João Guilherme…. Empreendedorismo e inovação: trajetórias e a Escola de Inventor

Origens…

Tenho 32 anos, sou natural de Araçatuba-SP e moro em Ribeirão Preto há 21 anos. Em 2004 iniciei o curso de Administração de Empresas e Agronegócios pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), mas foi na USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão que encontrei o que seria a minha vocação ao cursar  o CID (Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação) e perceber o potencial existente na mediação de cultura tecnológica  via projetos baseados em educação ativa para crianças, jovens e adultos.

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Trajetória Profissional e Acadêmica

Iniciei minha carreira no setor financeiro, prestando serviços para bancos de Midle Market como BV Financeira e Bango GE, com foco em financiamento de veículos e crédito consignado. Em 2011 decidi mudar minha carreira de rumo, visando trabalhar com as áreas de tecnologia e inovação, que me despertavam maior interesse. O primeiro passo foi me atualizar academicamente, e para isso entrei no CID e passei a estudar o mundo das startups e da  gestão da propriedade intelectual dentro da academia por conta própria, o que me levou a enveredar peloa caminhos percorridos pela inovação no Brasil e no mundo.

Em 2014 passei a trabalhar com  o Dr. Nelson Marineli Filho na condução de projetos de inovação setoriais FINEP para grandes empresas da região.

Atualmente sou analista de inovação da empresa WTA (www.wtavet.com.br), onde coordeno projetos junto a FAPESP/PIPE e ao CEPID/Hemocentro de Ribeirão Preto na área de células-tronco, além de trabalhar em projetos de internet das coisas voltada a pecuária de precisão junto ao CESAR (www.cesar.org.br).

Sou um dos fundadores e diretor da Escola de Inventor (www.escoladeinventor.com.br) uma escola de inovação focada no desenvolvimento de métodos ativos de aprendizagem para o ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática para crianças, jovens e adultos.

Obs do Blog: A Escola de Inventor foi tida como uma das 20 startups mais atraentes do mercado!!!

Veja em: http://escoladeinventor.com.br/escola-de-inventor-eleita-uma-das-20-melhores-startups-mais-atraentes-para-o-mercado/

Pesquisa Científica…

Meu primeiro projeto na área, foi realizado sob a orientação do Prof. Dr. André Lucirton Costa da FEARP/USP, tendo sido apoiado pela Agência USP de Inovação através de sua Bolsa Empreendedorismo. A bolsa possibilitou minha mudança para Portugal, onde realizei pesquisas na Universidade Nova de Lisboa, durante sete meses, sobre os motivos do baixo índice de inovação das academias brasileiras. O foco era descobrir o porquê de, apesar do aumento recente no número de publicações de artigos nacionais em revistas científicas de impacto por parte da academia, poucas dessas pesquisas chegam ao mercado sob a forma de produtos, processos ou serviços. Durante o estudo, descobri que a causa principal do problema não se encontrava na academia ou na indústria, como esperávamos, mas, sim, no processo de educação básica das crianças. Ao longo do ensino fundamental, perde-se o interesse em matérias ligadas a ciência e matemática, o que é refletido mais tarde nos ciclos de educação universitária e posteriormente, no mercado e na indústria.

 Por que escolheu o curso?

Por perceber que o curso me daria o know-how necessário à busca de pesquisas e artigos científicos do chamado “estado da arte” das áreas de meu interesse, fator essencial para a construção, desenvolvimento, implementação e entrega de projetos de inovação.

Quais foram alguns desafios e vantagens que você enfrentou no começo, meio e fim do curso?

O principal desafio enfrentado foi entender como a base de conhecimento oferecida pelo curso poderia se alinhar e ajudar no desenvolvimento das minhas competências e habilidades. A principal vantagem percebida por mim ao fazer o curso, foi a amplitude de visão de mundo gerada por meio do vasto conhecimento cultural, técnico e acadêmico apresentado pelos professores do CID.

 Quais são algumas dicas que você daria para os alunos que estão entrando no curso?

Na minha opinião, acredito que a melhor dica a ser dada é que o conhecimento não deve se restringir ao positivismo muitas vezes imposto pela academia. Além disso, os gostos e interesses pessoais devem servir de motores para o engrandecimento das informações passadas em sala de aula, fazendo com que a curiosidade e a troca de ideias dialética sirvam de pontes para a construção de um conhecimento mais bem estruturado e de impacto econômico e social.

O que você fez depois de ter se formado?

Estou no último semestre do curso, mas pretendo seguir trabalhando com educação e projetos na área de inovação.

Como estão servindo os conceitos e a experiência que você teve durante a graduação atualmente?

Ele é a base do que eu e meus colegas de CID estamos construindo na Escola de Inventor. Nosso sonho é que as bibliotecas brasileiras passem a adotar o modelo de espaços maker e centros de aprendizagem ativa (e não só de estudo e leitura silenciosa), como já vem ocorrendo em países mais desenvolvidos, notadamente nos EUA e na Europa.

O que você pretende para o futuro?

Transformar a  Escola de Inventor em uma referência no desenvolvimento de métodos ativos de aprendizagem e transportar esse conhecimento para as redes públicas de ensino, Brasil afora.

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Mônica Barbosa…primeira turma do CID e coordenação do CEDOC audiovisual da EPTV.

Mônica Barbosa, Bacharel em Administração –  Centro Universitário Moura Lacerda. Bacharel em Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação – USP/Ribeirão Preto.

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Essa é a trajetória da Mônica, que ao longo de sua graduação trabalhou tempo integral na EPTV. Ela fez parte da primeira turma do curso, sendo essa sua segunda formação acadêmica. Através de algumas perguntas vamos descobrir como ela escolheu o curso, algumas dicas que ela tem para os alunos do curso e as mudanças que teve profissionalmente antes e depois do curso…vamos lá:

1. Por que escolheu o curso?

Na ocasião, já trabalhava num Centro de Documentação e queria aprimorar meus conhecimentos na área, quando soube, em 2002, da vinda do curso de nomeado Bacharelado em Ciências da Informação e da Documentação (hoje Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação) não tive dúvidas de que queria fazê-lo, apesar de já possuir uma formação acadêmica, sou formada desde 1993 em Administração pelo “Centro Universitário Moura Lacerda”.  Lembro-me, que na época em que decidi fazer o CID, meu maior desafio foi pensar em enfrentar um novo vestibular, já se havia passado muito tempo da minha conclusão no ensino médio. Mas, deu certo, em grande parte porque sempre gostei muito de ler e tive algumas aulas de Literatura com a professora Sylvia Bomfim de Brito Bastos a quem sou grata e isso me ajudou muito na hora do vestibular e, sinceramente, eu estava muito determinada a ingressar no curso.

