Mônica Barbosa…primeira turma do CID e coordenação do CEDOC audiovisual da EPTV.

Mônica Barbosa, Bacharel em Administração –  Centro Universitário Moura Lacerda. Bacharel em Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação – USP/Ribeirão Preto.

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Essa é a trajetória da Mônica, que ao longo de sua graduação trabalhou tempo integral na EPTV. Ela fez parte da primeira turma do curso, sendo essa sua segunda formação acadêmica. Através de algumas perguntas vamos descobrir como ela escolheu o curso, algumas dicas que ela tem para os alunos do curso e as mudanças que teve profissionalmente antes e depois do curso…vamos lá:

1. Por que escolheu o curso?

Na ocasião, já trabalhava num Centro de Documentação e queria aprimorar meus conhecimentos na área, quando soube, em 2002, da vinda do curso de nomeado Bacharelado em Ciências da Informação e da Documentação (hoje Biblioteconomia e Ciências da Informação e da Documentação) não tive dúvidas de que queria fazê-lo, apesar de já possuir uma formação acadêmica, sou formada desde 1993 em Administração pelo “Centro Universitário Moura Lacerda”.  Lembro-me, que na época em que decidi fazer o CID, meu maior desafio foi pensar em enfrentar um novo vestibular, já se havia passado muito tempo da minha conclusão no ensino médio. Mas, deu certo, em grande parte porque sempre gostei muito de ler e tive algumas aulas de Literatura com a professora Sylvia Bomfim de Brito Bastos a quem sou grata e isso me ajudou muito na hora do vestibular e, sinceramente, eu estava muito determinada a ingressar no curso.

2. Quais foram alguns desafios e vantagens que você enfrentou no começo, meio e fim do curso?

Eu tive uma vantagem, já não era minha primeira formação acadêmica, mas eu estava realizando um sonho: fazer um curso numa universidade pública, então estava encantada com tudo, mesmo porque eu tinha um comparativo importante: uma formação interior num curso de universidade particular, por isso valorizava tudo, era inacreditável ter uma gama de professores entusiasmados e engajados, com indicação de textos e fontes preciosos, ainda por cima de graça…pessoalmente o maior desafio era conciliar o curso com meu trabalho, que era em período integral e consumia grande parte de minha energia, sendo que eu já estava bastante envolvida com vários projetos, mas aprendi a tentar ser uma esponja para conseguir absorver tudo o que me era apresentado em sala de aula e usar isso a meu favor. Aliando teoria com a experiência e vivência prática nas minhas atividades de trabalho ganhei muito com isso, mas não podemos esquecer que eu já estava com pouco mais de trinta anos e já atuava em um dos campos da área. No curso, foi difícil conciliar meu escasso tempo para conseguir acompanhar o ritmo das aulas, das leituras e trabalhos que precisávamos desenvolver, principalmente os seminários que realizávamos em grupo, era necessário conciliar agendas e chegar num consenso de abordagem do tema pelo grupo, o que nem sempre era uma tarefa simples e sem conflitos, mas, inclusive, esses seminários se tornaram uma grande fonte de aprendizado e troca de experiências.

Em relação ao curso, tínhamos a sensação de que algumas disciplinas estavam destoando do que imaginávamos ser importante para a formação do profissional da informação, era uma fase de (re) início para todos, tanto corpo docente como discente, havia a necessidade da busca por uma identidade e também aprimoramento da grade curricular que fosse mais específica para o CID e o novo profissional da Informação, que ia muito além do estereótipo do “bom e velho” Bibliotecário. Tivemos problemas também em relação a algumas metodologias de ensino com algumas disciplinas que poderiam ter sido melhor aproveitadas, veja bem, mesmo com tudo isso, era perceptível um esforço comum do corpo docente em resolver estas questões, acho que foi uma época muito inspirada e inspiradora, o primeiro curso, a primeira turma, isso para uma grande maioria de nós era bem empolgante, mas em alguns aspectos tinha também certa precariedade e nos faltavam alguns recursos, mas, principalmente algumas diretrizes básicas em relação a disciplinas mais especificas e técnicas da área.

A escolha do tema do trabalho de conclusão do curso também não foi nada fácil, mas fui muito feliz depois que consegui determinar e focar o tema e ter a Professora Doutora Giulia Crippa como minha orientadora, ela sempre foi uma fonte de inspiração para mim, assim como a professora Doutora Lucilia Maria Sousa Romão que também me foi de grande inspiração. Muitas vezes, sem saber, o grande mestre é aquele que consegue nos estimular a abrir nossa mente para coisas que antes nos passavam despercebidas, fazendo-nos enxergar e buscar reflexões em tudo que nos envolve e que somos envolvidos, isso amplifica nossa visão de mundo e abre muitas possibilidades.

