciou em 1889. Todo este trabalho reflete em um melhor atendimento para usuário e redução de custos para a serventia.

O Registro Civil Brasileiro vive projetos inéditos: hoje as bases de dados com índices estão interligadas nos Estados de São Paulo, Acre, Espirito Santo, Goiás e Santa Catarina e para estes Estados é possível solicitar certidões sem sair de casa.

Da experiência no 1º Cartório de Registro Civil surgiu a Fundamental Gestão de Documentos: uma empresa de Gestão Documental, que está iniciando, mas conta com uma equipe de 4 funcionários e além do 1º Cartório atende outros Cartórios de Ribeirão Preto e região. Nosso sonho é crescer e tornarmos referência de qualidade, segurança e confiança no setor.”

Ana finaliza seu relato com um recado especial aos alunos de Ciência da Informação e Documentação:

“Para os alunos de Ciência da Informação e Documentação que leem este texto digo: não desanimem. O caminho é árduo, mas é gratificante. Sabe aquela aula de automação de bibliotecas que parece chata? Os conceitos de automação que são ensinados nesta matéria podem ser aplicados não só em bibliotecas mas em vários outros ramos de atividade. Aulas sobre o prédio do arquivo e técnicas de preservação? Aulas de Linguística e História? Você vai usar, tenha certeza.

Seja atuando em Bibliotecas, Centros De Documentação, Museus, Hospitais ou na Gestão de Organizações enxergo mercado para alunos oriundos do Curso de Ciência da Informação pois há uma grande carência deste profissional. Cabe a nós, alunos, professores e alunos egressos divulgar este maravilhoso curso e explorar mais as possibilidades. Tenho certeza que temos muito a contribuir.”

Entrevista feita por Ana Santana, em 03/12/2014