2. Quais foram alguns desafios e vantagens que você enfrentou no começo, meio e fim do curso?

Eu tive uma vantagem, já não era minha primeira formação acadêmica, mas eu estava realizando um sonho: fazer um curso numa universidade pública, então estava encantada com tudo, mesmo porque eu tinha um comparativo importante: uma formação interior num curso de universidade particular, por isso valorizava tudo, era inacreditável ter uma gama de professores entusiasmados e engajados, com indicação de textos e fontes preciosos, ainda por cima de graça…pessoalmente o maior desafio era conciliar o curso com meu trabalho, que era em período integral e consumia grande parte de minha energia, sendo que eu já estava bastante envolvida com vários projetos, mas aprendi a tentar ser uma esponja para conseguir absorver tudo o que me era apresentado em sala de aula e usar isso a meu favor. Aliando teoria com a experiência e vivência prática nas minhas atividades de trabalho ganhei muito com isso, mas não podemos esquecer que eu já estava com pouco mais de trinta anos e já atuava em um dos campos da área. No curso, foi difícil conciliar meu escasso tempo para conseguir acompanhar o ritmo das aulas, das leituras e trabalhos que precisávamos desenvolver, principalmente os seminários que realizávamos em grupo, era necessário conciliar agendas e chegar num consenso de abordagem do tema pelo grupo, o que nem sempre era uma tarefa simples e sem conflitos, mas, inclusive, esses seminários se tornaram uma grande fonte de aprendizado e troca de experiências.

Em relação ao curso, tínhamos a sensação de que algumas disciplinas estavam destoando do que imaginávamos ser importante para a formação do profissional da informação, era uma fase de (re) início para todos, tanto corpo docente como discente, havia a necessidade da busca por uma identidade e também aprimoramento da grade curricular que fosse mais específica para o CID e o novo profissional da Informação, que ia muito além do estereótipo do “bom e velho” Bibliotecário. Tivemos problemas também em relação a algumas metodologias de ensino com algumas disciplinas que poderiam ter sido melhor aproveitadas, veja bem, mesmo com tudo isso, era perceptível um esforço comum do corpo docente em resolver estas questões, acho que foi uma época muito inspirada e inspiradora, o primeiro curso, a primeira turma, isso para uma grande maioria de nós era bem empolgante, mas em alguns aspectos tinha também certa precariedade e nos faltavam alguns recursos, mas, principalmente algumas diretrizes básicas em relação a disciplinas mais especificas e técnicas da área.

A escolha do tema do trabalho de conclusão do curso também não foi nada fácil, mas fui muito feliz depois que consegui determinar e focar o tema e ter a Professora Doutora Giulia Crippa como minha orientadora, ela sempre foi uma fonte de inspiração para mim, assim como a professora Doutora Lucilia Maria Sousa Romão que também me foi de grande inspiração. Muitas vezes, sem saber, o grande mestre é aquele que consegue nos estimular a abrir nossa mente para coisas que antes nos passavam despercebidas, fazendo-nos enxergar e buscar reflexões em tudo que nos envolve e que somos envolvidos, isso amplifica nossa visão de mundo e abre muitas possibilidades.

 

3. Quais são algumas dicas que você daria para os alunos entrando no curso?

Olha, eu nem sei hoje qual é o perfil dos alunos que ingressam no curso, na minha época era uma maioria formada por pessoas que estavam em sua segunda graduação e, portanto, também mais velhos, eu vi muita gente tendo visões muito diferentes da mesma coisa, isso porque no fim somos únicos mesmo e pensamos de maneiras diferentes. O que quero dizer é, seja quem for: um jovem que está vivendo a experiência de seu primeiro curso superior, ou aquele que já tem uma estrada mais longa, faça tudo com entusiasmo, tente se livrar de estereótipos e (pre) conceitos em relação ao curso e aos professores, faça valer pra você e preferencialmente envolva o grupo nisso, tudo passa muito depressa, mas a maneira como encaramos cada oportunidade e aprendizado fará diferença no nosso caminho.  Porém, primeiro, você precisa, no mínimo, se identificar com algumas disciplinas do curso, pode ser que nem todas sejam o que você espera, mas isso normalmente é algo que acontece em qualquer curso ou mesmo na vida, para um objetivo maior algumas coisas menores fazem parte do percurso. Depois, você não será obrigado a trabalhar com aquilo que não se identifica, por exemplo, martirizam o curso por causa da questão da visão do Bibliotecário tradicional, vi muita gente dizendo eu não quero ser Bibliotecário, Deus me livre ficar dentro de uma biblioteca atendendo aluno chato, separando e guardando livros. Veja, essa é uma visão antiquada e preconceituosa da área, muitos gostam justamente desse campo de atuação, mas posso adiantar que ninguém será um bom profissional se o próprio conceito de Bibliotecário for esse, o que a sociedade precisa é de bons profissionais seja em qualquer área, quando se tornar um faça essa escolha porque gosta e mesmo assim precisa ter em mente que num país tão carente de leitores e de atividades culturais acessíveis é necessário profissionais que desenvolvam programas estimulantes, principalmente dentro das escolas públicas,  se você optar por se tornar um Bibliotecário, faça valer a pena, trabalhe de maneira criativa e motivadora. Esse curso pode ser uma porta de entrada, isso pode ou não te garantir uma carreira bem sucedida na saída, não existem garantias precisas, às vezes é preciso mudar de rumo, fazer especializações e porque não até mesmo uma nova formação complementar. Mas, coloque na sua cabeça, aprenda o mais que puder a cada passo, compreenda as partes básicas do processo que envolve a informação: desde sua produção, meios, fluxos, organização e recuperação, isso é fundamental! Se o curso não estiver oferecendo disciplinas ou atividades que lhe propiciem essa base, então é necessário cobrar e lutar por mudanças, com foco e de maneira organizada e pacifica.

Outras dicas que considero importantes: como contratante de profissionais da área, por muito tempo tivemos estagiários que passaram por aqui, depois transformamos essa vaga em efetiva; primeiro: percebi, algumas vezes, que o que pode se tornar um fator desfavorável ao profissional iniciante é o de ele ter uma visão equivocada da sua própria atuação/atividade. Isso tanto pode ser algo advindo do próprio docente, como, da forma como o curso é trabalhado, não sei como está a grade curricular do CID atualmente, na minha época faltavam algumas disciplinas fundamentais e melhoria de metodologia em algumas delas, que não ofereciam uma base mais prática do saber fazer, isso pode gerar muita frustração. Nesse caso, é preciso passar uma visão mais real do campo de atuação, já vi muita gente talentosa simplesmente ter uma expectativa equivocada de trabalho, nós podemos nos tornar gestores de informação e até mesmo produtores de conteúdos documentais ou culturais, mas, na grande maioria, os processos que envolvem trabalhar com documentação, independentemente da tipologia, passa por etapas que envolvem atividades de rotina, o que para muitos pode ser maçante. Então, antes de tudo, o profissional precisa saber que existe esse processo rotineiro, que prevê o domínio de linguagens documentais; segundo: precisamos ter a consciência da valorização desse processo, pois seja um documento histórico, jurídico, administrativo, acadêmico ou até mesmo objetos, físicos ou digitais/virtuais, é pelas nossas mãos que passam todo o cuidado de preservação, guarda, organização e recuperação de documentos únicos, que num primeiro momento possuem apenas valor de uso, mas podem se tornar preciosas fontes de preservação de uma memória institucional e/ou social.