 

3. Quais são algumas dicas que você daria para os alunos entrando no curso?

Olha, eu nem sei hoje qual é o perfil dos alunos que ingressam no curso, na minha época era uma maioria formada por pessoas que estavam em sua segunda graduação e, portanto, também mais velhos, eu vi muita gente tendo visões muito diferentes da mesma coisa, isso porque no fim somos únicos mesmo e pensamos de maneiras diferentes. O que quero dizer é, seja quem for: um jovem que está vivendo a experiência de seu primeiro curso superior, ou aquele que já tem uma estrada mais longa, faça tudo com entusiasmo, tente se livrar de estereótipos e (pre) conceitos em relação ao curso e aos professores, faça valer pra você e preferencialmente envolva o grupo nisso, tudo passa muito depressa, mas a maneira como encaramos cada oportunidade e aprendizado fará diferença no nosso caminho.  Porém, primeiro, você precisa, no mínimo, se identificar com algumas disciplinas do curso, pode ser que nem todas sejam o que você espera, mas isso normalmente é algo que acontece em qualquer curso ou mesmo na vida, para um objetivo maior algumas coisas menores fazem parte do percurso. Depois, você não será obrigado a trabalhar com aquilo que não se identifica, por exemplo, martirizam o curso por causa da questão da visão do Bibliotecário tradicional, vi muita gente dizendo eu não quero ser Bibliotecário, Deus me livre ficar dentro de uma biblioteca atendendo aluno chato, separando e guardando livros. Veja, essa é uma visão antiquada e preconceituosa da área, muitos gostam justamente desse campo de atuação, mas posso adiantar que ninguém será um bom profissional se o próprio conceito de Bibliotecário for esse, o que a sociedade precisa é de bons profissionais seja em qualquer área, quando se tornar um faça essa escolha porque gosta e mesmo assim precisa ter em mente que num país tão carente de leitores e de atividades culturais acessíveis é necessário profissionais que desenvolvam programas estimulantes, principalmente dentro das escolas públicas,  se você optar por se tornar um Bibliotecário, faça valer a pena, trabalhe de maneira criativa e motivadora. Esse curso pode ser uma porta de entrada, isso pode ou não te garantir uma carreira bem sucedida na saída, não existem garantias precisas, às vezes é preciso mudar de rumo, fazer especializações e porque não até mesmo uma nova formação complementar. Mas, coloque na sua cabeça, aprenda o mais que puder a cada passo, compreenda as partes básicas do processo que envolve a informação: desde sua produção, meios, fluxos, organização e recuperação, isso é fundamental! Se o curso não estiver oferecendo disciplinas ou atividades que lhe propiciem essa base, então é necessário cobrar e lutar por mudanças, com foco e de maneira organizada e pacifica.

Outras dicas que considero importantes: como contratante de profissionais da área, por muito tempo tivemos estagiários que passaram por aqui, depois transformamos essa vaga em efetiva; primeiro: percebi, algumas vezes, que o que pode se tornar um fator desfavorável ao profissional iniciante é o de ele ter uma visão equivocada da sua própria atuação/atividade. Isso tanto pode ser algo advindo do próprio docente, como, da forma como o curso é trabalhado, não sei como está a grade curricular do CID atualmente, na minha época faltavam algumas disciplinas fundamentais e melhoria de metodologia em algumas delas, que não ofereciam uma base mais prática do saber fazer, isso pode gerar muita frustração. Nesse caso, é preciso passar uma visão mais real do campo de atuação, já vi muita gente talentosa simplesmente ter uma expectativa equivocada de trabalho, nós podemos nos tornar gestores de informação e até mesmo produtores de conteúdos documentais ou culturais, mas, na grande maioria, os processos que envolvem trabalhar com documentação, independentemente da tipologia, passa por etapas que envolvem atividades de rotina, o que para muitos pode ser maçante. Então, antes de tudo, o profissional precisa saber que existe esse processo rotineiro, que prevê o domínio de linguagens documentais; segundo: precisamos ter a consciência da valorização desse processo, pois seja um documento histórico, jurídico, administrativo, acadêmico ou até mesmo objetos, físicos ou digitais/virtuais, é pelas nossas mãos que passam todo o cuidado de preservação, guarda, organização e recuperação de documentos únicos, que num primeiro momento possuem apenas valor de uso, mas podem se tornar preciosas fontes de preservação de uma memória institucional e/ou social.