Por fim, tudo também depende daquilo do que cada um considera o que é ter uma carreira bem sucedida. Logicamente precisamos ser reconhecidos e bem remunerados, inclusive está ai a importância de representarmos uma classe categorizada, mas se fizermos algo que além de uma remuneração adequada e justa, representa também aquilo que gostamos de fazer e de estarmos envolvidos, já vai ter valido a pena. E, por favor, se você estiver num caminho que esteja te trazendo só frustrações, desgosto e martírio, mude o rumo, muitas vezes e quase sempre, isso não tem nada haver com nossa formação acadêmica.

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4. O que você fez depois de ter se formado?

No meu caso, continuei na mesma área e mesma empresa em que trabalhava na época em que estava estudando, trabalho na EPTV – Empresa Paulista de Televisão, afiliada da Rede Globo em Ribeirão Preto, atuei também com produção e pesquisa de alguns especiais, desenvolvi trabalhos de incentivo a leitura e implantação de Bibliotecas como voluntária por oito anos pelo Instituto EPTV, que apoia Instituições que atendem crianças carentes no horário inverso a escola, Coordeno um projeto de Educação chamado “EPTV na Escola”, mas posso dizer que tive meu antes e depois de minha graduação no CID. Cresci bastante profissionalmente, acompanhei mudanças e participei de projetos importantes na minha área no CEDOC – Centro de Documentação (audiovisual) – desde 2013 ocupo o cargo de Supervisora do Departamento. Em Maio de 2015 começamos em Ribeirão a implantação de um sistema de digitalização e de um novo programa de gerenciamento de informações chamado “Media Portal”, estamos desenvolvendo a digitalização do nosso legado, já conseguimos, em pouco tempo, digitalizar os cinco primeiros anos (novembro/1980 a Dezembro/1986) do conteúdo Jornalístico das matérias que exibimos na EPTV Ribeirão e que agora estão em processo de revisão de indexação e decupagem. Esse acervo contém informações importantes, que se tornaram incomparáveis em caráter de conteúdo histórico que possui um precioso registro do desenvolvimento do nosso interior paulista.

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5. Como estão servindo os conceitos e a experiência que você teve durante a graduação atualmente?

Nossa área é multidisciplinar, uma das coisas interessantes que tomei para mim e se mostrou bem importante, foi aprender o mínimo de algumas disciplinas que não me identificava muito, como por exemplo, banco de dados e Informática, mas que eram relevantes para nossa área profissional seja em qualquer campo de atuação. Isso facilita, no mínimo, a viabilidade em participar de projetos em que precisamos saber dialogar com profissionais específicos de outras áreas para que haja uma troca de conhecimentos e desenvolvimento de um trabalho conjunto. Usei esse conhecimento, por exemplo, para acompanhar e aprimorar a implantação do novo sistema de arquivo digital no CEDOC. Foi bem enriquecedor e útil, e acima de tudo, o resultado final foi uma customização de um sistema que ficou bem melhor com a participação de todos. Todo aprendizado nas aulas teóricas, nas visitas técnicas e estágios, se tornaram importantes referências para mim, isso é fundamental para quem vai ingressar no mercado de trabalho.

6. O que você pretende para o futuro?

No sentido profissional é continuar desenvolvendo um trabalho sério de organização, preservação e recuperação de informação, dar um bom encaminhamento para o trabalho de digitalização que ainda é uma tarefa que demanda anos para conclusão e preparar e conduzir a equipe do departamento para desafios futuros, em breve também vamos organizar aqui no CEDOC um novo tipo de conteúdo, tentar ser uma pessoa justa com a equipe, ajudar a treinar e desenvolver bons profissionais da área.

Como qualquer ser humano, acho que não podemos parar, depois de muito tempo estou começando a ter vontade de voltar a estudar, creio que as pessoas tenham vários talentos e precisam descobrir isso nelas, depois que identificarmos quais são, precisamos nos aperfeiçoar e dedicar a isso, algo que pode começar como um hobby ou atividade paralela pode se tornar uma atividade principal e prioritária no futuro. Por isso, além, de um projeto com minha família, que envolve agricultura familiar e sustentabilidade, gostaria muito de fazer um mestrado e mesmo doutorado que possibilite, talvez, o desenvolvimento de uma carreira como professora acadêmica, quem sabe até do CID!!! Rsrsrs

 

Gabriela Bazan Pedrão… finalista em concurso da Amazon/Samsung, canal de Youtube e carreira acadêmica!

  • Gabriela Bazan Pedrão, Bacharel em Ciência da Informação e Documentação – USP/Ribeirão Preto. Mestre em Ciências da Informação do Programa de Pós-graduação em Ciências da Informação – UNESP/Marília. Doutoranda no programa de pós graduação em Ciência da Informação – UNESP/Marília.

Essa é a trajetória da Gabriela, que entrou no curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia na USP em 2007. Embora no início teve algumas dúvidas e ficou “sem saber exatamente para que tudo aquilo servia”, logo se encontrou e diante altos e baixos conseguiu superar diversos desafios e teve várias conquistas: já assumiu uma biblioteca de um colégio, criou um canal no Youtube, escreveu um livro que ficou na semi final de um concurso organizado pela Editora LeYa e foi finalista de outro promovido pela Amazon. Atualmente, faz doutorado na Unesp de Marília e continua escrevendo. Conheça um pouco mais detalhadamente sobre a história dela…

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Meu nome é Gabriela e vou falar um pouco sobre minha trajetória na CI e meus projetos paralelos, que de alguma forma estão conectados com a área.

Entrei no curso de Ciências da Informação e Documentação (na época ainda sem Biblioteconomia no nome) em 2007. A escolha foi feita porque o curso tinha algumas características que me agradaram, estava na cidade em que eu morava (e ainda moro!) e eu acreditava que seria um bom caminho para se seguir no futuro.

Como a grande maioria, entrei no curso bem perdida e sem saber exatamente para que tudo aquilo servia e onde eu poderia trabalhar. Posso dizer que esse sentimento foi passageiro e, embora as respostas não tenham vindo rapidamente, eu logo percebi que estava no lugar certo.

Vivi uma graduação tranquila no aspecto pessoal, não tive nenhum problema relacionado a disciplinas ou conteúdo, mas no ambiente geral foi mais complicado. O CID estava começando a crescer e o curso ainda tinha muitos problemas relacionados à grade curricular e organização. Passamos por diversas mudanças de docentes e por um momento onde o movimento estudantil era fraco e poucos alunos manifestavam interesse em participar ativamente da melhoria do curso.

Fiz parte do CeCID, CaFI e até da bateria da Filô. Junto de alguns alunos tentamos dar mais visibilidade ao curso e tentar fazer uma integração maior com outros alunos da faculdade.

Acredito que hoje o CeCID está mais fortalecido e o curso mais estável, mas continuo acreditando que essa troca entre alunos de cursos diferentes é muito bacana, principalmente pela possibilidade de sairmos do rótulo de ‘cursos noturnos com alunos que só aparecem para ter aula’. Acho importante, para os alunos que tem a possibilidade, se integrar mais na vida da Universidade, participar em projetos de extensão e divulgar o curso dentro do próprio ambiente universitário.

Durante a graduação trabalhei voluntariamente no Centro de Memória da Escola de Enfermagem por cerca de quatro meses. Foi um trabalho rápido, mas bem proveitoso. A oportunidade de entrar em contato com a parte prática do curso logo de início me deu mais motivação e a possibilidade de ver com as coisas seriam no dia a dia fora da sala.

Após esse trabalho fui estagiária voluntária da Biblioteca Central do campus. Com o estágio obrigatório chegando comecei a procurar oportunidades de emprego na área, mas a situação estava difícil. Fiz diversas entrevistas e depois de perceber que aquele não era meu perfil decidi procurar na Biblioteca uma oportunidade.

Comecei como voluntária porque achava que a rotina como bibliotecária era algo totalmente desconhecido para mim e um buraco em minha formação que eu poderia preencher. Eu não sabia exatamente como era realmente a função e como seria na prática a classificação, catalogação e indexação.

Posso dizer que essa foi sem dúvida uma das minhas melhores escolhas de toda a graduação. Trabalhei junto com a Iara Amorim durante quatro meses e lá meu universo foi expandido. Aprendi na prática o que era visto por cima nas aulas, tive dificuldades, superei cada uma e vi de perto a vida agitada de uma biblioteca universitária de grande porte.

No fim de meu estágio, fui convidada para continuar na Biblioteca como monitora contratada e aceitei. Junto com a minha contratação mais três alunos do curso também entraram na BCRP, trabalhamos em conjunto e acho que essa foi uma das melhores fases da minha graduação.

Após alguns meses como monitora da Biblioteca surgiu uma oportunidade diferente. O Prof. Eduardo Murguia estava com duas vagas para iniciação científica, e como a pesquisa sempre havia sido algo que me interessava, decidi que era o momento de buscar novas experiências.

Fui selecionada por ele para ser beneficiada por uma das bolsas e comecei minha vida no mundo acadêmico. Junto com o Prof. Murguia e outros alunos de IC que trabalhavam com ele, organizamos uma exposição no SESC em Ribeirão sobre coleções pessoais. O tema da exposição era também o tema da minha IC, que trabalhava com coleções pessoais, mas focada em coleções de livros.

No final de 2010 apresentei meu TCC com essa temática e finalizei a graduação. Eu já estava decidida que a carreira acadêmica era meu caminho e prestei mestrado em 2011. Entrei no programa de Ciência da Informação da Unesp de Marília e lá cursei meu mestrado, novamente com orientação do Prof. Eduardo Murguia.

A experiência do mestrado foi incrível para mim. Cresci pessoalmente e profissionalmente cada dia que passei na pós. A vida fora de Ribeirão, as dificuldades de ser orientada por um professor que vivia no Rio de Janeiro, a chegada em um lugar onde eu não conhecia ninguém, tudo trouxe aprendizado e crescimento.

Minha dissertação foi sobre o Arquivo do fundador da Unicamp, Zeferino Vaz. Estudei como esse arquivo é importante dentro da Universidade e como ele constrói um lugar de memória. Foi um trabalho prazeroso que me colocou em contato com diversos profissionais incríveis.

Defendi o mestrado no final de 2013 e em 2014 entrei em um hiato acadêmico. Não houve tempo para prestar os processos de doutorado na própria Unesp e em uma tentativa na USP fui aprovada, mas desclassificada por não passar na prova de espanhol.

Foi um período difícil, pois fui obrigada a parar algo que naquele momento era meu maior sonho. Desmotivada com a carreira acadêmica e a desclassificação, comecei a trabalhar como bibliotecária em um colégio particular em Ribeirão.

Eu já havia prestado serviços temporários ao colégio e fui contratada em Março de 2014 para assumir a biblioteca. A rotina de trabalho estava me fazendo bem e eu estava feliz com o trabalho, mas ainda não estava satisfeita.

Senti que poderia fazer mais tanto em relação ao meu crescimento pessoal, como quanto à divulgação da minha profissão e cultura de leitura. Foi então que criei um canal no Youtube chamado ‘É o último, juro!’, onde eu tinha como ideia central falar sobre as obras literárias que eu havia lido.

A ideia deu certo e o canal continua até hoje. Nele dou foco para obras de fantasia, suspense policial e ficção científica. Escolhi esses temas por serem minhas preferências e também gêneros que eu acredito que ainda ficam um pouco de lado no universo literário. Sempre que possível falo sobre minha profissão e divulgo a área, mas confesso que essa é uma tarefa difícil. Já fui ofendida pessoalmente e já me diminuíram como profissional por simplesmente não concordarem com minhas ideias. É algo que desanima, mas a internet é assim mesmo e isso jamais será um impedimento para mim.

Durante 2014 me dediquei a esse projeto que andou e ganhou espaço e junto com ele decidi tirar outra ideia da gaveta: a de escrever. Sempre fui muito ligada à escrita como profissão e então com essa pausa nos estudos decidi que poderia ser uma boa hora para não apenas ler histórias fantásticas, mas também criar.

Escrevi meu primeiro livro de fantasia e com ele cheguei à semi final do concurso ‘A Fantasy quer o seu mundo’, organizado pela Editora LeYa e seu selo de fantasia, a Fantasy. Foi uma experiência incrível e eu jamais acreditei que chegaria tão longe. Conheci escritores do Brasil todo e fiz algumas amizades que mantenho até hoje.