Por fim, tudo também depende daquilo do que cada um considera o que é ter uma carreira bem sucedida. Logicamente precisamos ser reconhecidos e bem remunerados, inclusive está ai a importância de representarmos uma classe categorizada, mas se fizermos algo que além de uma remuneração adequada e justa, representa também aquilo que gostamos de fazer e de estarmos envolvidos, já vai ter valido a pena. E, por favor, se você estiver num caminho que esteja te trazendo só frustrações, desgosto e martírio, mude o rumo, muitas vezes e quase sempre, isso não tem nada haver com nossa formação acadêmica.

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4. O que você fez depois de ter se formado?

No meu caso, continuei na mesma área e mesma empresa em que trabalhava na época em que estava estudando, trabalho na EPTV – Empresa Paulista de Televisão, afiliada da Rede Globo em Ribeirão Preto, atuei também com produção e pesquisa de alguns especiais, desenvolvi trabalhos de incentivo a leitura e implantação de Bibliotecas como voluntária por oito anos pelo Instituto EPTV, que apoia Instituições que atendem crianças carentes no horário inverso a escola, Coordeno um projeto de Educação chamado “EPTV na Escola”, mas posso dizer que tive meu antes e depois de minha graduação no CID. Cresci bastante profissionalmente, acompanhei mudanças e participei de projetos importantes na minha área no CEDOC – Centro de Documentação (audiovisual) – desde 2013 ocupo o cargo de Supervisora do Departamento. Em Maio de 2015 começamos em Ribeirão a implantação de um sistema de digitalização e de um novo programa de gerenciamento de informações chamado “Media Portal”, estamos desenvolvendo a digitalização do nosso legado, já conseguimos, em pouco tempo, digitalizar os cinco primeiros anos (novembro/1980 a Dezembro/1986) do conteúdo Jornalístico das matérias que exibimos na EPTV Ribeirão e que agora estão em processo de revisão de indexação e decupagem. Esse acervo contém informações importantes, que se tornaram incomparáveis em caráter de conteúdo histórico que possui um precioso registro do desenvolvimento do nosso interior paulista.

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5. Como estão servindo os conceitos e a experiência que você teve durante a graduação atualmente?

Nossa área é multidisciplinar, uma das coisas interessantes que tomei para mim e se mostrou bem importante, foi aprender o mínimo de algumas disciplinas que não me identificava muito, como por exemplo, banco de dados e Informática, mas que eram relevantes para nossa área profissional seja em qualquer campo de atuação. Isso facilita, no mínimo, a viabilidade em participar de projetos em que precisamos saber dialogar com profissionais específicos de outras áreas para que haja uma troca de conhecimentos e desenvolvimento de um trabalho conjunto. Usei esse conhecimento, por exemplo, para acompanhar e aprimorar a implantação do novo sistema de arquivo digital no CEDOC. Foi bem enriquecedor e útil, e acima de tudo, o resultado final foi uma customização de um sistema que ficou bem melhor com a participação de todos. Todo aprendizado nas aulas teóricas, nas visitas técnicas e estágios, se tornaram importantes referências para mim, isso é fundamental para quem vai ingressar no mercado de trabalho.

6. O que você pretende para o futuro?

No sentido profissional é continuar desenvolvendo um trabalho sério de organização, preservação e recuperação de informação, dar um bom encaminhamento para o trabalho de digitalização que ainda é uma tarefa que demanda anos para conclusão e preparar e conduzir a equipe do departamento para desafios futuros, em breve também vamos organizar aqui no CEDOC um novo tipo de conteúdo, tentar ser uma pessoa justa com a equipe, ajudar a treinar e desenvolver bons profissionais da área.

Como qualquer ser humano, acho que não podemos parar, depois de muito tempo estou começando a ter vontade de voltar a estudar, creio que as pessoas tenham vários talentos e precisam descobrir isso nelas, depois que identificarmos quais são, precisamos nos aperfeiçoar e dedicar a isso, algo que pode começar como um hobby ou atividade paralela pode se tornar uma atividade principal e prioritária no futuro. Por isso, além, de um projeto com minha família, que envolve agricultura familiar e sustentabilidade, gostaria muito de fazer um mestrado e mesmo doutorado que possibilite, talvez, o desenvolvimento de uma carreira como professora acadêmica, quem sabe até do CID!!! Rsrsrs

 

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