Desse momento em diante não parei mais, continuei a escrever sempre focando meus temas em mundos fantásticos. Um dos meus objetivos com a escrita é trazer para esses mundos histórias que sempre falem de livros, bibliotecas, pesquisadores e todo o universo que faz parte da minha rotina e que eu desejo que seja divulgado. Acho que nada exerce mais fascínio e curiosidade do que um livro misterioso, uma biblioteca fantástica ou uma pessoa que é extremamente sábia, por isso nunca abandono essas características.

Escrevi sobre uma biblioteca lendária e fui finalista do concurso ‘Brasil em prosa’ promovido pela Amazon em parceria com o Jornal O Globo e a empresa Samsung, agora em agosto de 2015. Atualmente nada tem me dado mais prazer do que poder trazer meus estudos científicos para o mundo da fantasia.

Voltando ao mundo acadêmico, em 2015 fui aprovada no programa de doutorado na Unesp de Marília e estou lá novamente, dessa vez com a orientação da Profa. Maria Leandra Bizello. Hoje meu projeto está focado no Catálogo de Panizzi e a importância dele para a CI. É um projeto recente e ainda em desenvolvimento e aqui estou.

Posso dizer que a área tem seus altos e baixos, como qualquer outra, mas que com certeza não me vejo em nenhum outro lugar. Acho que é muito possível unirmos diversos meios e trabalhar com todos, como estou tentando fazer. É o maior trunfo de nossa área e eu acredito que ainda muito pouco explorado. Espero que essa realidade mude e eu ainda possa ver mais colegas se aventurando em outros mares!

Christian Carvalho Ganzert … “Da graduação, mestrado e doutorado à fundação da T4 Corp”

  • Christian Carvalho Ganzert, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – FFCLRP/USP. Mestre em Administração de Organizações – FEARP/USP. Doutor em Administração USP.

Esse post contará em detalhes a trajetória incansável e vitoriosa do Christian Ganzert. Trabalho, estudo e esporte foram, segundo Christian, as variáveis mais importantes para que pudesse manter o rumo de seus objetivos durante a fase inicial de sua vida produtiva. Fase essa que o levaria a fundar a empresa T4 Corp, especialista em digitalização e armazenagem de documentos.

Origens

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Christian Ganzert

Em 13 de fevereiro de 1979, Christian Carvalho Ganzert tornou-se o primeiro filho de um improvável casal da cidade de São Paulo. Sua mãe era caixa do extinto Banespa e seu pai músico profissional. Em meio às dificuldades típicas de famílias constituídas por casais jovens, foi criado ao lado de uma irmã caçula em diferentes bairros da capital paulistana, sempre estudando em escolas públicas do Estado e do Município. Em termos educacionais, acredita que sua maior sorte foi, aos nove anos de idade, ter estudado na Escola Municipal de Primeiro Grau Julio Mesquita, um dos poucos resquícios de educação pública de qualidade da cidade. Sua família se mudou para o Butantã, bairro da referida escola, região que contava com a proximidade da USP para fornecimento de mão de obra qualificada às escolas locais.

Dessa forma, apesar das limitações do orçamento educacional público, e das dificuldades relativas à condição econômica de sua família, conseguiu adquirir boas referências para sua formação inicial. Tanto pela necessidade quanto pela filosofia de sua mãe, começou a trabalhar cedo aos 14 anos de idade. Aproveitando-se da facilidade que tinha em lidar com novas tecnologias – já devorava livros de informática desde os dez – trabalhava como operador de redes em uma indústria de produtos químicos durante a semana e como arte-finalista aos finais de semana. Além do trabalho, o esporte era um de seus maiores interesses na época, tendo se tornado atleta de esgrima e competido em campeonatos nacionais e internacionais entre os 14 e os 17 anos.

Trajetória Profissional e Acadêmica

Christian ingressou na vida acadêmica pelo curso de graduação em Ciências Econômicas da Unicamp em 1997. Antes disso, terminou o curso técnico profissionalizante em Eletrônica da Fundação Paula Souza e, muito embora gostasse do trabalho com tecnologia, desde muito cedo ficou óbvio que seu caminho profissional seria na área de gestão e educação. Aos 19 anos encerraria o breve ciclo de trabalho operacional em TI para entrar por concurso no Banco do Brasil. Mesmo estudando em uma universidade pública, sua família não tinha recursos para lhe manter na cidade de Campinas. Apesar do currículo integral do Instituto de Economia, paralelamente ao curso na Unicamp desempenhou a função de Gerente de Expediente E.E. no Banco desde seu segundo semestre, tendo sido também encarregado na Superintendência São Paulo III. Lembra-se que sua principal impressão nessa época era de que o mundo corporativo destoava de quase tudo o que via em teoria na Universidade.

Após a escolha do tema da Monografia de Conclusão de Curso, “Corrida Espacial: Desdobramentos Econômicos do Embate Tecnológico entre potências”, foi surpreendido por uma promoção no trabalho, passando a Gerente de Relacionamento NR1 na principal unidade do Banco em Campinas, o que afastou-lhe dos estudos no último semestre de faculdade. Mais tarde, em 2001, abandonaria o Banco do Brasil para iniciar seu primeiro negócio, o Estúdio de Gravação BR-101 em Campinas, o que interromperia o seu relacionamento com a Unicamp.

Em 2003, por conta de um assalto às instalações do Estúdio, Christian teve que fechar seu primeiro negócio. A habilidade com línguas estrangeiras criou-lhe a oportunidade de uma experiência no comércio exterior. Após seis meses trabalhando como consultor para negócios internacionais para uma Holding de Gibraltar com filial no Brasil, chamada Ocean International Group, voltou a prestar concursos públicos, passando como técnico administrativo na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, Prodesp, mudando-se pela primeira vez para Ribeirão Preto. Em Ribeirão Preto, reapaixonou-se pela área de gestão e economia, especialmente de economia da informação. Finalmente, decidiu o que faria de sua vida: seria professor e pesquisador.

 Voltou à graduação no curso de Ciências da Informação da Universidade de São Paulo, USP, desenvolvendo pesquisas desde o primeiro ano na área de Economia Política da Informação e participando do circuito de encontros da Ulepicc. As pesquisas dessa época lhe aproximaram do Grupo de Sistemas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, o qual lhe incorporou em 2008 para iniciar o Mestrado em Administração de Organizações, na FEARP-USP. Casou-se nesse mesmo ano.

Por conta da dedicação ao Mestrado, teve que abrir mão da Prodesp, na qual à época já ocupava uma cadeira no Conselho Representativo de Empresa. Sem bolsa, começou a trabalhar como Professor em 2009, no Centro Universitário Moura Lacerda, nos cursos sequenciais e de Contabilidade, nas disciplinas Introdução à Economia e Mercado de Capitais. No mesmo ano, foi convidado pela USP para substituir em caráter emergencial ao Prof. Dr. Edberto Ferneda durante todo o segundo semestre na disciplina de Administração de Serviços de Informação do Curso de Ciências da Informação, do qual era egresso. Reelaborou todo o conteúdo do curso e ministrou as aulas durante todo o semestre, de forma voluntária, a pedido do coordenador da época, Cláudio Marcondes de Castro Filho, por quem tem especial gratidão.

No mesmo ano de 2009, Christian foi contratado pela Uniesp, para dar aulas no Curso de Engenharia de Produção, assumindo as disciplinas de Planejamento e Controle da Produção I e II, Higiene e Segurança do Trabalho e Simulação Aplicada à Engenharia de Produção. Ao final do ano, foi convidado para ser o Gestor de Negócios da Bioted, empresa de biotecnologia instalada no Parque Tecnológico da Supera em Ribeirão Preto, o que gerou sua segunda experiência como gestor de uma startup.

Em 2010, saindo da Moura Lacerda, assumiu duas disciplinas no curso de Administração da Semar Unicastelo em Sertãozinho, Administração Pública e Epistemologia, mantendo ainda as disciplinas na Uniesp. Defendeu o Mestrado no início do ano, ao mesmo tempo em que passou no processo seletivo para o doutorado. No mesmo ano acumulou mais uma função, a de Gestor Financeiro da maior banca jurídica de contencioso de massa de Ribeirão Preto, o escritório Valente Advogados. Quatro empregos, e um filho a caminho. Thomas chegou ao mundo quando Christian trabalhava em média 17 horas por dia.

Seu contrato com a Bioted se encerrou ao final de 2010, quando Christian passou a prestar consultoria para outras empresas, além de manter o cargo na banca de advogados e cumprir os créditos do Doutorado. Saiu da Uniesp no meio de 2010 para dar aulas na Facig de São Joaquim da Barra, no curso de Administração, sob as disciplinas Teoria Geral da Administração I e II, Administração da Produção e Administração Patrimonial e de Materiais. Acabou por divorciar-se no mesmo período.

No primeiro semestre de 2011, Christian saiu da Facig para dar aulas na Fafibe de Bebedouro, no curso de Administração, nas disciplinas Administração de Tecnologia da Informação, Administração de Serviços e Teoria Geral da Administração. No mesmo ano, desenvolveu o material dos cursos de Pós-Graduação em Gestão de TI do UniSEB. Além de 20 horas de aulas por semana, continuava na gestão do Valente, quando foi convidado pelo Professor Werner Baer para terminar seu doutorado, com dedicação integral à pesquisa, através de um período de estágio na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Em agosto de 2011, Christian chegou aos Estados Unidos como pesquisador da UIUC, alocado em duas equipes: Instituto Jorge Paulo Lemann para Estudos Brasileiros – liderado pelo Prof. Werner Baer, além do REAL – Regional Economics Application Laboratory, sob comando de Geoffrey Hewings. Seus dois orientadores eram referências internacionais. Baer foi orientador de líderes latinos como Alexandre Tombini (Presidente do Banco Central do Brasil) e Rafael Correa (Presidente do Equador), além de ser o maior especialista americano em Economia Latino-Americana e consultor de diversos governos americanos nos últimos 50 anos. Geoffrey Hewings é consultor da gestão Obama, uma das maiores autoridades mundiais em Economia Regional e torcedor fanático do clube galês de futebol Cardiff City FC.

Sua tese de Doutorado, intitulada “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”, seria a evolução de seu trabalho como pesquisador, o qual abordaremos adiante. O modelo de análise de redes econômicas desenvolvido no período de seis meses nos Estados Unidos já foi apresentado em alguns eventos internacionais e nacionais, e foi o resultado de estudos empreendidos em Illinois e na Califórnia, no Vale do Silício, onde teve como base para a pesquisa de campo as Universidades de Berkeley e Stanford.

Apesar das propostas para continuidade das pesquisas na UIUC e uma oportunidade de emprego ofertada pelo presidente da Thyssenkrupp de Danvile, Illinois, construir uma vida longe do filho Thomas não estavam nos planos de Christian. De volta ao Brasil com a tese pronta, em janeiro de 2012, foi convidado para ser consultor sênior de Gestão por Processos da Elo Group, em São Paulo, pela qual desenvolveu projetos frente à BM&F-Bovespa e à Seguros Unimed. O trabalho como consultor sênior atrasou um pouco a defesa da tese, concluída anteriormente, tendo finalmente o fechamento do Doutorado em outubro de 2012, mesmo mês em que foi convidado para ir à Espanha apresentar dois trabalhos para o Laboratório Europeu de Economia Regional.

Em dezembro de 2012, Christian foi convidado a voltar para Ribeirão Preto e fundar, sob capital de um grupo de investidores locais do segmento de educação, a T4 Corp, holding que oferece serviços de gestão integrada a outras empresas, desde a consultoria em Gestão por Processos até desenvolvimento de sistemas automatizados de gestão, passando pelo atual carro-chefe da organização, a gestão do conhecimento e administração de arquivos físicos e digitais. Ao mesmo tempo, fundou a Corpyx, empresa de coaching e treinamento corporativo. Entre abril de 2013 até a data atual, a T4 Corp já teve clientes como Itaú, Grupo SEB, São Francisco Saúde, Unimed, entre outros. Além de fundador, Christian exerçe desde o início a função de Chefe de Operações (COO) da empresa, controlando as demais empresas do portfólio de serviços.

Além da prática de gestão, desde janeiro de 2013 é professor do UniSEB nos cursos de Engenharia de Produção, Administração e Gestão de Tecnologia da Informação, das disciplinas de Evolução do Pensamento Administrativo, Design Organizacional e Gestão por Processos, Empreendedorismo, Inovação e Novos Negócios. Além da graduação no UniSEB, Christian é professor de pós-graduação do Pós-Adm da FGV na cadeira de Estratégia, do Mestrado Profissionalizante de Administração da UniFAFIBE, na cadeira de Gestão Organizacional e desenvolve pesquisas em três grupos, o CORS/USP – pelo qual foi co-autor de um livro em 2014, o Grupo de Sistemas da FEARP-USP e o REAL da Universidade de Illinois.

Pesquisa Científica

Durante a graduação em Ciências Econômicas pela Unicamp, interrompida no último semestre, Christian iniciou uma pesquisa sob comando do Prof. Jorge Ruben Bitton Tapia, já falecido, com foco em história econômica. Sua principal inquietude era sobre como o desenvolvimento tecnológico tende a ser impulsionado pela política e, em contrapartida, desempenhar o papel de modificador voraz da estrutura econômica vigente. O tema do trabalho enfocava a Corrida Espacial na época da Guerra Fria, e tentava retratar os avanços econômicos na esfera privada a partir de tecnologias desenvolvidas sob conselho militar e estatal.

Ao cursar a segunda graduação, a partir de 2004, Christian recuperou o conhecimento adquirido na Unicamp, desenvolvendo então, sob o teto da USP, uma pesquisa que enfocava a relação de ligação entre sistema econômico e o aparato tecnológico, especialmente relatando as mudanças sociais a partir do surgimento da tecnologia da informação, e vice-versa. O trabalho foi apresentado já em 2006 no II Encontro da Ulepicc, e foi o tema de seu TCC, com o título “Capitalismo Informacional : Reflexões Sobre a (Re)Produção do Conhecimento e a Sistêmica Econômico-Social Contemporânea”.

Ainda na graduação, por conta da pesquisa em desenvolvimento, foi convidado para prestar o processo seletivo de mestrado em Administração de Organizações da FEARP na USP onde, uma vez aprovado, passou a estudar diferentes formas de arranjos produtivos de tecnologia da informação, o que originou a dissertação “Desenvolvimento Sistêmico de Pólos Regionais de Tecnologia da Informação: Análise Comparativa entre Modelos de Clusters Nacionais e Internacionais sob a Perspectiva da Teoria dos Sistemas”, defendida no início de 2010.

A pesquisa de Mestrado enfocou a análise de quatro clusters de tecnologia da informação, avaliando os elementos que propiciavam o êxito de suas operações e as barreiras para seu desenvolvimento. Os focos do estudo foram os clusters do Vale de Santa Clara (Vale do Silício), Bangalore, Campinas e São Carlos. A principal diferença observada entre os clusters foi em relação à cultura regional dos casos internacionais, nitidamente ancoradas no modelo americano de empreendedorismo, com menor aversão ao risco.

A análise de redes em clusters de tecnologia iniciada superficialmente no Mestrado levou a indagações sobre a possibilidade de estabelecer um modelo de análise de relações econômicas que classificasse a situação de um determinado arranjo produtivo a partir da “Social Network Analysis”. Uma vez aprovado no processo seletivo do doutorado, Christian passou a desenvolver a tese “Desenvolvimento Sistêmico, Equidade e Interdependência: A Busca por um Modelo Conceitual de Gestão do Equilíbrio das Relações entre Agentes Econômicos Regionais”. Após a compleição dos créditos de disciplinas, foi convidado pelo economista americano Werner Baer a terminar a pesquisa na Universidade de Illinois, através de um “período sanduíche” ou estágio de doutoramento como visiting scholar.

Em Illinois, trabalhou frente ao Instituto Jorge Paulo Lemann de Estudos Brasileiros, tendo o Dr. Baer como co-orientador; e no Regional Economics Application Laboratory, sob tutela do co-orientador Geoffrey Hewings. Foi no REAL que Christian pode realizar a maior parte da pesquisa teórica que o levou a campo para aplicar o modelo desenvolvido ao longo do doutorado, baseado em SNA e Teoria dos Jogos. O objeto de estudo foi o Vale do Silício, onde aplicou questionários em seis das principais empresas americanas de Tecnologia da Informação, temporariamente alocado nas Universidades de Berkeley e Stanford. Os cinco meses de intensa pesquisa nos Estados Unidos propiciaram o retorno ao Brasil com a tese pronta, mas essa somente seria defendida em outubro de 2012, por conta das atribuições profissionais assumidas desde a volta. Em fevereiro de 2012 Christian se distanciou da docência e pesquisa por alguns meses para desenvolver projetos frente à BM&F-Bovespa e Seguros Unimed como consultor sênior da Elo Group.

Defendido o doutorado, foi convidado para apresentar o novo modelo de redes multidimensionais baseado em SNA e Teoria dos Jogos em eventos importantes na Europa e Estados Unidos, mas por conta de compromissos de trabalho somente pode fazê-lo no Congresso do Laboratório Europeu de Economia Regional em 2012, na Espanha. Apesar de confirmado como palestrante no evento do Laboratório Europeu de 2013 no Reino Unido, não pode viajar por outros compromissos profissionais.

Hoje, Christian atua como pesquisador efetivo do Center of Organizational Studies da FEA-USP, do Grupo de Sistemas da FEARP-USP e do Regional Economics Application Laboratory da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, pelo qual participa periodicamente de conversações e congressos sobre economia de redes e desenvolvimento regional.

A T4 Corp

Christian retornou a Ribeirão em dezembro de 2012 para fundar a T4 Corp, empresa da família Zaher, que tem como presidente a Diretora Executiva do grupo SEB, Thamila Zaher. A missão de Thamila para Christian foi bastante simples: criar uma empresa jovem e inovadora de guarda documental, que estivesse alinhada com o momento atual da economia brasileira. Empreendedora desde o berço, Thamila acreditava que seria possível crescer no setor de documentação com uso de boas práticas de BPM e governança focada em qualidade e gestão de custos.

A T4 surgiu em um período de transformação econômica para o Brasil. Após longos anos de bonança, a economia retornava a um patamar de estagnação que forçava as organizações ao corte de custos. Mesmo com o cenário macroeconômico instável, a empresa decolou e conseguiu se tornar a mais completa empresa de documentação de Ribeirão Preto e região, com duas unidades documentais que estão entre as mais modernas do país.

A T4 conta em seu quadro com alguns egressos do Curso de Ciência da Informação e Documentação da USP Ribeirão, tais como Raphael Valente (formado em 2008) e Franciele Pereira (formada em 2014), e outros egressos já passaram por lá, como o Marlon Francis (formado em 2014). Christian acredita que até 2020 a T4 seja uma das 8 maiores empresas de documentação do país, pretensão declarada no movimento de expansão iniciado para a capital paulista e outros estados brasileiros como Rio de Janeiro e Goiás. A T4 tenta romper um tradeoff até então considerado intransponível: alinhar qualidade e baixo custo em um mesmo conjunto de soluções para gestão documental. Esse tem sido o desafio de Christian, e o objetivo da T4.

Photo Integração T4 - Com Logo

Integracão T4 Corp

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/06/2015.

Carlos “Maozinha” Gomes… Construindo uma carreira nos Estados Unidos da América

  • Carlos Ney Nunes Gomes, bacharel em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia  – USP/Ribeirão Preto. Mestrando na University of Southern Mississippi.

Nesse post, Carlos ou “Maozinha” como é mais conhecido, vai contar sua experiência fora do Brasil. Em abril de 2011 ele mudou-se para Mississippi onde a partir de um trabalho voluntário, passando por um projeto remunerado, conseguiu uma vaga permanente de trabalho e foi aprovado no mestrado.

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Carlos

“Hey Y’all!

Welcome to the South.

Me mudei para o Mississippi em Abril de 2011. Minha esposa, Dr. Ana Carolina Taveiros Palei, foi convidada para fazer seu Pós-Doc na University of Mississippi Medical Center em Jackson, Capital do estado. Mesmo tendo alguns brasileiros na região, muitos por conta da UMC, é um choque de cultura tremendo.

E eu que achava que sabia falar inglês! O sotaque aqui no Sul é extremamente carregado e cheio de vícios de linguagem. Pedir um hambuger nunca foi tão difícil.

Mas apesar de tudo, o lugar merecia o esforço. Fomos muito bem recebidos tantos por brasileiros quanto por americanos. Aos poucos fomos nos acostumando com a dura rotina. E que rotina, longe da família, dos amigos, de tudo que você está acostumado a comer, comprar e beber. Mas perto de tudo aquilo que você pedia para os amigos trazerem quando eles vinham para Orlando (lugar maneiro alias, estivemos lá em 2011).

Uma das primeiras providências que tomamos foi arrumar uma televisão. Parece que não, mas TV ajuda muito no aprendizado. E sobre aquela história de ficar longe de brasileiros quando você quer se inserir na cultura local e aprender a falar fluente, bem, em partes é verdade. Mas lembre-se, se for ficar mais de 3 meses, quem vai te ajudar são os conterrâneos. E de uma forma ou de outra, eles também te ajudam a matar as saudades da terrinha.”

Visto e Emprego

“Eu e minha esposa viemos pra cá com um visto J1 para ela e J2 para mim. Esse visto permite que você estude e trabalhe. No meu caso (J2), eu preciso de uma autorização para poder trabalhar. Esse autorização é conhecida como EAD (Employment Authorization Document) e demora pelo menos 100 dias para conseguir. E sempre, sempre empata sua vida.

Após um mês eu consegui um emprego (sem registro) numa gráfica graças a um brasileiro amigo meu. Trabalhei lá entre Maio de 2011 e Junho de 2013. Nesse meio tempo me inscrevi no programa de voluntariado do Mississippi Department of Archives and History. E é aqui que está toda a diferença. Fazer trabalho voluntário num dos mais importantes Departamentos de Arquivos foi praticamente a única maneira de mostrar meus conhecimentos e conseguir o emprego.

Trabalhei como voluntário por mais ou menos um ano. Era uma jornada de três vezes por semana,três horas por dia. Minhas atribuições eram: preparar inventários, ajudar o curador a processar coleções visuais e fotografar eventos relacionados ao departamento. Não demorou e eles me ofereceram um projeto remunerado. Por três meses trabalhei no projeto de digitalização da Coleção de Moreau Chambers financiado por um Grant (bolsa) específico para preservação da história dos Nativos-Americanos. Chambers foi um arqueólogo que fez inúmeras escavações no Mississippi a procura de relíquias indígenas.

Após 3866 imagens digitalizadas em pouco menos de três meses, fui convidado a assumir uma vaga permanente de digitalizador na “Image and Sound Division” como “Optical Imaging Operator”. E esse oferta veio na hora certa pois meu filho Arthur estava pra nascer.

Meu trabalho, agora oficialmente estatutário, se divide basicamente em: verificar o que será escaneado; as condições do documento ou fotografia; qual equipamento será usado (scanner de mesa epson 10000 XL ou o Zeutschel 300). O primeiro é usado para documentos e fotografias de tamanho regular. O segundo é usado para mapas, fotografias e documentos de tamanhos acima da média e livros.

Nosso próximo passo agora no Image and Sound é a aquisição de duas máquinas fotográficas e de um book drive da Atiz. Teremos de esperar o fechamento do ano fiscal em Junho para saber se poderemos adquirir.

Dentre inúmeros artigos que já digitalizei, entre fotos, documentos e pôsteres, os que mais me chamaram a atenção foram:

  • um documento oficial assinado por George Washington;
  • algumas fotos de Martin Luther King, Edgar Evers e outros líderes dos Movimentos de Direitos Civis Americano nas décadas de 40, 50 e 60.
  • Documentos referentes a luta pelos direitos civis no Mississippi
  • E as fotos feitas pelo FBI dos corpos dos estudantes James Chaney, Andrew Goodman, e Michael Schwerner, mortos durante o Freedom Summer de 1964. Esses assassinatos formam o enredo do filme “Mississippi em Chamas” de 1988. Vale a pena assistir.”

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    Equipe Image and Sound

Mestrado e Vida

“Quando ainda estava como voluntário no Departamento, eu apliquei para o Mestrado na University of Southern Mississippi. Fui aceito em Janeiro de 2013. Antes de fazer as disciplinas regulares do curso, decide obter o Certificado de Especialista em Arquivos e Coleções Especiais. Estou cursando o último Semestre e logo obterei o título. Provavelmente no Outono de 2015 eu inicie as matérias do Mestrado. Esse meio tempo é necessário para que eu possa obter algum scholarship. Não é nada fácil pagar o mestrado no valor integral.

Bem no mais, a vida no Mississippi corre como o rio, suave e sem pressa. Não há muito o que se fazer por aqui. De vez em quando tem um show aqui ou em alguma cidade perto. A cidade está à três horas de Memphis e três horas de New Orleans. E a seis horas de Atlanta, onde há um consulado brasileiro. Eu vi Robert Plant tocar em Clarksdale de graça. Fui aos shows de: Kansas, Bryan Adams (por causa da Carol), Coheed and Cambria, Slayer, Motorhead, Slipknot, Anthrax, White Chapel e Garth Brooks. Em Maio eu vou ao show do Rush em New Orleans e em Agosto irei a Boston para ver o ACDC.

Como vocês podem ver, tenho uma certa paixão por musica. E essa paixão pela musica me levou a um novo hobbie, a coleção de discos de vinil. Há uma loja a 25 milhas da minha casa que se chama The Little Big Store, com mais de 100 mil discos, CDs e memorabillia usados. Quando vou pra lá, gasto pelo menos uma tarde escavando discos velhos. É com certeza meu lugar favorito no Mississippi.

Bom, por agora é isso. Espero receber a visita de algum cidiano em breve.

Abraços a todos.
Carlos Gomes”

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Carlos “Maozinha” e o filho Arthur.

A coordenação do Curso de Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia da USP de Ribeirão Preto, aproveita para parabenizar o aluno Carlos Gomes “Maozinha”, pela sua jornada nas terras do Tio Sam e pela sua atitude empreendedora e pró-ativa, que tem gerado frutos em sua vida profissional e pessoal. Desejamos todo sucesso em sua carreira na América do Norte!!

O blog agradece ao aluno “Laudo Kiyohiro Natsui” pelo contato e por colaborar para que esse post pudesse ser produzido.

Entrevista feita por Ana Santana, em 20/04/2015.